15 de janeiro de 2018

Novo livro em breve


Foto: Anlub

Ainda no primeiro semestre de 2018 esse meu novo "rebento"; um livro cheio de Loucuras e gravuras feitas por mim! (...) todos os meus livros tem - de alguma forma - Loucuras... mas esse terá gravuras para cada uma delas e um acabamento primoroso.


14 de janeiro de 2018

Casa

Arte: Os Gêmeos 
Morador de rua: realidade


Casa

"O importante não é a casa onde moramos. 
Mas onde, em nós, a casa mora."
- Mia Couto

Às vezes constroem-se imponentes casebres de madeira,
Às vezes impotentes castelos de areia.
Falando em outras épocas:
Não houve regras nem mesmices,
Nem de outros, quaisquer palpites,
Nunca deixei; (fui menino traquinas).
Até hoje em dia quando me apontam o dedo,
Aponto um lápis.

Na puerícia fui um príncipe - fui plebeu,
Fui o princípio das brincadeiras – fui o fim, pois também fui o Rei.
Por essa razão ou outra, talvez,
Não existe agora, nesse tempo,
De insatisfeito nem um ínfimo resquício.

Vivia o hospício bem-vindo de um artista, 
Vivia o “agora” sem a vil bola fora,
Que condiz com qualquer aprendiz.

Na parede da minha casa,
Descascada, carcomida,
Em linhas frenéticas de giz,
Comecei os primários esboços:
Linhas traçadas nas paredes do sóbrio Pollock de um metro e trinta.

O piso era velho, de taco;
No meu quarto o desenho de um tabuleiro de xadrez.
Em frente à casa uma mangueira,
E uma mangueira para regar e tomar meu banho.
Um balanço sobre a roseira e os belos girassóis de Van Gogh...
Mas só em sonho.

Fui feliz naquela casa e nas outras que surgiram,
Pus meu toque ao adornar; pus a música e trouxe amigos.
Deixei o pássaro cantar, o verde crescer e o cachorro latir,
Deixei o chinelo sujo de barro na porta
E guardei a lembrança da minha mãe sorrindo.

André Anlub®

13 de janeiro de 2018

Das Loucuras (nocaute tático, técnico, tântrico)


Das Loucuras (nocaute tático, técnico, tântrico)

Potências ao máximo e socos drásticos
Formam hematomas em caixa-alta.
O amor é bom de tapa, faz tipo e é ótimo de gancho...
E aproveitando o gancho deixa o recado:
Fique de olhos abertos, mexa as pernas e a guarda alta.

O boxe é baile,
E na folia da vida só dança quem anda distraído.
Na paixão passageira, deu bobeira,
Passou do ponto é dor de cotovelo.

Ônibus errado, calote, skate, moto, magrela, lambreta...
Com qualquer coisa se chega ao júri para tentar ser absolvido.

Jovem homem alarmado,
Com uma enxaqueca esperta
E nocauteado na esquina.

Já estava cansado,
Vem apanhando há tempos
De amores adoidados.
Foi numa noite enluarada,
Onde o lobisomem deu-lhe uma aspirina.

Ele desvendou os segredos
Guardados a sete mil chaves:
O mistério dos vampiros,
Dos curupiras, das picuinhas,
Das purpurinas dos bobos...

Tornou-se um louco transviado
Na Transilvânia de ursos e lobos.

Agora já está tudo em ordem,
Volta à sua vidinha resguardada
De infeliz estada e estratagemas.

Disfarça-se de afável,
De boa gente e feliz, 
De desaprovado e amargurado.
Potências ao mínimo
E socos e chutes fracos,
Em sacos cheios e ocos.

Vivência no instinto,
Se entrega inteiro
Com aliança de algema
E cordão que é corda no pescoço.

André Anlub®
(5/1/18)

5 de janeiro de 2018

Das Loucuras (’80: garotos não choram e garotas só querem diversão)


Das Loucuras (’80: garotos não choram e garotas só querem diversão)

Não há possibilidade de argumentação,
Saudações à parte, parte do pressuposto existente...
Tudo que foi deixado para ser usado,
Como arma, acabou como desarme da mente.

Desenterrou perspectivas sumárias
Em todas as datas comemorativas;
Organizou suas gavetas e armários
Mas saiu maltrapilho rumo à vida. 

Nova temporada do fiasco dos tempos
Num intento que faz vento às velas.
Novas remelas secas nos olhos esquerdos
Que faz mais importância que qualquer vil mazela.

No poço há água limpa e por sobre o rio sujo a pinguela;
Vidas e peixes bordados em panos e pintados em aquarelas.
O esboço do real guardado nas gavetas
Dos deuses que aguardam o som das trombetas.

Agora há outras possibilidades de prosa
Com um cachorro, um espelho ou um não Eu.
A adequação fez do buraco negro a roça...
Também fez a sombra sobreviver em total breu.

André Anlub®
(5/1/18)

3 de janeiro de 2018

Das Loucuras (terceiro dia útil! ou nem tanto)


Foto: Lucas Landau
Matéria: Matéira aqui!

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Das Loucuras (terceiro dia útil! ou nem tanto)

Dia calmo com água fria pode ter tubarão!
Hoje é absolutamente desigual, díspar e de outra cor
Do terceiro dia útil do ano que já passou.
Até parece que a memória permite ter a lembrança de tal situação.

Eu não tenho amigos (hipoteticamente falando),
Vivo em uma ilha deserta,
Com o sol escaldante num céu escaldado,
Encoberto pela névoa
Do fruto de um futuro melhor...
Assim como foi quase todo o passado.

Noite agitada com água quente para o banho,
Mas o chuveiro elétrico pode dar choque.
A ação começa calcada na paz (é só um toque),
Com o vozear objetivo, forte, influente e fanho.

Introvertido, pensativo, ativo é atrativo vivo...
Mente leve e corpo pesado (um pouco acima do peso).
Falas instrumentais conduzem o corpo, selvas sérias;
A alma no jazz é plateia,
O bilheteiro está sempre de férias...
Pois a entrada é franca.

Mais escritos, menos estribos, sol e lua e tribo...
O fogaréu é excessivo – um brinde ao paraíso...
Voltamos a escrever, nada de férias...
Pois a estrada é longa, botem banca.

André Anlub®
(3/1/18)

2 de janeiro de 2018

Tulipas


Tulipas
Sylvia Plath
Tradução: Enrique Carretero

As tulipas são muito vibrantes, aqui é inverno.
Olha, tudo está tão branco, tão quieto, tão nevado
Aprendo quietude, deitada sozinha e calada
Enquanto a luz cai sobre estas paredes, esta cama, estas mãos.
Não sou ninguém; nada tenho a ver com explosões.
Dei meu nome e minhas roupas de dia às enfermeiras
Minha história ao anestesista e meu corpo aos cirurgiões.

Seguraram minha cabeça no travesseiro entre as barras da fronha
Feita um olho entre duas pálpebras brancas que nunca se fecham.
Pupila estúpida, tem que engolir tudo.
As enfermeiras passam e passam, não são problema,
Elas passam como gaivotas voando pro interior com seus chapéus [brancos,
Fazendo coisas com suas mãos, uma igual à outra,
E assim é impossível saber quantas realmente são.

Meu corpo é para elas como uma pedra, elas o manuseiam como a [água
Manuseia as pedras sobre as que terá de bater, suavizando-as [delicadamente.
Elas me trazem o torpor com suas seringas brilhantes, me trazem o [sono.
Agora estou desorientada, farta de bagagens——
Minha necessaire de couro como um chapéu pillbox preto
Meu marido e meu filho sorrindo na foto familiar;
Seus sorrisos se prendem à minha pele, anzoizinhos sorridentes.

Deixei que as coisas escorregassem, que um navio cargueiro de [trinta anos
Pendurasse teimosamente no meu nome e endereço.
Despejaram-me dos meus pertences afetivos.
Assustada e despida na maca de travesseiro plástico verde
Vi meu conjunto de xícaras, minhas roupas de cama, meus livros
Que se afogam sem serem vistos, e a água que sobe até cobrir minha [cabeça.
Agora sou uma freira, nunca fui tão pura.

Eu não QUERIA flores, só queria
Ficar deitada com as palmas das mãos para cima e estar [completamente vazia.
Quanta liberdade, vocês não fazem ideia quanta liberdade–
A paz é tão grande que enjoa,
E não pede nada, um adesivo, umas bugigangas.
É nela que os mortos finalmente se esvaem, imagino-os
Com ela na boca, como se fosse uma hóstia.

Pra começar, as tulipas são muito vermelhas, elas me ferem.
Mesmo através do papel de presente podia ouvi-las respirar
Suavemente, como um medonho bebê através das suas brancas [fraldas.
Sua vermelhidão fala com minha ferida, combina com ela.
Elas são sutis: parecem flutuar, embora me afundem
Perturbando-me com suas súbitas línguas e sua cor,
Uma dúzia de pesos de chumbo vermelhos ao redor do meu pescoço.

Ninguém me observou antes, agora sou observada.
As tulipas se voltam em minha direção e à janela atrás de mim
Onde uma vez por dia a luz se alarga e estreita lentamente,
E eu me vejo, rasa, ridícula, uma sombra de papel
Entre o centro do sol e o centro das tulipas,
Não tenho rosto, eu quis me apagar.
As vívidas tulipas devoram meu oxigênio.

Antes de elas chegarem o ar estava calmo,
Indo e vindo, respiração a respiração, sem nenhum alarde.
Então as tulipas o encheram feito um grande barulho.
Agora o ar gira ao seu redor da mesma forma que um rio
Gira ao redor de um motor naufragado e avermelhado pela [ferrugem.
Elas capturam meu pensamento, que era feliz
Brincando e descansando sem compromisso.

Estas paredes, também, parecem estar se aquecendo.
As tulipas deviam estar atrás das grades como animais perigosos;
Elas se abrem feito o focinho de um grande felino africano,
E eu sinto meu coração: que abre e fecha
Sua travessa de botões vermelhos só por amor a mim.
A água que saboreio é morna e salgada, como o mar,
E vem de um país tão longínquo quanto a saúde.

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Sylvia Plath Reads 'Daddy'



"O que podemos aprender com “Daddy” de Sylvia Plath" ---> Aqui

1 de janeiro de 2018

Das Loucuras (primeiro rabisco de doismiledezoito)


Das Loucuras (primeiro rabisco de doismiledezoito) 

Vem ano novo e adoro – de antemão – ano sim, ano não.
Há lugar melhor para estar – mas sempre haverá! 
Amo anos pares: imagino-me no jogo de pôquer
Com cinco dedos no copo cheio de uísque
E um par de ases na outra mão.

Vamos indo: odoríficos, limpos – Eu e meus deuses nada ululantes...
Chega de alto-falante, nada de nada pensante,
Nada de ser arrogante: “quero que se mate”;
Tampouco ser automático: “auto-falante”.

Quero a vida auto limpante, poucos enfeites na estante,
Muitos livros, muitos mimos e pouco alarde.
Mas para rimar e continuar o debate:
Me faz um chá-mate?

Alguns grilos falantes, pensantes, porém didáticos...
Serão sempre mais bem-vindos – digo amém!
O midiático que se defina, se “auto-intitule” se “auto-afirme”;
E esse texto poderia ter como subtítulo: o não uso do hífen!

Novo ano e mesmo jogo: bolas fora, chutadas na trave,
Alguns gols a favor – e sem cegueira –, outros contra. 
Mas a aposta segue, jamais nunca e nada é sempre tarde.
Convicções à parte: a vida é o enigma do nadar das lontras. 

Lá na linha do horizonte vejo o novo com a cara de ontem;
Noto o desmonte daquilo que já foi inteiro.
É janeiro: novas chances, velhos planos – preto-e-branco e cor;
É maneiro: sou relativista, jazzista, faceiro, sonhador...

Não ouço alarmistas, mas acredito em disco voador.
Abomino fofoca, infiéis e vis marqueteiros.
Há de se separar a joça do trago e o joio do trigo,
Mas há de saber que o umbigo é só um umbigo,
E ninguém é feliz sendo embusteiro.

André Anlub®
(1/1/18)


31 de dezembro de 2017

O levantar de cada homem


O levantar de cada homem

Onipresente e quiçá salutar
vagão de um extenso trem
vagando, voando, vergando devagar.

Cem promessas e esperanças no ar
do cerimonial que o ano transpassa.
Vento e vigor entram pelas ventas
e dobram o hipotético cabo das tormentas.

Ficam tempos de acertos e erros
ficam berros que ecoam em intentos
e na nuvem a premissa do restauro da curva
que faz reta uma estrada mais turva.

Em seus tronos na zona de conforto
estão otimistas os deuses de todos.
Roupas alvas, flores brancas
e o sol desbotando as flâmulas.

É um novo tempo e a mais nova maquiagem
da engrenagem que a ferrugem não come.
A esperança sendo real ou miragem
alivia e traz força no levantar de cada homem.

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.