11 de maio de 2015
Dueto da tarde (CL)
Dueto da tarde (CL)
A luz olhou para o diamante e disse: "Vai, Carlos, ser gauche na vida".
Em um tom num dom de um prisma de amores fez-se então a disseminação da branca luz nas constâncias do espectro aos olhos... Produzindo cores.
E daí a luz disse: “Volta, Carlos, de ser gauche na vida”.
Em um som num “bum” de uma batida de tambores à Nick Mason, desfez-se então a transformação: o arco-íris volta a ser feixe luminoso.
Carlos, entre ir e voltar, nunca esquecerá deste acontecimento na vida de suas retinas tão fatigadas.
Criação e criatura – interligadas – como a vida que desenha/colore – embranquece/apaga.
A tela primeiro é nenhuma; e tudo está ali. Depois a tela também é nenhuma; e tudo continua ali.
A respiração é assim: a plena musa música da natureza imprime as cores da natureza que por sua vez inspiram o som que expira em cores.
Carlos pergunta: “E agora, José?” Mas José também se perdeu no que vem depois do diamante.
Empacam por um instante na inconstância da situação: a natureza fez escasso o diamante e abundante a luz; José faz caro o que lhe é raro e Carlos faz barato o que lhe é farto.
Há uma pedra no meio do caminho dos dois. Talvez esta pedra seja o diamante, mas nada se pode ver ainda. Há um homem por trás dos óculos (Carlos, José, qualquer um), mas ele ainda não os abriu.
É noite e a lua se esconde atrás de uma nuvem escura. Põe-se junto à luz que descansa um pouco por mais um dia árduo de trabalho.
Rogério Camargo e André Anlub
(11/5/15)
10 de maio de 2015
Tarde de 10 de maio de 2015
Ariano Suassuna...vc acredita em Deus?Olhem a sua resposta...
Posted by Paulo Leon on Sexta, 24 de abril de 2015
Tarde de 10 de maio de 2015 (como ninho de ovos, doces ou não)
Imerso em um mundo baldio que me faz encarcerado do meu próprio Eu inventivo, com um algema prateada, estilo seriado americano, apertada, enferrujada, tentando me impedir de escrever... Mas isso eu duvido. Não faz sentido ser tido como poeta e ter a poesia nem sequer por um minuto longe do ser. Acho que deve ser o cansaço; quiçá o cagaço de nunca mais escrever. Acho que pode ser o bagaço da laranja que já foi suco, chupada e espremida, a casca virou doce e agora tudo dá às caras e mostra o que sobrou: seus caroços... Quem sabe algo novo está para nascer... Quem sabe tudo isso é um pró-bônus; quem sabe um resquício de um prólogo tentando mostrar que algo melhor estaria porvir. Fico no aguardo e guardo a caneta e o bloquinho... Fico a observar os assíduos pássaros, dançando num indo e vindo, como vento, com suas palhas no bico – e eu aqui colocando uma placa de “manutenção” no meu ninho.
André Anlub
Manhã de 10 de maio de 2015
Manhã de 10 de maio de 2015 (como hippie que dança rap sendo “happy”)
Resolvi pintar, eram duas e vinte da madrugada. Uma água gelada, uma tela média e nua e rumo à varanda. Noite calma de lua escura, céu nublado e gatos passeando pelos telhados. Noite bucólica trazendo pensamentos com cheiros de saudade e maresia; noite minha extremamente minha, céu meu amenamente meu; sossego absoluto e o som baixo e fleuma do breu. Todavia, por toda vida me entreguei ao vasto. Não existia meio termo, ou era branco ou era preto; o cinza não estaria no meio, pois simplesmente não existia. Atualmente adaptei meu ser no colorido do mundo, como um cego que volta a ver. Posso então tirar pássaros e elefantes da cartola, não só coelhos; posso então abrigar a alma, e ter amigos dentro do coração e não somente mergulhados em boemias e copos. Faço uma amizade menos presente mas mais autêntica, sem barganhas e bagulhos, sem armadilhas de egos, vista grossa ou criação de cobras. A vida se expôs e expôs opções nada parcas... Eu abracei-as com veracidade, gratidão e doação... Então assim pude/quis finalmente me conhecer por quase completo... Por mais terrível que pudesse ser.
As marcas das pinceladas rápidas começaram a surtir efeito na tela, eram tons dominantes de azul turquesa (que gosto muito) com gradações mistas de marrom, branco e variantes de azul escuro e verde musgo. Tudo isso só para recriar um mar bravio que estava na tela da mente –, na parte por de trás da testa –, como costumo dizer. Em um pesadelo me vi obsceno de cabelo seco, um hippie dançando rap e sendo “happy”... Acordei e reparei que o sonho era bom – talvez até ótimo – pois nele eu estava feliz, realizado, dançando e festejando; penso eu que quando se está alegre a gente se pega dançando e cantando sem saber o porquê, meio – ou inteiro – “Olhos nos olhos” do Chico.
André Anlub
Dueto da tarde (CXLIX)
Há 415 anos (17 de fevereiro 1600), um frade dominicano chamado Giordano Bruno foi queimado na fogueira por heresia....
Posted by Climatologia Geográfica on Domingo, 10 de maio de 2015
Dueto da tarde (CXLIX)
Vejo-te diante das flores e não sei mais quem é quem. E nem importa.
Mesmo que importasse, não importaria. Mesmo que soubesse, não saberia: há sempre algo além do quem é quem.
Este amor teu me faz menino; me nina, me guia e orienta o meu olhar à tua formosura e para o que há de formoso no mundo.
Vejo as flores diante de ti e não contenho a onda de ternura. Nela surfa meu coração encantado.
Certo que às vezes revivendo o passado crio um presente paralelo, um mundo ainda mais belo caso escolhesse por outro caminho. Seria então um egocêntrico ainda mais feliz.
Tu ris disso, às vezes. E às vezes gargalhas disso. Mas agora não. Agora me olhas como se quisesses adivinhar o que adivinho.
Tu choras comigo, quase sempre, para me fazer companhia. Sei que de nenhuma melancolia é composto teu ser.
Eu também choro comigo. Mas é por não ver o que sei estar lá, contigo e com as flores que são tu o tempo todo em meu jardim de angústias.
Quero viver tempos de dança e de bajulo com a vida, pois tu já és banhista, sambista, alquimista que larga a terra e se embrenha no oceano sem engano e sem economia.
Quero e fico querendo. O que é teu é teu e não posso avançar sobre. Pratico o que me permito praticar: praticamente, o reconhecimento da nossa distância.
Percebo-te como uma bela ilha que fito com os olhos, é fato em meus sonhos, mas, pela distância, impossibilita o meu nado.
Não me afogo porque nem tento. Atento para o impulso e tomo pulso de mim: Sei onde estamos quando quero estar onde não posso estar.
És ilha que amo cercada por tudo que amo – céu e mar; fazes da deselegância da minha total entrega o teu porto aos barcos outros, ao barco meu e a quem desejar.
Se isto não é suficiente, nada mais é suficiente. É quando a insuficiência senta a meu lado para olhar-te diante das flores e ambos vemos.
Rogério Camargo e André Anlub
(10/5/15)
Fulano, Sicrano, Beltrano
Samba Rock com Dendê em uma versão exclusiva pra vocês. Compartilhem à vontade!Ju Moraes - Voz e UkulelêAnderson Teles - CavacoIgor Cerqueira - BaixoDurval Santos - PandeiroMarlon Brazil - Teclados
Posted by Ju Moraes on Quinta, 7 de maio de 2015
Fulano passou quase o baile todo perturbando as meninas... era tal de “não” aqui, “não” acolá; o “não” ecoava pelo salão.
Faltando dez minutos para acabar o festejo ele levanta e brada: Sempre fui um defensor atroz do celibato.
(21/10/14)
Sicrano disse que iria votar num tal deputado que prometeu a ele dez quilos de carne... Colocou o n° do político, tirou a foto para provar seu voto e cancelou. Outro candidato concorrente do primeiro lhe prometeu quatro engradados de cerveja...
Sicrano seguiu o mesmo raciocínio anterior, e assim o fez com mais uma penca de candidatos... Sicrano garantiu seu churrasco de domingo com fartura, e ainda chamou muitos amigos. Ah, e como não gostava de nenhum dos candidatos... no final votou em branco. (5/10/14)
Beltrano vivia dizendo:
- Não publique, guarde suas ideias ou as coloque em efêmeras redes sociais; é besteira publicar, pois seu livro ficará enfeitando estantes e só parentes vão comprá-lo; você vai se decepcionar ao publicar seu livro...
Beltrano pode até não ser um bom escritor, mas entende bem de negócios, pois já estava no seu 8° livro publicado!
(22/9/14)
9 de maio de 2015
Morre no Grande Recife a cantora Selma do Coco, aos 85 anos
"Ela estava internada há 28 dias, por causa de uma fratura no fêmur.
Artista sofreu parada cardíaca e depois falência múltipla de órgãos.
A cantora Selma do Coco, 85 anos, que estava internada desde o dia 11 de abril, morreu neste sábado (09). A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Hospital Miguel Arraes, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Ainda não há informações sobre velório e enterro.
De acordo com nota divulgada pela unidade de saúde, ela morreu depois de ter sofrido "uma parada cardíaca, sendo reanimada, e seguida por falência múltipla de órgãos". A família de Selma do Coco precisará liberar o corpo da cantora no Instituto de Medicina Legal. "Como a paciente deu entrada na unidade de saúde com uma fratura por causas externas, o corpo foi encaminhado para o IML", informa o documento."
Link: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/05/moree-no-grande-recife-cantora-selma-do-coco-aos-85-anos.html
Dueto da tarde (CXLVIII)
Dueto da tarde (CXLVIII)
Era uma lua muito tímida que amava seu sol com paixão fervorosa.
Afeição desastrosa, mas real e recíproca que lembra o filme “O feitiço de Áquila”.
Um não pode, o outro não pode e os dois querem. A lua ama o sol na lua. O sol ama a lua no sol. E o céu assiste.
Daqui de baixo é contemplação, aplausos e uma nova fábula; falar nos dois é corriqueiro, mas como disse o poeta: “quais são as palavras que nunca são ditas?”.
Nunca são ditas as palavras que não cabem nas palavras. O que não é palavra e as luas dizem que não é palavra dizendo que não é palavra.
Dizer muito falando pouco, ou coisa nenhuma... Eis ai um dilema/teorema antigo que bate de frente com o prolixo e enfrenta no braço o banal.
A timidez da lua, o ardor do sol: tudo a dizer calado, tudo calando aos berros. E nos enterros os prantos em sutis silêncios; e nos incêndios as chamas que queimam inquietas.
O céu desce do céu nessas horas e estende as mãos para colher a precariedade. Colhe, aconchega e volta a subir aos céus.
A lua e o sol tomam conta da “casa” enquanto vagalumes de pedra passam com a pressa de sempre.
A lua lava roupa no córrego da súplica; o sol arreia o cavalo no celeiro da inquietude. O céu não se mexe mais: já fez a sua parte.
Na coxia o cochicho dos atores, o cenário inédito e a peça são improvisos; as cortinas da manhã se abrem; vai começar o espetáculo.
Não se sabe quem vai estar presente para aplaudir, criticar, ir embora, voltar para a próxima sessão. Lua, sol e céu também não sabem. Mas é com eles.
Os ingressos foram entregues, mas as portas e janelas ficam abertas; não há reprise – não há cancelamento, e quando alguém não pode mais estar presente é porque já faz parte do elenco.
Rogério Camargo e André Anlub
(9/5/15)
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
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Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
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Ontem tarde esqueci seu nome... Mas hoje cedo me lembrei de que isso não faz/fazia/fará a menor diferença. As melhores opções nem sempre s...

