27 de setembro de 2021

Excelente semana

 








A performance perturbadora de Marina Abramovic

Via: Iconografia da História


A artista Marina Abramovic é considerada referência mundial em performance. Ela foi uma das difusoras das performances contemporâneas com a participação ativa do público. Tem em seu currículo mais de 50 obras artísticas. Em anos de trabalho, enfrentou muita coisa, mas nada se compara à atividade desenvolvida por ela, em 1974.

Marina alugou uma sala e se colocou como um objeto diante de seu público. Colocou uma mesa ao seu lado e disponibilizou 72 itens, que poderiam ser usados em seu corpo, sem nenhuma restrição. As ordens foram as seguintes:


– “Existem 72 itens na mesa e vocês podem usá-los como quiserem em mim”.     

– Premissa: “Eu sou um objeto. Durante este período, eu assumo toda a responsabilidade pelo que acontecer”.


A performance, com duração de 6 horas, a princípio não apresentou nenhuma anormalidade. Entre os itens disponíveis estavam flores, objetos eróticos, facas e até mesmo uma pistola carregada. Após duas horas, o público observou que a artista não esboçava reação alguma. Foi quando começaram a tirar suas roupas, bater em sua barriga com espinhos, e até mesmo cortá-la ou tocá-la nas partes íntimas. Um homem chegou a passar uma lâmina em seu pescoço. Um dos participantes colocou a arma no rosto e ameaçou puxar o gatilho.

Ao término do evento, a artista deu a seguinte declaração:


“Esse trabalho revela algo terrível sobre a humanidade. Isso mostra o quão rápido uma pessoa pode ferir em circunstâncias favoráveis. Mostra como é fácil desumanizar uma pessoa que não luta, que não se defende. Ele mostra que, se você fornecer o cenário, a maioria das pessoas aparentemente “normais” podem se tornar verdadeiramente violentas”.i


Referências:

BORTOLUZZI, Gilvani José e Biancalana, Gisela Reis. “A arte performática de Marina Abramovic: corpo e dor”. Contemporânea, Santa Maria, UFSM v.1, n.2, e19, 2018, p. 01 – 10…

26 de setembro de 2021

Das Loucuras (transparente como a telha da varanda)



Das Loucuras (transparente como a telha da varanda)


Vendo no espelho o cocuruto reluzente,

Iluminado pelo sol que vem agora,

Através da telha larga e transparente

Vejo que ausente é a telha em minha cachola. 


Sinto-me uma hiena sorridente,

Num mundo louco que só quer que você adoeça...

Não salgue o meu ser – antes que me lembre;

Não adoce meu café – antes que me esqueça.


Pela absolvição dos meus pecados

Sairei em busca do que desconheço por agora.

Deixarei sinal de fumaça e bilhete como recados;

Levarei sal de frutas, kiwi e torta de amora.


Queria algo mais ilustrado na minha alma,

Tipo um misto de Kandinsky e Jackson Pollock.

Por enquanto sou um desbotado preto e branco,

Como a fumaça do cigarro numa aurora.


Sou livro aberto nesse poço cheio d’água

Onde o mundo afogou-se em suas guerras.

Tentei salvá-lo, mas lembrei de não ter guelras...

Chorei mil rios dentro de uma mesma mágoa.


André Anlub®

 



Das Loucuras (Meu compromisso)

 


Vídeos: Babi Thomas e Maria Ribeiro

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Das Loucuras (Meu compromisso)


Me aqueço e esqueço que existiu o frio

Se dias ruins me fecham, tem ela que abre as portas

Nos seus olhos entro em voo e me inebrio

São questões que só exponho porque muito importam.


Admirável é ver o verde e saber que há calafrios

Mas sei que só em sonhos isso acontece.

Se hoje muda e o amanhã se cala, 

Mesmo assado, mesmo assanho, mesmo assim é elogio.


Águas quentes, águas mornas, tudo apetece.


Constroem uma canção que afaga aos ouvidos

Abro a janela, peixe na panela e deixo entrar seu rosto.

Se estou em sono, o sonho há de ser você

Navio ancorado, estando acordado não terá desgosto.


Pego a caneta, tchau à melancolia e sigo sem rimar

Pra te conquistar não preciso ser meloso.

Poema certo em rima torta é barco desgovernado ao mar,

Pois na tormenta dou amor, ser seu amo é meu colosso.


Fecho o dia, rogo votos e abro o coração,

Assim, como se não fosse corriqueiro.

Quero inovar, me doar, quero algo novo...

Trabalho nisso feliz na palma da sua mão.


André Anlub®





25 de setembro de 2021

Das Loucuras (mecanismo de anticitera)

 













Das Loucuras (mecanismo de anticitera)


Busco na essência os amores em qualquer molde

O que pode ser feito é deixar o tempo esculpir.

Resgatando do acaso a aura da vida no tudo pode,

E afrouxando, enfim, o melhor do melhor que há em mim.


Entenda-se que meu “circo dos horrores” é mera distração,

Alucinação sóbria que crio para dar graça ao percurso,

Pois sou um pós-louco, intenso intruso

Que disfarço naquilo que me desfaço e refaço na ocasião:

Chutado na mobilete, comer salmão com o urso,

Linhas escritas, sons de trompete, mão e contramão.


Contudo, no fundo – e nem tão fundo assim –, me intensifico...

Plagio o “dia do fico” e também “digo alô ao inimigo, encontro um abrigo”,

Mas faço tudo com respeito e louvor.


É justo que se viva nessa saia justa, não é mesmo?

E a esmo, tampouco me escondo de mim mesmo

Quando o maior dos objetivos é decifrar-me sem rancor.


Por completo e aos poucos, de um modo e de outro, realizo-me.

E se por acaso faltar aparar as arestas afiadas e caricatas,

Deixo feliz que elas mesmas, numa vida próxima, infernizem-se.


Por fim, na colina, avisto o profeta que tem como meta trazer boa nova...

A mesma de sempre, porém é novidade aos que agora pensam diferente.

A vida segue num ki-suco de uva; a morte uiva, e aos que secam – uma ova! 

Todo esse absurdo na mais perfeita ordem à mente ilimitada e abrangente.


André Anlub®

22 de setembro de 2021

Puro Osso – Qu'est-ce que c'est?

 



Puro Osso – Qu'est-ce que c'est? 


Estou titubeante,

São tantas eufóricas letras voando;

Acho que vou me retirar.

Já sai na mão com minhas ideias – quase sempre nocauteado;

O máximo que abiscoitei foi o empate.


É um inocente empata foda – é poda de poeta com pé de empata.

Estou anacrônico,

Vivendo uma semana em outro tempo...

Já se foram dez rabiscos,

Todos deveriam ter sido feitos há vinte cinco anos.

Vivo essa semana em outro Eu...

(mas com as contas pagas).


Apontaram-me torto o dedo naquela esquina oblíqua,

Não vou comprar briga, mas vi má intenção naquele ato;

Depois uma cochichou algo no orelhão da Oi da outra,

Orelha enorme e vermelha, o brinco parecia um bambolê.

Fez cara feia, tipo: “pisei na bosta, quem quer ver?”.

Estou incólume,

Faz certo charme.


As ruas daqui, do meu bairro, me remetem às épocas dos becos,

Ruelas e travessas do Rio de Janeiro;

A lembrança surge com uma bruma densa e lá no alto o Big Ben;

Não, não... agora viajei longe...

Vi foi o relógio da Estação Central do Brasil.


Vou comer umas frutas com cereal,

E no Carnaval, só no Carnaval...

Chamem-me.


André Anlub®




18 de setembro de 2021

Das Loucuras (na hora que o barco afunda, jacaré vira tronco)










Andrea Motis / Anat Cohen

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Das Loucuras (na hora que o barco afunda, jacaré vira tronco)


Parte I – a descoberta


Nuvens cinzas passaram a mil nesse celeste céu

E o sol afinal mostrou toda sua sexy nudez.

Contornos calorosos que incitam à criação

Fez as mãos darem mais um passo rumo ao pincel.


Fina camada de um lilás bem forte no residir de sua alma

Felina, selvagem, certeira;

Faz em mim lambança, lembrança, loucura.

Águas que molham a timidez dos desertos

E inventam de tudo para purificar o que já é pura. 


As mentiras estão lá,

Em letras embaçadas fora de contexto;

Mesmo sóbrio ninguém nunca será mais o mesmo

Nessa narrativa bem-vinda totalmente no eixo.


Toalhas voam e mãos balançam em desespero

É o enterro do ermo que já se encontra a sete palmos.

Saltos ornamentais para se viver apenas mais um dia

Quem diria, qualquer um pode contar um falso segredo.


Nuvens cinzas estacionaram sobre o ninho...

E num deus nos acuda, o diabo quer que o mundo obedeça.

Rápido, bem rápido, a força se esvai com a falência.

Tentando alcançar a cura que voa num vazio. 


Olhos tremulam numa convulsão astronômica

Abundância de liquido limpo que inunda as artérias

Um ensaio perfeito num antidepressivo harmônico 

Na intensidade absurda enterra-se o roteiro de tragédias


As informações estão ai,

Em letras garrafais dentro da garrafa;

Alucinando o inconsciente

Numa ciência cômoda e bem-vinda.


Nessa lida divina, 

Perfeita trilha,

Na conjuntura “ente safras”,

Definitivamente mergulhado no tempo;

Nessa altura da vida,

Respirando a contento...

Paro e piro,

Pois tudo conspira para que eu me safa.


Saio safo de um crime perfeito,

Num dia preciso e num sonho embriagado...

Dormindo num domingo qualquer,

Numa alameda largado.


André Anlub

14 de setembro de 2021

Das Loucuras (o meu bem por ai, nas esquinas e praias)


Das Loucuras (o meu bem por ai, nas esquinas e praias)


Os amores busco na intenção mais profunda

Em territórios perigosos, porém tentadores

Escapando dos horrores da catacumba

Abraçando a mais profunda filosofia das flores.


Jogo o acaso para o alto, confirmo a fluidez

Tenho a rigidez de um pé de eucalipto.

Ambientes adversos, alarido e mudez

Levando a crer que nunca fez tanto sentido.


O profeta sempre vem com boas novas

Nessa vida vigente, e na próxima sonhada.

Tudo há de se realizar – de um medo ou de outro

Do pavor do ser tranquilo – do que se aprova.

Churrasco rolando no cemitério, mendigo dando risada

Almas criando forma e corpo num Eu absorto.


Dialetos ao contrário, pá de cal...

Um radical conta a história de uma moça ausente

Que queria tudo novo, de novo, nessa vida presente

Todos os dias, agonias, enquanto esperava o arrebol...


O museu reformado e fechado, 

Por que não inaugura novamente?

Ninguém se atura, na sua frente o espelho, ao seu lado...

Agora só há de se contentar com o seu eu incoerente.


Bossa velha, old wave, novo velho,

Bosta rolando pelo escaravelho

Guiado pelas estrelas, pelos cometas que passaram rente...

E nessa altura da mente, nesse ouro e prol,

Tudo é essa coisa que se renova num novo sol.


O amor costura o tempo, unindo o belo e o sombrio,

Num breve acalanto, surge o meu sorriso de vampiro,

Expondo os dentes para toda essa gente que admiro.


A mudança chegou, trazendo móvel velho e nova cama

Tirando-me da lama e colocando-me de gosto no frio.

Assim – chegar chegando –; assado – amou e ama.


Tudo é estalo que se acaba na última linha do fio.


André Anlub®

12 de setembro de 2021

excelente domingo

 



Aqueço as ideias


Pensei que fossem taxar de domínio

Pois com o meu cheiro, marquei o terreno

Mostrei os caninos ao cruel inimigo

Dediquei-me na íntegra a ser feliz ao extremo.


Acho que via cores falsas, mas o real é agora

Daltonismo emotivo mesclado aos tons pérfidos

Seria um gato o que tirei da cartola?

Ano a ano me arrasto por esse quente deserto.


Na psicologia existe o ser ansioso

Mas deveras generoso para um merecedor

Exagero de crenças não evita que salde as contas

A distância é tênue entre o errado e o certo.


Os pés estão frios, a mente inteira

Dispenso a meia, aqueço as ideia.


André Anlub

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.