No dia de Iemanjá, se liga! #respeiteomeioambiente
Veja dicas de como agradar a Rainha sem degradar o mar
Esta segunda-feira, dia 02 de fevereiro, é dia de Iemanjá. Nesta data tão especial, os baianos têm a tradição de levar oferendas coloridas, perfumadas, cheias de flores e presentes para a rainha do mar. Mas quais presentes podem ser oferecidos a Iemanjá e que não contribuam para a degradação do ambiente marinho?
Para ajudar a escolher presentes que não agridam o meio ambiente e saber quais oferendas podem ser evitadas, o biólogo e professor da Universidade Federal de Alagoas, Cláudio Sampaio manda às dicas. “Em um dia festivo, de confraternização, a gente, querendo agradar, acaba agredindo o mar”, afirma Sampaio. Ele ressalta que esta questão deve ser tratada com cuidado, já que estão envolvidas questões antropológicas, sociais, ambientais e que é uma tradição na Bahia.
“O presente é muito importante para manter a tradição viva, mas a gente tem que começar a pensar que os plásticos devem ser evitados”, ressalta o biólogo Cláudio Sampaio. Ou seja, as bonecas, embalagens e outros presentes feitos com este material, ao serem colocados no mar, afetam o meio ambiente. Neste caso, mudanças simples na oferenda podem ajudar a casa da rainha do mar e, ao mesmo tempo, manter a tradição. Se deseja presentear Iemanjá com uma boneca, escolha uma de pano, ou se pretende dar um pente, que seja de madeira, de preferência reflorestada, recomenda Sampaio.
Afinal, segundo o biólogo, os prejuízos que os plásticos trazem são tanto de ordem econômica, como danificar embarcações pesqueiras (no momento que este material se enrola nas hélices, por exemplo) e deixar as praias sujas, feias, espantando o turismo; quanto de ordem ambiental. A ingestão acidental de plástico por animais como tartaruga, peixes, tubarões e golfinhos, por exemplo, resulta na morte de milhares deles, sendo muitas espécies ameaçadas em extinção. Ele explica que os animais que não conseguem vomitar este plástico acabam morrendo por inanição, por ficar com o estômago cheio e permanecer mecanicamente saciado “É uma morte dolorosa, triste”, lamenta.
O perfume representa uma das oferendas mais tradicionais a Iemanjá. Para contribuir com a preservação da casa da rainha do mar, Cláudio Sampaio recomenda perfumar o balaio, ao invés de jogar o frasco, o vidro ou a tampa de plástico. Também deve ser evitado o despejo de perfume e de objetos nas piscinas naturais, presentes na orla de Salvador, aquelas que se formam durante a maré baixa. “Além de serem um ecossistema frágil, as piscinas naturais servem de berçário para peixes, lagostas”, explica o biólogo, que aponta que o impacto também é maior nestes ambientes por ter um volume reduzido de água.
- Flores podem ser a melhor opção
Se tiver dúvida do que presentear Iemanjá, opte por flores ou outros produtos naturais. Esta é a recomendação do biólogo Cláudio Sampaio. Afinal, as flores são um presente 100% natural, orgânico, com preço relativamente baixo. Além disso, “qual é a mulher que não gosta de receber flores?”, brinca. Mas também devemos ter cuidado com os arranjos: fitas e adereços plásticos devem ser evitados, dando preferência por arranjos com fibras naturais, por exemplo.
Sampaio ressalta que o dia 02 de fevereiro é um dia muito especial, porque traz boa parte da população baiana para a praia, não com o objetivo de lazer, mas para agradecer, fazer pedidos e orar. “Mas também pode ser uma oportunidade para chamar atenção para a poluição”, afirma o biólogo.
(Fonte: IBahia)
2 de fevereiro de 2015
Iemanjá (parte II)
De toda a imensidão do planeta
só quero estar nesse mar belo
de Iemanjá, Iracema, Otelo.
Mar de perfeitos sonhos
folclores, tesouros e viços
dos nautas, vikings, corsários
navegadores fenícios.
Mar de amores lendários
imaginários, antigos
concretos, ambíguos
de interminável poesia
que em toda alma habita.
André Anlub
ALGUNS MINICONTOS
- Era você no
telefone?
- Era.
- Por que não
me disse que era, quando eu perguntei?
- Queria ver
se você me reconhecia.
- E agora que
eu reconheci, o que acontece?
- Agora eu
ligo de novo. Mas não agora.
Quando o
cachorro de Asquinando começou a miar, ele não se importou. Mas quando seu gato
começou a latir foi demais pra ele. Vendeu os dois para um circo e comprou um
canário. Até agora o canário não mugiu.
A brincadeira
espirituosa disse algumas coisas para a grosseria que ela não gostou. Respondeu
grosseiramente. A brincadeira espirituosa não disse mais nada. Mas continuou se
divertindo.
- Que nome
tinha aquele personagem incrível?
- Nenhum.
- Isso mesmo,
Nenhum. Incrível, né?
O trabalho de
esquecer estava indo muito além, do que Antinaldo esperava. A cada vez que o
dava por findo, uma fisgada na memória o fazia lembrar que não esquecera. Muito
aborrecido. Então Antinaldo resolveu inverter as coisas. Em vez de esquecer,
exigiu-se lembrar de tudo, nos menores detalhes. Aí ficou mais fácil.
- Minha vida
está muito chata!
- E o que você
quer que eu faça, que eu arredonde ela pra você?
- Você
consegue?
Uma brisa muito
sutil, quase um suspiro da aragem, veio de manso e envolveu a pedra. Se a pedra
tivesse percebido, talvez desse àquilo o nome de carinho. Mas a pedra não
percebeu.
- Ela está te
esperando.
- Eu disse pra
ela não me esperar!
- Eu também
disse. Não adiantou. Ela está te esperando.
- Bem, vai
ficar esperando, então.
- Ela sabe. Só
não sei por que. Você sabe?
Zantinho
colecionava santinhos. Imagens de santos da igreja católica. Zantinho não era
católico. Ou religioso. Também não era um descrente ácido ou agressivo.
Zantinho colecionava santinhos, apenas isso. Sua coleção era tamanha que o
papa, quando visitou o país, fez questão de conhecê-la. E trouxe uma caixa
cheia de novas peças para ele. Das quais ele só não tinha duas.
Zícolo não
suporta Zócolo. Se pudesse, Zícolo arrancava os olhos de Zócolo e dava para os
ratos comerem. Se pudesse, Zícolo arrancava as tripas de Zócolo, esganava Zócolo
com elas e pendurava o corpo dele num poste para os urubus bicarem. Mas de toda
vez que fala em paz e amor, Zícolo sempre fala em paz e amor, fraternidade
entre os homens, harmonia universal. E até fala bem. Mas não lhe venham falar
em Zócolo!
Nênia e Vênio
tinham hora certa para brigar. Todos os dias. Os vizinhos até acertavam os relógios
pela pontualidade das discussões. Certo dia de outubro, alguns estranharam:
- O que está
havendo com eles? Por que não começaram ainda?
- É que eles não
se guiam pelo horário de verão.
ROGÉRIO CAMARGO
Dueto da tarde (LIII)
Dueto da tarde (LIII)
É assim que acontece: noite, luzes da
cidade grande, transeuntes, carros e mendigos sossegam,
Pesadelos abrandados pelo álcool,
angústias que recebem tapinhas nas costas, ânsias que deitam pra dormir.
Corpos insanos ao chão, mas é somente
mais uma noite comum, que a lua observa de camarote e às vezes chora em chuvas
silenciosas.
O passeio dos animais escuros e
abstratos é ruidoso e quente como um visco derretido e a boca da desolação tem
dentes cariados até as gengivas.
Visão degradante sem “adiante”, sem fim;
caça aos elefantes, matança atroz atrás de marfim.
Burro atrás da cenoura, cachorro atrás
do rabo. Correr, correr, depois ter a noite assim à disposição da lassidão;
como viver uma falsa comunhão, uma mentira no espelho; como o apavorado sem
medo que oprime a si mesmo.
A lua, com inveja do sol, que pode
queimar tudo, suspira uns ventos prateados e deixa correr o sangue ruim.
Mesmo sentindo-se cúmplice, cumpre a
missão de só ser, e iluminar nas suas fases as faces dos mortos teimosos a
viver.
Rogério Camargo e André Anlub
(2/2/15)
Dueto da tarde (LII)
Dueto da tarde (LII)
Havia uma palavra mais triste entre as palavras mais alegres, uma sombra bem disfarçada na plena luz do sol, camuflada pela timidez, pelo acanhamento e pela vergonha, de expressão minúscula, se moldava em versos curtos e se escrevia no lado negro da lua.
Leitura difícil: fácil era ler as palavras que saltitavam de excitação, que diziam olha pra mim, olha pra mim!
Olhos banais tendem a caçar leituras comuns, simplistas; olhos atrevidos vão além... buscam teores implícitos, metáforas e alquimias.
São olhos com dedos delicados na ponta dos cílios, são olhos com radares sutis, que viajam de carona nas asas das reticências e capturam vírgulas em outros confins.
Seguem a trilha que a intuição abre na mata densa do encabulamento e chegam a clareiras insuspeitas, vestindo as vestes de livros antigos, bebendo copos de vinho de letras, fazendo do conhecimento alimento que a palavra mais triste, ainda tímida mas já desnuda, berra com todas as forças, mesmo que dentro das mentes, aos quatro, talvez até cinco ventos.
Rogério Camargo e André Anlub
(1/2/15)
1 de fevereiro de 2015
Insanidades
Insanidades
(André Anlub - 19/8/11)
Teria que ter sido pelo menos companheira:
Mesmo não cobrando o amor que ela devia.
Não importa cargas d’água tenha denegado
Diz que viu duendes, vacas voando, unicórnio alado.
Teria que ter sido pelo menos afeição:
Mesmo se nada cobrassem, nem um beijo perspicaz...
Nem se o desejo vem ao acaso ter sido esnobado,
Meu corpo era seu leito, do seu jeito ao seu agrado.
Teria que ter sido pelo menos sincera:
Calada no nosso leito, fechando-se e indo ao sono;
Trancada a sete chaves, deixando-me em abandono,
Parte da realidade pintada como quimera.
Teria que ter sido pelo menos uma verdade:
Sendo personagem da imaginação mais fértil...
Viva no papel, nas idéias, um lindo sonho,
Que me deixa cancro exposto, frágil e medonho.
Teria que ter sido pelo menos qualquer coisa:
E foi muito mais que isso.
La Femme
La Femme
(André Anlub/2009)
Bela mulher
Travessia de prazer
Amor de repente
Ardente
Caliente.
Linda fêmea
Com a pele dourada
Endiabrada
Imponente
Onipresente
Não fica cansada.
Garota fatal
Com jeito imoral
Desapegada
Imensamente humorada
Sexo animal.
Vadia safada
Com emprego na Lapa
Exercitava seus vícios
Vomitando sacrifícios
Puros ossos do ofício
Querendo ser imaculada
Para muitos uma “nada”
No seu mundo de hospício.
É o que quer
Bela mulher
De alma e carnal
Garota fatal
Largada na berlinda
Fêmea linda
Na horizontal.
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
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Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
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