22 de janeiro de 2019

Das Loucuras (Nocaute tático, técnico, tântrico)


Houve um tempo
Que a vida era quente
Saborosa, bem passada
Ou no ponto,
Ou al dente...
Eloquente
E totalmente
Do nosso jeito.

Das Loucuras (Nocaute tático, técnico, tântrico)

Potências ao máximo e socos drásticos
Formam hematomas em caixa-alta.

O amor é bom de tapa,
Faz tipo e é ótimo de gancho...
E aproveitando o gancho
Deixa o recado:
Fique de olhos abertos,
Mexa as pernas e a guarda alta.

O boxe é baile,
E na folia da vida só dança
Quem anda distraído.

Na paixão passageira, deu bobeira,
Passou do ponto é dor de cotovelo.

Ônibus errado, calote, skate,
Moto, magrela, lambreta...
Com qualquer coisa se chega ao júri
Para tentar ser absolvido.

Jovem homem alarmado,
Com uma enxaqueca esperta
E nocauteado na esquina.

Já estava cansado,
Vem apanhando há tempos
De amores adoidados.

Foi numa noite enluarada,
Onde o lobisomem deu-lhe uma aspirina.

Ele desvendou os segredos
Guardados a sete mil chaves:
O mistério dos vampiros,
Dos curupiras, das picuinhas,
Das purpurinas, dos bobos...

Tornou-se um louco transviado
Na Transilvânia de ursos e lobos.

Agora já está tudo em ordem,
Volta à sua vidinha resguardada
De infeliz estada e estratagemas.

Disfarça-se de afável,
De boa gente e feliz, 
De desaprovado e amargurado.

Potências ao mínimo
E socos e chutes fracos,
Em sacos cheios e ocos.

Vivência no instinto,
Se entrega inteiro
Com aliança de algema
E cordão que é corda no pescoço.

André Anlub

21 de janeiro de 2019

São Paulo (ÉssePê)


Não mais tema
pois ainda há tempo.
Destampe o tempero
e derrame-o de jeito 
no intento.
Agora é a hora...
abra os braços
lance os laços 
dos mais tenros e ternos 
abraços!

São Paulo (ÉssePê)

De tudo que leio
Que vejo e escuto
Nada e nem tudo
Pode descrever-te.
Sampa é só flerte
É paixão, poesia
Cultura, boemia
Endereço e adereço.
Sampa de apreço
Será que te mereço?
Pois me perco em teu ritmo
Teus ecos, teus signos
Nas noites em delírios.
Sampa da arte
Moderna e eterna
Museus e histórias.
Cidade mutante
Bravos bandeirantes
Lar dos retirantes
Alçada na glória.

André Anlub®



20 de janeiro de 2019

Tapete vermelho do amor


Agora mesmo a alegria passou por uma rua
Estava nua, fula, atormentada e vadia
Ela soprou uma brisa, apagou algumas velas
Espalhou a fumaça dos charutos e incêndios
Atrapalhou as preces, os cantos nos terreiros
Atrapalhou enterros e desacelerou as pressas.

(Fragmento de "Mesmo assim")

Tapete vermelho do amor

Saiu a lista dos apaixonados do ano,
Nem sicrano, nem fulano...
Meu nome estava lá!
Foi magia; em primeiro lugar – quem diria.
- Mas por favor, não vão me alugar...

Já era de praxe,
Peguei pesado no sentimento;
Amei além da imaginação.
Não teve um sequer momento
Que eu não tenha acertado na mão.

Fiz o bê-á-bá certinho,
O arroz com feijão;
Rezei conforme a cartilha
E para não perder-me na trilha,
Segui cada pedaço de pão.

Comecei como Homem de Lata:
‘Levei na lata’, fiquei em frangalho;
Nunca levei jeito para o Espantalho
Sobrou muita coragem para Leão.

Por causa da inspiração
Deixei de me acabrunhar num fosso;
Tornei-me de cerne, carne e osso
E fiz da poesia oração.


André Anlub

19 de janeiro de 2019

com um quê de barba feita



Manhã de 29 de abril de 2015 (com um quê de barba feita)

A animação acorda junto! Coisa rara atualmente, mas sempre muito bem-vinda.
Abri meu jornal eletrônico, o qual assino, e li sobre política. 
É, politica. Aquela coisa que muitos odeiam, alguns participam e muitos não entendem. Todas as vezes que faço uma postagem com algum cunho político me arrependo! 
Acho que realmente fica complicado quando se fala o que as pessoas não querem ouvir (até mesmo quando se está do lado delas). 
Vou me ater em escrever meus singelos rabiscos e continuar me expondo politicamente somente no meu voto e no boteco da esquina onde bato meu ponto, jogo gamão e derramo meus copos. 
Lavo o rosto e vejo aquela cara de ontem, meu cabelo está carecendo de um corte curto, é mais prático e o calor abranda. Escovo meus dentes, lavo novamente o rosto, faço meus alongamentos e vou-me ao banheiro de fora, da área dos fundos. 
Lá já tem um livro me esperando e o meu trono que adoro. Agora vamos falar em poesia, em algo romântico que me toca, me desmancha e me conserta, me dobra e desdobra, me faz feliz e moleque. Já estou pintado de guerra, já ouço tambores e ao fundo a água cai de um céu pardo e enterra meu otimismo. 
A espada é das Cruzadas, a roupa de soldado negro, as botas de couro bem grosso e o olhar de quem já morreu de véspera. 
Dilacerei meus fantasmas em praça pública ao som de Björk, a luz de holofotes com canapés diversos e uma vodca da boa.
Era uma manhã como a de hoje, quarta feira; era Maomé indo à montanha e Maria indo à feira; um carro avança um sinal, outro estaciona erroneamente em vaga de deficiente; uma criança cai muito doente e de repente cai meu astral.
Fui caminhar e me perdi no tempo e no espaço, deixei a cabeça divagando até romper em uma dimensão paralela. De repente me deparei com um belo castelo de cor púrpura, cercado por orquídeas raras, uma mangueira alta e com um capacho enorme na porta escrito: “Essa casa é sua”.

André Anlub

Lucíola Alencar



Há lençóis em que se repousa, 
Que se sonha, que se voa, 
Que se doa e se pousa...
Nos lençóis em que você esteja comigo
Estarei aquecido, envaidecido
Em plenos amor e abrigo. 

Lucíola Alencar

Em tempos idos:
Lucíola teve passado penoso,
De dia a dia rigoroso, aqui e acolá em diversos puteiros.
Sua mãe analfabeta e agricultora e seu pai pedreiro;
Faltava dinheiro, comida, estudo, faltava quase tudo...
Até que, de repente, o “tudo” veio:

Em tempos meios:
A gravidez de trigêmeos caiu como tempestade,
Aquela louca vontade de ser mãe 
– aquela sóbria visão de que precisava ser algo mais;
Largou a labuta de prostituta e entregou-se aos livros...
Venceu empecilhos, derrubou preconceitos.

Em tempos de hoje:
Mulher guerreira, mãe solteira, “ex-meretriz”,
Sessenta anos e três filhos criados:
Uma médica, um famoso escritor e um advogado.
Lucíola Alencar é dona de casa e de uma rendosa barraca na feira,
Agora com “eira” e com “beira”
É também dona do próprio nariz.

André Anlub®




18 de janeiro de 2019

Mais sobre tal arrepio


Em seus tronos na zona de conforto
estão otimistas os deuses de todos.
Roupas alvas, flores brancas
e o sol desbotando as flâmulas.

Está no tempo de ser mais flexível
Espelho de exemplos melhores
Elixir para o mal reversível
Reescrever nossa vida em folclores.

Mais sobre tal arrepio

Diga-me tudo sobre o tempo
Sobre nosso amor
E os ventos que levam e trazem.

Se quiser que eu cante
Ou monte num elefante
E vá desbravar o entrave.

A viagem está só no meio
Em sua melhor parte.
Onde na paisagem não há feio
E parece única e conhecida
Mas é lua e novidade.

Os dias são sempre belos
Se libertamos os olhos
Para os aspectos.

Espertos andam sempre lentos
E em certos momentos
Abrem os seus velcros.

Podíamos perpetuar o amor
E passar os anos
Quiçá as décadas
Por que não milênios?

Vejo em equivocado intento
Pessoas engomadas
Com ouro nos dentes
Mas companheirismo em lata.

Agora o vento bate as portas
Fecha as janelas
Tapa ligeiro as frestas.

Tudo agora leva a crer
Que o breu fará morada
Mas não aconteceu.

A luz da nossa história
Iluminou com glória
Toda a madrugada.

André Anlub®

16 de janeiro de 2019

Excelente noite a todos



Alfarrábios – folhosos – calhamaços – opúsculos 
os nomes podem até parecer indigestos
mas degustá-los nos sacia de conhecimento.
Excelente digestão.

Aquela fragrância de nova vida,
Da porta aberta do viveiro,
Batia nos orifícios do nariz – como coisa boa –, 
Fubá fresquinho, coco queimado, doce broa...
Acompanhada por um manacá-de-cheiro.

Avise-me quando tiver um tempo,
Caso eu não esteja, por favor, deixe recado.
Passo por maus bocados sem a menor notícia sua,
Vivo um grande tormento olhando os velhos retratos.


André Anlub®


14 de janeiro de 2019

Asas de anjo ou dragão



Asas de anjo ou dragão

Vejam só os dois olhinhos, sinceros, impávidos,
Carregando a expressão das brasas dos entusiasmos.

O mundo deles também anda agitado,
E ainda mais quando estão juntos;

São avejões diversos...
No advérbio adjunto do anseio disponível no plasmático vulcânico...
Fundiram os neurônios e os versos.

Não há relógio no “slow motion”,
Tampouco o reviver das simples coisas.
A caneta dança na folha branca,
O sentimento canta a canção que voa...

Os dois olhinhos são escravos do tempo,
E o tempo não vive a mercê de porta aberta...
Não cumpre a cumplicidade que se torna seguro,
Simplesmente existe, e o quase é quase eterno.

Asas batendo, colorido das penas,
Bico bem largo e garras como dentes;
Com moderação se barganha com a vida,
Contínua rotina de distrair pensamentos
E tapear os momentos e as ideias baldias.

Criou-se o hábito saboroso e salutar,
Começou a lutar com as armas evidentes.
Vê a novidade de coisas iguais que nunca foram feitas,
Reinventa os trejeitos dos seus sujeitos (dá-se um jeito).

E a luta contra o colosso imortal continua,
O gigante que é anão, que espeta,
Que apunha, apunhala, compunha a mente incerta,
E a luta se enluta no negro alerta.

(...) nessa hora os olhos se emocionam mais uma vez,
Enchem-se d’água e desaguam...
E a vida: eles querem entendê-la, desvendá-la,
Querem enterrá-la para saber sempre onde está;
Irão confessar até o que nunca fizeram
E pelos campos e cidades aos ventos voarão...

Sendo perene ou não,
Sendo asas de anjo ou dragão.

André Anlub®

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.