23 de novembro de 2018

Universo ou Ilha


Universo ou ilha

Os tempos antigos o deixaram saudosista
Feito um artista naquela casa, abandonado
Vivendo com a pensão do sentimento do altruísta...
Mixaria, moedas, merendas, sopa fria e pão mofado.

O machado não mais corta a árvore - ai de você mau-olhado
A melhor jogada é o blefe: bife de fígado acebolado
A semana se repete, mas nunca começa no mesmo dia
Se com sol é fria, no inverno faz-se o inverso da melancolia.

Não há mais sossego – dão-se logo as graças
No lago o apreço – doam-se lindas as garças.

Saltos ornamentais – em devaneio;
Loucos poemas – palavras soltas de Simone;
Poucos trompetes em melodias – do início ao meio
Belos pianos de Nina – esse é o nome.

Há pegadas de um rato de casa à ratoeira,
Que deixa o queijo e rouba a armadilha.
Há mãe com a filha em ditame que não é besteira,
Sem eira ou beira, sem universo ou ilha.

André Anlub


Um Moinho


Um Moinho

A travessia é dura:
Dias de chuva,
Noite de frio,
Dia bem quente,
Noites sombrias.

Nesse caminho confuso,
Nessa estrada sem placas;
Entre o reto e o obtuso,
Todos afogam suas mágoas.

Com a bota furada,
Pisando em barro ou em pedra;
Pronto em pé ou na queda,
Tiro o melhor na caminhada.

Se encontro uma rocha grande...
Serve para descansar;
Se encontro um mar...
Sou filho de navegante.

Se a fome quiser ser minha sombra...
Como um pedaço de pão;
Se não saciá-la...
Posso matar um leão.

Tudo posso e tenho
Se a força não me faltar;
Como um moinho de água
Que mesmo se o poço secar,
Usa o vento para a roda
Nunca parar de girar.

André Anlub®

22 de novembro de 2018

Ótima quinta trupe poética! - Feliz dia da Música


O psicopata de si próprio é tão amargo quanto o mundo que o cerca.
(Tarde de 21 de junho de 2015)

Eis aqui o sabichão, o homem da hora, o dono não só do pedaço, mas da coisa inteira; detentor de grande imaginação ele pensa ser dono, ou pelo menos conhecer, toda a sua completude. Não sabe que é nada além de um minúsculo, ínfimo e insignificante ponto nessa rua, dentro desse bairro, dentro da cidade... e por ai vai... Mas para não ser prolixo: ele é um naco de necas dentro do universo dentro de universos. O ser além do que é si próprio, enxergando um chifre na cabeça do unicórnio, sente-se maior que o mundo, melhor que o mundo, é dono de tudo e todos. Mas o dia fatídico chega, a manhã que nunca deveria ter ocorrido, e ele abre o visível e precioso espaço vazio, o oco, o eco, o eca, que já iria ser aberto algum dia (com ele morto), e coloca um pequeno cérebro dentro, um resquício de alguma coisa, aquele caroço de feijão ou semente de milho que sai ao defecar... Agora ele pega no tranco – então acaba a presunção e a navalha corta toda sua vida, todos os seus sonhos – seu vil e fétido ego –; corta seus pulsos e prepara a forca; agora ele descobre quem realmente é, e o pior: ainda está vivo! A sangria é enorme, tiro de quarenta e cinco em garrafão de cinco litros de vinho... O fluxo é farto, intermitente, mal cheiroso, de coloração baldia e horrível; a sensação de remorso é um osso duro de roer, é um pito de cigarro de quinta (Hollywood sem filtro), é um aperto bem apertado no peito (um nó cego); e tão forte, tão absurdamente forte, que ele morre aos poucos (aos porcos) por dentro, em uma tortura calma e silente; como um ácido com limão e vodca correndo sem pressa pelas veias, sorrindo e cantando Stairway to heaven, indo de encontro ao seu encéfalo. Agora ele fenece, e se liberta, e torna-se algo: o morto. 

André Anlub

O Baile do Prazer


O Baile do Prazer

Por um segundo se afaga o céu...

Chega de mansinho, sobe pela espinha
Parece queimar por dentro
Sedento, dou mais linha na pipa
A contento... Quero repetir a façanha.

Ao som de um bom e velho blues...

O suor invade nossa cama
O calor emana dos corpos
O silencio agora é preceito
Tentamos acender novamente a chama.

Mãos bailam inquietas pelos relevos
Lábios molhados e soltos
Não há censura, não há barganha
Momento pleno, libertino e verdadeiro.

Por um segundo bulimos com o céu...
Ao som de Celso Blues Boy.

André Anlub®
In memoriam - Celso Blues Boy - *5/1/56 - †6/8/12

Revelação

Raivoso cão sem dono 
Entre vielas escuras das artérias
Veias cavas, inerentes
Equilibrando-se por entre fluxos e refluxos
Lá vai ébrio sangue azul.

Alcança o ápice no tálamo
Como uma erupção sem controle
Arruinando meu corpo
Ovacionando a saudade.

André Anlub®

Já nem sei por onde anda
No gole, na gola, na manga
Nem sei de onde veio
Do ventre, da saia, do seio.

Nada fiz, pois encarei só o que pude
Livre arbítrio é um tiro no pé
Tratei de lixo quem me mostrou ser rude
E pra um suposto embuste sou feito de fé.

Não permita que a lamúria de ter ou não ter feito,
isso ou aquilo,
torne-se eco e volte a ser nuvem escura num
futuro próximo!

André Anlub®

21 de novembro de 2018

A escolha



Me rotulem para o bem ou para o mal, não há problema. Só não deslegitimem meus sonhos e minhas lutas.

A escolha

Milhões de besouros deslumbrados aos brados,
Nutridos e alienados;
Som hipnotizante, atemporal e famigerado.
Fotos estampadas em revistas,
Jornais e memórias,
Fazem da nossa história um pouco mais abençoada.

Mas tudo muda ao toque do botão...
Muda ou fala na opção escolhida,
Rompe-se a bolha e abre-se o inventário...
Por cada um, por cada muitos...

Não quero mais besouros pela sala,
Quero ouvir pedras rolando descendo o calvário.

André Anlub®


20 de novembro de 2018

Indo ao brio





Vem com os olhos, vê.
O encanto subiu a colina.
Primavera. Ipê.

Há lençóis em que se repousa, que se sonha, que se voa, que se doa e se pousa... Nos lençóis em que você esteja comigo, estarei aquecido, envaidecido... Em plenos amor e abrigo.

Indo ao brio

Pousa para dar pé, pausa para um café;
Asa em construção – voo em atuação;
Ao distante a verve chamando, pois...
Incitante é a vida entoando:

Ela está insatisfeita (sem motivo),
Vive questionando o próprio talento,
Diz que é como um cágado...
Está lenta:
- não consigo agora chegar, ou, talvez, me virar no improviso.

Pausa para ter fé, pousa para outro café;
Pena, papel, ideia e silêncio...
Deixou bem longe a peleja, a amnésia,
A ausência de novo pensamento...
A inércia.

Alçando voo desbancando o frio, cruza o vale e o rio,
Voa com os sãos falcões peregrinos, aves de rapina, 
Sente quão facões na espinha, rasgando a carne e a alma...
A inspiração que lhe ataca, 
Afaga, assanha... e, na manha, a eleva ao brio.

André Anlub®

14 de novembro de 2018

De Bobó vendo Sasá



De bobó vendo Sassá (este é para poucos)

Foram e já foram épocas em diferentes gracejados
Nos gingados de danças leves, livres e levados...
Que tanto lavam: ampolas de cevadas – embolias de folias.

Aquele todo o sol, sim,
Aquele sol diferente,
Aquele sol como teto,
Tinha o chão ébrio de areia
Com a mais perfeita limpidez;

Abaixo viviam vidas sem vaias
E no ar o perfume que provém de sereias...
Vidas vividas em autopistas,
Sem placas, beiradas,
Sem pistas ou margens,
Que cercavam o sensato
Num ato de fantasia.

Companheira súbita da bobeira (bobó),
Vendo e vivendo a besteira (Sassá)...
Clara embriaguez!

Deram-se muitos ruídos – compilados assobios,
Sons de chamados em hinos – estonteante agudez.
Apareciam aos montes: bicicletas, carros, motos, pernas...
(“ratatá – vaquinha”)
Confrades amigos, todos um só umbigo,
Abrigos de trevas e luz.

E assim foi-se, assim foi o que prestou e presta:
Guerreiro abatido – sobravam-lhe mãos.
Guerreiro venceu – mais outra festa.

Sobram são memorias, abraços de bom-dia...
Sobra também a empatia que eternizou a afeição.

Foi-se um tempo mais claro, 
Mais belo e farto – faca afiada,
Que na mais pura verdade:
É a saudade que ainda corta o coração.

André Anlub®

Amar é uma arte,
Mas o correto é tender mais para a poesia do que para o teatro.

Beltrano vivia dizendo:
“Não publique, guarde suas ideias ou as coloque em efêmeras redes sociais. É besteira publicar, pois seu livro ficará enfeitando estantes e só parentes vão comprá-lo! Ah, não publique, você vai se decepcionar...”
Beltrano é bom de blá blá blá...
Pode até não ser um bom escritor,
Mas entende bem de contradições...
Já estava no seu 8° livro publicado.

11 de novembro de 2018

Bora Nessa


A vida é uma incoerência colossal...
Aquela pessoa que fica bem em qualquer roupa,
Geralmente te faz querer que ela não estivesse vestindo nenhuma. 

“Bora nessa”

Vou caminhando com total certeza:
No fundo, no fundo, você está em mim.

Não a vejo, entretanto consigo ver o belo,
Os olhos fracos ainda enxergam.

Ouço tal música (aquela nossa)
Os ouvidos estão indo bem;
Mesmo sem você escrever uma só linha,
Como nunca, sinto sua poesia,
Pois ela também é minha...
(admiração eterna).

No fundo, no meio e no raso,
Meu escuro – meu escudo
Meu jardim – meu cenário.

Nos olhos de janela,
Cada casto colorir de aquarela,
No vácuo, no vasto, no espaço,
Em cada música,
Em cada arte que faço
Em, absolutamente,
Todos os meus passos e traços...
Você está em mim.

André Anlub®

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.