30 de setembro de 2020

Boa notícia

 



Boa notícia


A boa notícia é que começou a batalha

uma guerra geralmente sem vencedores.

Do marechal ao cabo

todos os soldados

sem quaisquer exceções

são franco-atiradores.


Invadi o campo inimigo

fui render e ser rendido

sem a menor cerimonia

sem medo do sentimento

sem convite, sem umbigo.


Pude ver fatos delirantes

a ternura tem dessas coisas.

Expus o sentimento ao vento

e o vento o levou emprestado.

Chegou a uma alta montanha

ao cume totalmente congelado.


A boa notícia é que descongelou.


O vento o trouxe de volta

mas deixou por lá forte resquício.

A sinceridade e o afeto

a coragem de enfrentar corredeiras

rio abaixo, precipícios.

A coragem fez um homem melhor

mais atento e prestativo

que dá valor e recebe.

Encarando as tempestades que passam

aproveitando o solo fértil

e a hora certa do cultivo.


A boa notícia é que as artérias vivem.


As veias não mais enferrujam

o óleo quente e doce do sangue

passeia, dando alimento ao corpo

dando luz à vida

e adoçando a alma.


André Anlub®

25 de setembro de 2020

Dois textos de 2008

 


Histérico, Frenético, Frenesi (2008)


De tudo um muito

por pouco aos poucos

ações julgadas por loucos

que habitavam o seu encéfalo.


Fugia de si mesmo

perseguidos por vozes

pedia silêncio a esmo

aos falantes atrozes.


Correndo sem direção

cabelos voando ao vento

mão e contra mão

ganhava tempo com o tempo.


Expresso de pânico e fúria

sangue quente na veia

uma doença sem cura

sua índole que esperneia.


Chegou ao ponto final

analisou-se com mais zelo

viu que era um (a)normal

acordou de um pesadelo.


André Anlub®


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Um sonho


Olhos fechados pelo cansaço

lua solta lá fora

pés calejados, descalços

uma paz infinita

mente focada no absoluto

minha idade nos trinta

e em tudo que se pensa.


Como e bebo de tudo a mão

vinho vermelho como tinta

aroma, flores, jardim, assombração

entram pela janela sem pedir licença.


Chega o dia de branco

chega o céu de azul

uma ave canta um Blues

hora de levantar a esperança

um bom café com leite

agarro meu mosquete

começo minha andança.


Deparo com minha caça

grande urso com certeza

lhe falta a esperteza

me falta a raça.


Chego perto para não perdê-lo

a coragem me veio

não dei-lhe um tiro certeiro

foi o último e primeiro


Me fez correr pela mata

pensando no tamanho da pata

achei uma caverna para ficar

ele quase me mata.


André Anlub®

14 de setembro de 2020

excelente semana aos amigos

 



Não é brinquedo não

Viu a poesia com seu pulo largo desviando-se das críticas,

Caindo nos contornos límpidos das consciências

E escolhendo nada a esmo o caminho que avaliou ser certo.

Ouviu o verso leve pisando intenso com seu calçado soturno,

Colocando a marmita no bolso, a viola no saco e perguntando:

Onde é que eu durmo?

Na alvorada não comeu foi nada, tomou o seu remédio,

Foi para o colégio, grande sortilégio é responder à chamada:

(como um digno crédulo).

- Sou o verso que tirou o corpo fora de onde é bola fora... resolvi tricotar sozinho.

Deixou os poetas no vácuo, na válvula do silencio eterno... 

(mesmo que por um momento).

Deixou todos ao relento, em alquebramento, de passo lento em todo o acontecimento...

(mesmo que somente interno).

Reprise de um filme, déjà vu diversas vezes visto e lido,

A imagem da poesia se resvalando e esvaindo.

Num instante a lenha crepita, já é espantado o frio e a chaleira canta...

Cai-se na realidade, cai-se no dever cumprido: o papel tingido, a ideia exposta.

Agora vê a poesia e seu pulo curto; quase inativa mergulhada em crítica...

(ela não está nem ai)

Descobre sua imortalidade e sua boemia, sua sagacidade de mulher vivida.

(ela sempre bem resolvida)

André Anlub®

11 de setembro de 2020

Os vivos corais do mar morto

 



Os vivos corais do mar morto


A ideia vai e vem à paisana, é assim:

olá, escreva-me, como vai?

Ouço certo do outro lado da muralha

e a imaginação não se esvai

como um surto atípico.

Não me corta feito navalha

nem me beija como o fim.


Reaparecer requer confiança

é aceitar o dom que foi dado de herança

sem nem mesmo querer receber.

Tudo fica mais intenso e brilhante

quando as barreiras caem.

Pode-se ver, ouvir e sentir o além

e quando vem a implacável esperança

ponho-me a escrever cada vez mais.


O azar eu nocauteio

certeiro soco no queixo.

A solução está no fundo do mar

prendo o fôlego e mergulho até lá

mesmo em plena maré cheia.


Pude ver belos corais

que fazem desenhos que completam

os traços nos corpos dos peixes.

O feixe da luz do sol incidente

faz contentes as arraias 

que se entregam.


Enfim, vou repetindo as dicas

que venho recebendo na vida.


Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia

principalmente das farras em família

das ondas que vi o mar oferecer.

As paixões incompletas estressam

surgem, mas não se deixam ver

ficam cobertas com o manto da noite

e somem no mais sutil alvorecer.


André Anlub®


10 de setembro de 2020

excelente quinta




O trem, a vida, outrem


Vi os trens de Norfolk; mas foi num sonho.

Vi um céu igual o dos Simpsons, só que real.

(abre aspas)

Nunca duvidei de minhas capacidades,

Elas que ocasionalmente duvidavam de mim.

Hoje a “dúvida” é minha fiel engrenagem

Minha âncora, minha pólvora, meu estopim.

Hoje há nevasca só quando faço um desenho,

Mas meu empenho é sempre em traçar o amar.

O amanhã sempre em odes que eu mesmo resenho,

Estará lá, porém, também, para o insano em hesitar.

Quimeras de ocasião, canções que devemos aprender,

Seguindo as rodovias que trafegam os segredos,

Eu, você e as artérias e veias que levam nosso viver...

Nunca fomos de brinquedo.

(fecha aspas)

A vida ensina tudo a todos,

Mas a morte é egoísta, 

Não ensina nada a ninguém.

Nem ela, - nem eu, 

Sabemos o que um poeta quer dizer,

Mas a poesia sempre deixa algo no ar...

Ninguém sabe se é real.

Nem o poeta, nem a morte...

Só a vida sabe.


André Anlub®

1 de setembro de 2020

Esfera serena

 



Esfera serena


No papel que pela vida é dado,

Numa novela mexicana frenética;

Em canetas que sangram as tintas

E abraçam as ideias e abrem as janelas.


Há vivas uvas ainda nos cachos

Na esperança de tornarem-se vinho;

No absinto de um achismo moderno:

Eterno feitiço, perene façanha, farto fascínio.


A vivência dos que não veem a violência,

Na indecência do luxo de serem cegas;

Clamam em plumas, rimam e pregam...

Vozes roucas em uma aquarela sem cor.


Há pequenas películas transparentes

Nas paredes de prisões confortáveis;

Há nuvens brancas em céus instáveis,

Anunciando olhos e sonhos fugazes.


Veem-se excelências e suas essências vorazes

Cantarolando alto por todas as partes,

Canções novas de um velho compositor,

Aquele redentor que constrói novos lares. 


Em pífias poses do desconforto do pleito,

Fazem-se modelos de suas próprias fotos;

Criam fatos, criam fetos, creem em feitos...

Dentro do falso globo sereno e perfeito.


André Anlub

29 de agosto de 2020

Sem febre

 



Sem febre


Sem febre, em frente, mas em chamas; 

Ontem era frio e duro como uma pedra de gelo,

Hoje estou quente e flexivelmente recorrente...


É a tal inexplicável cautela absurda ao zelo.


Haviam visões tumultuadas e desfocadas 

De bocas pedindo ajuda em ruas em combustão;

Haviam águas de mágoas imaculadas em nada

Escapavam em assombrações pelas mãos...


Inexistentes mãos.


Mas hoje é, acima de tudo, um dia bom – com nexo;

Se ocorreu um terremoto, não fez qualquer ser vivo perder o foco.


Mas se o que foi ontem foi suspiro de começo de sexo?

Talvez troca de olhares, carícias repetidas e as bem-vindas inéditas;

E névoas e neves e nuvens que meramente vão e vem;


Agora, no momento, tudo se foi no vácuo de um vício eterno...

Esse meu e seu de rir do hoje que amanhã será ontem

E no futuro, eu ou você talvez sejamos: outrem. 


André Anlub

25 de agosto de 2020

Lendas verdadeiras

 

Lendas verdadeiras


Indo esperto, sendo longe, médio ou perto;

Frio tipo espeto, noite longa de outono.

O cheiro é evidente, o barulho estrondoso,

Faca nos dentes e o corpo solto e impetuoso.


Quem foi e voltou feliz, não se esquece...

O melhor dos melhores é somente reflexo;

Quem é saudoso às vezes se aborrece,

Pois imerge fundo no indiscreto sem nexo.


De certo modo torto anda-se reto

Com a mente dormindo e o ideológico ereto.

A vida é louca varrida, empurrando com a barriga,

Os pés num céu encoberto de uma tempestade vadia.


Tudo firme e fato; tudo filme e teatro;

Nada falso e forca; nada Fausto e diabo;

Nas lendárias escrituras – imaginárias rebeldias,

Perde-se o talento de Goethe, se ganha de jeito à poesia. 


André Anlub

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.