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20 de maio de 2015

Na raiz do dom



Na raiz do dom 
(André Anlub - 8/6/14)

A lava incandescente esfriou-se 
Deixou seu toque, deixou sua marca...
Na raiz do dom brotou a escultura.
Tornou-se uma espécie de diamante;
Como se habitasse o cerne de um vulcão
Com sua mente até o momento na vadiagem.
A imaginação no foco extremo em reflexão
E é erma a ínfima preocupação,
Pois assim cresce a suntuosa viagem.

Há o segredo escondido nas chamas,
Canção rara, afetuosa e leve,
Letra que derrama em sonho breve
No mistério do império na miragem.
Há o manuscrito de um Deus cintilando aos olhos,
Nas minhas, nas suas e nas leituras de todos.
É o ritmo dos jogos,
Parábolas com flores,
Pássaros pousados em bonecos de neve.

Vem à faísca em inspiração,
Veio o derramamento das tintas
Em mãos poéticas de mentes abertas
Em vozes de alerta.
Foi no ponto final ou nas três letras do “etc.”...
Ainda em algo abreviado de tal ser banal,
Ser errado que jamais o é,
E como transforma (-se)!

Veio novamente em nós,
Fez criação e liquefez na ação
E se tudo der certo em breve retorna.

11 de maio de 2015

Mesmo assim

"Vou mostrando como sou / E vou sendo como posso"Compartilhe se você é MUITO fã de Novos Baianos e não deixe de...
Posted by Canal Brasil on Segunda, 11 de maio de 2015


Mesmo assim           
(André Anlub - 19/1/15)

Agora mesmo a alegria passou por uma rua,
Ela estava nua, estava fula, estava atormentada e vadia.
Olhou em todas as portas, portões, porteiras;
Olhou por cima dos muros e em murmúrios
Resmungou algumas asneiras... eram loucuras, coisas cruas...

Ela abriu janelas e meteu a mão nos cestos de frutas
E nas caixas dos correios...
(pegou algumas contas, cartas de amor, maças, peras).

A alegria soprou uma brisa, apagou algumas velas,
Espalhou a fumaça dos charutos e incêndios;
Atrapalhou as preces, os cantos nos terreiros;
Atrapalhou enterros e desacelerou as pressas.

Agora mesmo senti seu cheiro de mato lavado,
Senti seu ar gélido, fresco, encanado;
E como um refresco me afagou por dentro...
Acalentando meu mundo e meus imundos pulmões.

Vi alegria em multidões, senti suas fragrâncias...
Mas novamente vi a dor;
Senti o odor do suor dilapidado
Pelo horror de intolerância.

Mesmo assim a alegria me deu “bom dia”,
Concomitante que media o tamanho do estrago, 
Tragada e hipnotizada pela hipocrisia
Da constante desarmonia dos cínicos embargos
Nos livres-arbítrios de nossas/fossas vidas.
Mesmo assim a alegria me deu “bom dia”.

Houve um tempo

Eduardo Coutinho sempre será um dos principais documentaristas do Brasil!Em homenagem aos 82 anos que ele completaria...
Posted by Canal Brasil on Segunda, 11 de maio de 2015


Houve um tempo          
(André Anlub - 20/1/15)

Um homem saiu para procuras utópicas
Longe de pessoas estigmatizadas 
Com tatuagens internas do interesse e da cobiça;
Focou os fulanos que não apontam dedos,
Vivem livres de julgamentos,
(amores, famílias, conhecidos – pérfidos);
Vivem presos a coisas próprias,
(autoconhecimento).

Houve um tempo que a vida era quente,
Saborosa, bem passada, ou no ponto, ou al dente.

A vida abraçava o fulano, ofertando beijos,
E nesses beijos o vendava;
Ao invés do breu ele assistia a um filme,
Sentia o vento, saboreava vinho,
Vida com ritmo, alegria entorpecente.

Fulano se conhecia muito bem... 
Defeitos – qualidades
Força – fraqueza.
Foi um homem como muitos outros,
Apenas não desistiu, não entregou o jogo.
Cresceu, mas continuou criança,
Seguiu na andança além dos delinquentes.

Fulano gostava dos paradoxos da vida, 
Das antíteses do ser, do estar, do viver;
Gladiava-se com algumas sombrias sombras
Festejava com algumas brancas brumas.
Houve um tempo e esse tempo se foi.
Há o hoje com pintura, com moldura, 
Com belo verniz e cores vivas.
Tela pendurada na muralha,
Com solidez...
Pois no presente há a arte armada até os dentes.

Não coloco o pé na estrada. Ela vem a mim.

Poesia é meu divisor de águas, carro-chefe da vida, bazófia ao meu cerne, cão de rua de raça e de briga, e cão de casa sem raça sempre “sussa”; não aponta dedos, e sim lápis, saboreia letras e trutas, embriaga-se com versos e viços, cheira pó de aragem e até ar viciado que quer deixar o vício; é norte sem ego e corte cirúrgico cego e assíduo; assobia e bebe cana, fala de boca cheia de ideias, come caviar e arrota fritas e usa roupa de quinta em pleno fim de semana.

- André Anlub


O PÔR DO SOL EM MARTE É AZUL
[Nasa]
"A Nasa acaba de divulgar a primeira foto a cores do pôr do sol em Marte, tirada pelo rover Curiosity.Ao invés das algo opressivas fotos diurnas, com o famoso céu avermelhado, o que aparece é o azul-escuro. Segundo os cientistas, o tom se deve às partículas de poeira na atmosfera filtram as cores em outras partes do espectro, mas deixam o azul passar. Quando o sol está se pondo, a luz precisa fazer um caminho mais longo, e o efeito acaba se tornando mais intenso. De, fato, em Marte, o pôr do sol é exatamente oposto ao da Terra: azul perto do sol, avermelhado em outras parte do céu."

Tarde de 11 de maio de 2015


Tarde de 11 de maio de 2015 (como vida, bebo água, cheiro ar e não arroto caviar)

A vida vai seguindo comboiando-se a todo instante, de passagem e visitante, de quem fica à morte lenta, de quem não sabe a morte longe e de quem vai à morte além. A vida ficou mais frágil? Talvez... Mas nós estamos mais sábios, temos plena consciência de que não estacionamos no tempo, nos comodismos dos dias e/ou nas ilusões dos cenários e cenas. Tudo no devido lugar, e o lugar no devido lugar, e o devido a quem é devido o lugar de estar no lugar. Não vou por o pé na estrada, no momento ela vem até mim; não vou me armar de armadura, minha dureza está na essência; não vou falar em poesia, a poesia é que falará por mim; não me obstruo em êxtases mundanos, pois são imundos e sempre sem fim. Janelas batem com o vento, vaso de planta, vaso de terra, maré cheia, baixa, vazante, têm vazaduras e secas, mentes, vesículas, versículos, esdrúxulos, esguios, sorrisos e lamentos, de joelhos, deitado, em pé. Abrem-se e fecham-se olhos, livros, portas, cabeças e comportas... Pouco importa se quer ou não quer. Nuvens correm e outras não; criam-se filhos, fornalhas, rinhas, falsários, salários, fé. Olham-se o João e o André. O céu ficou mais franco, e o frio, e a fraqueza do resfriado que foi pego na beira do rio, banhando-se em calafrios ou em prantos. Na sua melhor fase tudo assusta: a grama muito mais verde e o céu limpinho como uma folha estendida e passada em azul; as águas frescas e a mente flertando com o melhor que há no momento e no que estará porvir; e tudo assusta. Tudo e tão muito que pode se tornar pouco; tudo começa a fazer sentido e o sentido por si só está fora de controle. Hora de bagunçar. De lambuja a luz do abajur queima, nota-se a lua que trabalha insistente, noite após dia, sem ganhar nada por fora, nem um suborno sequer... Somente a admiração dos que veem, sentem, amam e vivem. Tudo que vier é lucro quando não se aposta alto tendo aposta de sobra. Tudo é paradoxo e até se torna imposto se diante do espelho da alma houver a negação de ser o dono do corpo, o dono das decisões. A vida vai seguindo, de repente até não. O relógio não para, só quando a corda lhe falta. Escrevendo de corpo e alma; de repente só com o mecânico mesmo. A vida vai se ajeitando como as águas das cachoeiras desenhando as marmitas. Leva tempo, mas há precisão. 

André Anlub

10 de maio de 2015

Feliz Dia das Mães


Tarde de 10 de maio de 2015

Ariano Suassuna...vc acredita em Deus?Olhem a sua resposta...
Posted by Paulo Leon on Sexta, 24 de abril de 2015


Tarde de 10 de maio de 2015 (como ninho de ovos, doces ou não)

Imerso em um mundo baldio que me faz encarcerado do meu próprio Eu inventivo, com um algema prateada, estilo seriado americano, apertada, enferrujada, tentando me impedir de escrever... Mas isso eu duvido. Não faz sentido ser tido como poeta e ter a poesia nem sequer por um minuto longe do ser. Acho que deve ser o cansaço; quiçá o cagaço de nunca mais escrever. Acho que pode ser o bagaço da laranja que já foi suco, chupada e espremida, a casca virou doce e agora tudo dá às caras e mostra o que sobrou: seus caroços... Quem sabe algo novo está para nascer... Quem sabe tudo isso é um pró-bônus; quem sabe um resquício de um prólogo tentando mostrar que algo melhor estaria porvir. Fico no aguardo e guardo a caneta e o bloquinho... Fico a observar os assíduos pássaros, dançando num indo e vindo, como vento, com suas palhas no bico – e eu aqui colocando uma placa de “manutenção” no meu ninho.

André Anlub

Manhã de 10 de maio de 2015



Manhã de 10 de maio de 2015 (como hippie que dança rap sendo “happy”)

Resolvi pintar, eram duas e vinte da madrugada. Uma água gelada, uma tela média e nua e rumo à varanda. Noite calma de lua escura, céu nublado e gatos passeando pelos telhados. Noite bucólica trazendo pensamentos com cheiros de saudade e maresia; noite minha extremamente minha, céu meu amenamente meu; sossego absoluto e o som baixo e fleuma do breu. Todavia, por toda vida me entreguei ao vasto. Não existia meio termo, ou era branco ou era preto; o cinza não estaria no meio, pois simplesmente não existia. Atualmente adaptei meu ser no colorido do mundo, como um cego que volta a ver. Posso então tirar pássaros e elefantes da cartola, não só coelhos; posso então abrigar a alma, e ter amigos dentro do coração e não somente mergulhados em boemias e copos. Faço uma amizade menos presente mas mais autêntica, sem barganhas e bagulhos, sem armadilhas de egos, vista grossa ou criação de cobras. A vida se expôs e expôs opções nada parcas... Eu abracei-as com veracidade, gratidão e doação... Então assim pude/quis finalmente me conhecer por quase completo... Por mais terrível que pudesse ser. 
As marcas das pinceladas rápidas começaram a surtir efeito na tela, eram tons dominantes de azul turquesa (que gosto muito) com gradações mistas de marrom, branco e variantes de azul escuro e verde musgo. Tudo isso só para recriar um mar bravio que estava na tela da mente –, na parte por de trás da testa –, como costumo dizer. Em um pesadelo me vi obsceno de cabelo seco, um hippie dançando rap e sendo “happy”... Acordei e reparei que o sonho era bom – talvez até ótimo – pois nele eu estava feliz, realizado, dançando e festejando; penso eu que quando se está alegre a gente se pega dançando e cantando sem saber o porquê, meio – ou inteiro –  “Olhos nos olhos” do Chico.

André Anlub

Fulano, Sicrano, Beltrano

Samba Rock com Dendê em uma versão exclusiva pra vocês. Compartilhem à vontade!Ju Moraes - Voz e UkulelêAnderson Teles - CavacoIgor Cerqueira - BaixoDurval Santos - PandeiroMarlon Brazil - Teclados
Posted by Ju Moraes on Quinta, 7 de maio de 2015


Fulano passou quase o baile todo perturbando as meninas... era tal de “não” aqui, “não” acolá; o “não” ecoava pelo salão.
Faltando dez minutos para acabar o festejo ele levanta e brada: Sempre fui um defensor atroz do celibato.
(21/10/14)

Sicrano disse que iria votar num tal deputado que prometeu a ele dez quilos de carne... Colocou o n° do político, tirou a foto para provar seu voto e cancelou. Outro candidato concorrente do primeiro lhe prometeu quatro engradados de cerveja...
Sicrano seguiu o mesmo raciocínio anterior, e assim o fez com mais uma penca de candidatos... Sicrano garantiu seu churrasco de domingo com fartura, e ainda chamou muitos amigos. Ah, e como não gostava de nenhum dos candidatos... no final votou em branco. (5/10/14)

Beltrano vivia dizendo:
- Não publique, guarde suas ideias ou as coloque em efêmeras redes sociais; é besteira publicar, pois seu livro ficará enfeitando estantes e só parentes vão comprá-lo; você vai se decepcionar ao publicar seu livro... 
Beltrano pode até não ser um bom escritor, mas entende bem de negócios, pois já estava no seu 8° livro publicado! 
(22/9/14)

9 de maio de 2015

Morre no Grande Recife a cantora Selma do Coco, aos 85 anos



"Ela estava internada há 28 dias, por causa de uma fratura no fêmur.
Artista sofreu parada cardíaca e depois falência múltipla de órgãos.
A cantora Selma do Coco, 85 anos, que estava internada desde o dia 11 de abril, morreu neste sábado (09). A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Hospital Miguel Arraes, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Ainda não há informações sobre velório e enterro.

De acordo com nota divulgada pela unidade de saúde, ela morreu depois de ter sofrido "uma parada cardíaca, sendo reanimada, e seguida por falência múltipla de órgãos". A família de Selma do Coco precisará liberar o corpo da cantora no Instituto de Medicina Legal. "Como a paciente deu entrada na unidade de saúde com uma fratura por causas externas, o corpo foi encaminhado para o IML", informa o documento." 

Link: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/05/moree-no-grande-recife-cantora-selma-do-coco-aos-85-anos.html

Lucíola Alencar

Daniel Csobot é um incrível cineasta e fotógrafo que conseguiu capturar essas lindas imagens mostrando a completa germinação de sementes. É um verdadeiro show da natureza! Seu trabalho foi, basicamente, tirar milhares de fotos, dia após dia, e juntá-las, formando o impressionante vídeo. Confira mais sobre seu trabalho no site www.danic.me
Posted by JornalCiencia on Sábado, 19 de julho de 2014


Lucíola Alencar         
(André Anlub - 6/10/14)

Em tempos idos:
Lucíola teve passado penoso,
De dia a dia rigoroso, aqui e acolá em diversos puteiros.
Sua mãe analfabeta e agricultora e seu pai pedreiro;
Faltava dinheiro, comida, estudo, faltava quase tudo...
Até que, de repente, o “tudo” veio:

Em tempos meios:
(tomei a liberdade de não rimar nessa parte)
A gravidez de trigêmeos caiu como tempestade,
Aquela louca vontade de ser mãe 
– aquela sóbria visão de que precisava ser algo mais;
Largou a labuta de prostituta e entregou-se aos livros...
Venceu empecilhos, derrubou preconceitos.

Em tempos de hoje:
Mulher guerreira, mãe solteira, ex-meretriz,
Sessenta anos e três filhos criados:
Uma médica, um famoso escritor e um advogado.
Lucíola Alencar é dona de casa
E de uma rendosa barraca na feira,
Agora com “eira” e com “beira”
É também dona do próprio nariz.

Adoro sentir o orvalho e a chuva do final da tarde,
Namoro a lua em alarde com cheiro de pão de alho.
Sei que no abissal, onde habitam a alma e a verve,
Só se banha e se ferve quem comete o mergulho imoral.

8 de maio de 2015

Ponderações “nas internas II”

Sensacional♫ Por: Orquestra Sinfônica Brasileira.
Posted by Cifras on Terça, 5 de maio de 2015


Ponderações “nas internas II”

Ah, esses namorados, são apaixonados interessantes; seus corações, seus romances (amor compromissado).
Fazem loucuras sem limites, paixões ardentes sem juízo, só aceitam improvisos, não aceitam palpites.
Ah, esses amantes, é sem vergonha essa entrega; dizem que dá náuseas, dizem que dá raiva e quase sempre causa inveja.

“Medo de ser feliz” isso não é verossímil, não existe o invencível; se a tristeza persiste, me persegue e não desiste: eu ponho meu dedo em riste, pois se é preciso temer algo, tenho medo é de ser triste.

A perspectiva de um admirável amor faz bater o peito num ritmo frenético... é diurético no sangue que corre ligeiro, feito um vírus bom, que se espalha e entorpece.

O amor é assim: chega e me cerca, aperta e acerta o que já seria certo no cerne.

Meus versos são libertos, não há musa, nem mordaça, nem há um alvo que se faça. Às vezes eles voam e são de quem os pega, são de quem os abraça.

Sobre o amor?
- Sim, eu conheço, sei bem dessa fábula; sei qual o seu curso, bons e maus imprevistos; falam de alguns vícios, falam de absurdos, mas não provaram na língua o que dizem amargas.

7 de maio de 2015

Isadora de madeira

EPICALLY TERRIBLE BEAUTY! / Chile’s Cabulco volcano April 23, 2015EPICALLY TERRIBLE BEAUTY! Chile’s Cabulco volcano April 23, 2015#Cabulco #Chile #volcano
Posted by DJ MISS FTV on Sábado, 2 de maio de 2015


Isadora de madeira
(André Anlub - 28/5/12)

Desabrochando a vida na beleza do lírio
No quintal, ao pé do pé de tâmara.
Começa o dia com o vento ligeiro,
Brisa fria que lhe acaricia a face.

No enlace do tempo há inúmeras lembranças
Nos seus olhos que refletem as altas montanhas.
O coração ainda segue quente de amor,
Mãos calejadas e talentosas,
Esculpem,
Em madeira nobre,
O rosto de Isadora.

Amor perdido na foice do vento que passou:
Foi há tempos,
Foi doença.
Na madeira e nos sonhos ele a tem de volta...
São noites longas,
Noites quentes e belas;
Vozes e camas,
Portas e janelas,
Sussurros e gemidos...
Tudo esfria no frio que lhe acorda.

Jamais sorriu tão grandemente,
Esconde seus jovens brancos dentes,
Bem próximo aos amarelados caninos.
Na saudade de extintas vertentes,
De doces carinhos e fragores,
No mesmo medo e calafrio

Da próxima noite não haver sonho.

Tarde de 7 de maio de 2015



Tarde de 7de maio de 2015 

Hei de entender o ser humano; mas vou deixar novamente para o outro outono, senão acabo por desistir. Um tímido e velho amigo encontrou-me no meu bar preferido, apertou-me a mão e bebeu lentamente o seu forte drink. Saiu deixando uma untuosa gorjeta; pagou com uma nota de dez e não quis troco... De repente devia dinheiro por lá.
Fiquei eu cá, tomando minha cerveja e pensando: a consciência limpa é o melhor elixir. 

A torneira gotejava sua goteira de sempre sobre pratos sujos e talheres tortos de cabo de plástico colorido, rachado ou com marca de queimado. Assim era o “pé sujo” (mas limpo) bar do Gilberto. É, esse mesmo, “o meu preferido”. Houve época que eu batia meu ponto por lá toda semana. Comia meu espetinho das dezenove horas, às vezes camarões médios – às vezes linguiças de frango e porco –, eu adorava aquele ambiente sereno, de canto de rua, de canto de pássaro, de silêncio de música e poucas palavras. Havia mesmo era muito barulho dos caminhões que por lá perto passavam... Mas não era nada demais. Gilberto não é muito de trocar ideias, é repetitivo nas perguntas e curto em respostas, mas é um excelente ouvinte, ótima pessoa, muito honesto; sujeito agradável, extremamente simples e muito rico. Dono de duas enormes chácaras e uma camionete importada que usa para carregar seus suprimentos e engradados de bebidas. Mas eu não soube de sua riqueza pela ostentação dele, tampouco saiu na revista de fofoca, jornais ou afins. Soube em uma roda de viola (o amigo que deixou escapar nem imaginava que eu o conhecia)... Com o tempo e o aumento de nossa amizade fiquei sabendo da própria boca dele – mas nada, absolutamente nada, mudou –, até a vodca barata e terrível que ele vende continua a mesma... (e eu sempre levo de casa a minha vodca importada). Hei de entender o ser humano; mas os que são simples e amigos se fazem por entender até sem querer. 

Fim de tarde de 7 de maio de 2015 

Tara, manias e projeções... Um bando rebelde de pássaros perdidos. Eis o fato fictício de um inexplicável improviso: fez valer a música desafinada com a voz quase nada dentro da canção escolhida errada... Mas na boa companhia. Abro a boemia com som de interrogação. Abro a mão e leio a linha da vida, sem contramão. Trago, mas não trago o que me viciou e vicia para bem perto de mim, bem ao meu alcance, quase uma extensão da ponta dos dedos. Mas não abuso – sequer uso. Cresce no quintal a bela árvore que enfeita a melancolia de dias obtusos e noites à revelia. Cheira no quintal o cheiro de mato verde ao cair da tarde e da chuva fina. Pinta no quintal os viveiros naturais dos amigos com asas, parentes próximos da minta fértil mente. Não há mais nada de tão belo e tão próximo a mim do que meu simples sorriso ao vê-los. Admirar nada me cobra, nada me custa, mas faço questão de pagar aumentando minha estadia nesse mundo ocioso, mas belo. Lavo o corpo e vou-me ao encontro do gracioso momento de reflexão – hora de meditar – de me editar – de me deleitar. Abro o frasco do remédio da mente: a própria. Deixo entrar bons fluídos e sólidos, pensamentos harmônicos e harpas invisíveis e inaudíveis... Harpas simbólicas como belas pombas brancas desengonçadas que passam ao natural ao normal e no trivial: defecando – bicando e engolindo formigas. Há uma rebeldia singular que avança como uma nau em mar bravio; desbancando ondas gigantes, ondas de choque e ondas de frio; enfrentando tempestades terríveis e níveis baixíssimos de cinismos; encarando chuvas de canivetes suíços e até paraguaios; enfrentando preconceitos e incertezas, raios de todos os calibres, cores e prestezas, rei, realeza e seus servos, soldados, lacaios, plebeus e tiranos... Tudo de pior, mais ou menos e melhor que caiba nesse parágrafo prófugo e insano. 
Tara, manias e projeções... Como viver sem? Já falei sobre minha queda ao Budismo?

André Anlub

Outros ares



Se há uma extrema exceção – um em milhões, por exemplo –, é aquela história: “achar uma agulha no palheiro”.  Não há utopia nisto, é só tascar fogo na palha.

Vou degustar outros ares,
Novos mantras e músicas,
Devorar os segredos
E digerir o dom.

Vou esculpir o vão
E redesenhar velhos mares,
Fazer da vida um folguedo
Num real sonho bom.

Vejo o ser montanha russa,
Dando tapa na fuça da depressão.

Vejo a beleza em rubores de fúcsia,
Sendo cor ou sendo flor,
Sempre adoração.

André Anlub

24 de abril de 2015

Politicagem



Politicagem 2010 (do livro “Poeteideser”)
(Música originalmente escrita em 2004)

Se liga que vou te contar agora
Como acontece essa triste história:
O lado mais pobre um trabalho árduo
E o outro lado representa a escória.

Uns morrem de fome numa fila,
Outros compram porcelana;
Uns se perdem da família,
Outros brigam por herança.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente/está sem dente/está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá...
Até onde essa zona vai parar.

Pra tudo ele tem resposta
Sempre uma proposta
Sem jeito, indecorosa.

Sobe em um palanque:
- um terno, uma gravata,
Com um sorriso
Preparando a mamata.

Estende as mãos
Estende os braços
Desfaz-se em pedaços
Tudo vai resolver.
O mundo ficar quadrado
O inferno, congelado
É só ele prometer.

Já sabem de quem eu falo?
Mas é melhor, eu me calo
Se não, vão me prender.
Vou indo sem rumo sem graça
Andando por toda praça
Até desaparecer.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente/está sem dente/está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá.
Até onde essa zona vai parar.

Num pais que reina a violência,
O governo uma indecência;
Discursos sem coerência
Sem jeito nem vontade de mudar.
Vai chegando à época
Aparece a solução
Para fome, os buracos, o transito...
É eleição!

- Aumento de salário, 
- Acabar com as filas
- Escolas para as crianças...
É ilusão para as famílias.

Invadem os rádios, os postes e a tv,
Depois o sujo (o porco) é você.
Enganam o povo, falam mentira,
Estão loucos pra mudar lá pra Brasília.

Mas essa história não termina aqui,
Sem um emprego virando faquir.
Faça uma greve, vá para as ruas,
Saia da lama... A escolha é sua.

E assim levamos a vida,
Abrindo e fechando a ferida,
Lutando pra isso acabar...
Durmo assustado também,
Rezando esperando alguém,
Pra tudo melhorar, amém. 

23 de abril de 2015

Dia Mundial do Livro

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Despedida (I – XII) - Salve São Jorge


“Em breve” e “logo mais” não são “pra já!” 

VII
Enquanto o sol beija meu corpo
Na fria manhã dessa quarta,
A folhinha com os dias marcados,
Parece caçoar da minha cara.

Veio tranquilidade, mas logo a má notícia;
Veio no dia à perícia, para dar certeza ao estrago.
Mas ponho forte o cordão, São Jorge pendurado,
E faço o branco pendão, a paz em imaginário reinado.

X
O Natal bate à porta,
Entorta e revive as letras já tortas e mortas;
O novo dia chega chegando,
Breve e erudito, compromissado compromisso
De haver algo novo e harmonia.

Beijo meu anel de São Jorge,
Ato falho, desnecessário...
Pois na fé sempre me agarro!
Coloco as chinelas que trouxe
De couro velho e sola de pneu de carro;
Coloco o pijama bem leve, 

E para o frio de Itaipava me preparo.

Despedida (I – XII) (Crato/Itaipava)

De tudo que foi vulto, agora é muito o que é céu, e é seu, e é meu, que me cerca e cega – num todo! Caço tumulto, e acho, porém não gosto mas finjo que gosto e me enrosco (chega a ser tosco). Vejo verdade e abraço; vejo regaço, trago no laço; procuro calmaria: amizade de João; desenho de Maria (um dia foi fosco) – num nada! De tudo que foi concreto, continua sendo, continua a sede da procura; achando miragem viu-se correto, beijou o insano, do assanho foi/é primário – aquele dia foi pouco – qualquer dia é pouco; vejo o que vejo, já basta; vejo o que resta do festejo; preparo asas para a travessia, e já que não podia, acabei não sendo (foi até muito) – nu tolo! Dia cheio, dia quente, dia rente, muita gente na frieza em Paris (qu'est-ce que c'est?), fanatismo, “marquetismo”, dedo em riste; bala, vala – boletim, infeliz. É cá e lá; é diz que não diz, é borogodó balangadã, é melhor inquietar o tantan. Aqui de repente à esperança, trem bala do tempo, o sol belo na varanda, cedro puro e o verniz. 
O coração faz cálculos no abracadabra das horas; lubrifiquei minhas dobras, ensopei minhas válvulas; beijos soltos na terra, céu e mar, afogando bem no fundo as intolerâncias; sou aquela ave que foge da gaiola e por dentro sai cantarolando Wild Horses dos Stones, mas pelo bico sai o canto mesmo; é aquele animal em extinção, que anda na lenha, no lema, na linha; aquele “ex-tição” que ganha lume; é tal que tem tal de compaixão e com paixão põe à mesa e na sobremesa assopra as quarenta e quatro velinhas. Somos um só, somos complementos: 
imaginação e momento, arco, flecha e arqueiro; temos um amigo: o mundo; temos o reduto: a escrita; o vagabundo passa ser somente vago, e o hábito de conhecer a si mesmo é corriqueiro. O mundo canta ao toque da bateria, entra o ritmo em arritmia, então levanto e danço: “Mercy” de Dave Mathews; os pés se agitam e a mão trabalha no bloquinho: tinta, frase, crase, pinta – é a perturbadora calmaria, você quer que ria, talvez chore; quer que implore, obrigue: algo seja feito (mesmo de fininho). “Prefiro Toddy ao tédio”; é punk, só que (infelizmente) não; é a tal perseguição do silêncio (stalker), que vem, silencia – vai, silencia; lá ao longe: avião. 
O mundo se cala ao toque do botão, fones de ouvido descansam: caneta freneticamente eletrizada, o papel é namorado, e a amante é “inspiração”: caneta é “bi”, é tri, é tetra, é triatleta; ligo “Mercy” de novo (misericórdia), Dave é unanimidade. “Bucolicozidade” – O sol parou de lascar o beijo quente no asfalto, fim de tarde, mais um dia; ônibus passa, crianças voltam a brincar de bola, roupas voam em varais e levam o cheiro do café e pão frescos; pessoas passam com sacolas e o bucólico torna-se culminante; viajo no espaço por um instante, meu corpo suado – estafado – planeado quase que atravessa o país; o cheiro da minha casa penetra o nariz: fina flor que invento para a comodidade. As pernas hoje pediram longa rua, queriam andar, ver novos caminhos; sons se repetem, horas ecoam sozinhas, o tempo estaciona e me açoita nas nádegas; meus olhos buscam novos rostos, tristes ou alegres, mas novos. Amanhã tomarei coragem e irei à luta, sair novamente, quero rua. A perpendicularidade do raciocínio chega a desafiar a gravidade; nem sei a gravidade desse desafio, prefiro distrair minhas ideias, escrever; amanhã é outro dia, nova sexta-feira, e o tempo vai ter que mexer e me mexer. Foi dada a pausa no ponteiro dos segundos, é aquela noção de congelamento; senti-me voando num céu de brigadeiro, vendo formigas da cidade grande. 
O alerta foi dado ao público, nisso, nessa, nossa, “bola”; o amor pode estar parco, e não é desesperança, é realidade. Então façamos assim: mais afeto/abancar coragem, engraxar engrenagens, largar a flecha e o arco, pegar os rumos, pegar os remos e flores e abarcar e embarcar nos amores: “de quebra”, no majestoso barco. Tiraram a pausa do ponteiro, acabaram com o imbróglio, vou por meus pés na estrada. (a vida é curta quando é corte; a vida é longa quando é logo). Sábado de sol, de sola de sapato sendo gasta pelos amigos que passam e se vão, ao longo da rua. Sábado de poesia; acordei escrevendo, depois li um pouco; agora escrevo novamente; voltando algumas horas no tempo: essa noite fez um frio de inverno, acordei na madrugada em posição fetal e com uma estalactite no nariz. “Eta ferro”, me meti no frio da Serra; frio que me serra os ossos e quase gela meu sangue. Foi por um triz. Voltando ao tempo atual: almoço pronto, deixo meu “boa tarde” ao moço que passa (mais solas gastas); barulho de maquita cortando algo completa o som que ouço aqui: qual música? hoje deixarei à imaginação de quem lê. Indo adiante no tempo: em casa com os cães, meu salmão pronto, o mesmo som de agora, sol queimando a cachola, e ao tédio meu afronto. Preciso só imaginar e já sinto o cheiro de café, aquele fresco – novo – aquele meu; misturando-se ao perfume L’occitan que estou usando; vejo o céu limpo, ouço os cães distantes e os cães aqui também latem. Preciso só 

imaginar e já sinto o beijo... Ah, o som é Joni Mitchell, do disco Blue. Subiu a colina íngreme, audaz cabrito montês, fez seu filme na bravura, desenhou nas pedras a astúcia, onde passou com os seus fortes cascos. Penso na vida assim: às vezes desafios sem nexo que buscamos por aventura, por comodidades, por boemias; às vezes desafios concisos, extremamente necessários. A cena se fez diante dos meus olhos, talvez na importância da minha história; o homem atrás de sua glória, fugindo dos terrenos fiascos. 
Um mortal louco subiu a montanha mais alta; talvez para outros olhos seja pouco, talvez para outros poucos sejam olhos; A cena se desfez em um instante com o toque do telefone; agora a questão já é outra, pintar de rosa o elefante. Desceu a montanha mais alta, a imaginação passageira; de dia a luz não faz falta, de noite trouxe à luz a parteira. A vida é assim: de repente a batucada do Olodum; de repete um “pam” e tchau. Foi nesse pensamento antigo que começou a abraçar excessos, nessa sensação de trem expresso que já vai chegar, já está chegando. Usava como sombras a boemia, nostalgia e a arruaça. Ontem ele era um pouco doido, hoje continua sendo, apenas segue fazendo um pouco menos de alvoroço. Foi cachorro louco, daqueles que despontam nas esquinas, com alma de menino e pensamento torto. Hoje ele é mais ponderado, muito mais “na dele”; hoje segue na trilha de trem Maria Fumaça, sentindo na alma e na pele o que deixou no passado. A vida é assim: de repente acaba o repente, acaba o velho e o novo, acaba a sobra e acaba o ouro. É nesse estouro que se vai um corpo: casca de ovo no galinheiro de um Deus. Cobiçando a luz do sol que passou pela porta e me deu um sorriso. Fui correr atrás, fui ao encontro do calor; desci pela rua feito a bola da pelada de domingo. E a chuva?  também amo, clamo e quero; gosto da água batendo no corpo e no rosto; gosto do gosto, do cheiro e do aspecto. Vai deixar lembrança; vai deixar vontade de voltar, curto o zelo; assim quem sabe eu volto em outro tempo (há esperança), no lamento em saudade, no aumento das panças e cair dos cabelos. Pego novamente a espada (sempre fui eclético), sempre tive sorte; esqueço minha lança, deixo-a na estrada, mas só por empréstimo, deixo com São Jorge. (corpo e café – torrados e moídos) Hoje me sinto dentro da melodia “Rio quarenta graus”; mas quarenta só se for na sombra. A aura parece que quer deixar a carcaça e se perder na atmosfera; o sossego berra, a quietude é onipresente, mas “péra”... ouço o tilintar dos dentes, como se fossem lâminas de aço, saboreio a pera e o sumo resseca meus lábios. 
Meu lema para sair da lama é sorvete de lima-limão e um chá verde gelado. Estão bebendo cafés quando esfriam, vi gente saindo pela rua, pelado. Agora a aura quer ficar no corpo, um bom banho gelado; ao alto as audaciosas asas de Ícaro, há tempos derretidas, agora aparecem em nuvens, desenhadas; vejo o futuro, não vejo sempre muito boa coisa; há decepção, sempre há; há ressurreição, tem que haver; há de aparecer alguma ligeira solução nas poesias sinceras despontadas. Sai da melodia, penetrei no sigilo, já são bem mais de meio dia; entrei entre as almofadas e sorri para a nostalgia. 
Quando busca a inovação encontra o aconchego, não tem medo, e o mergulho é de cabeça; na sinceridade da devoção pelas letras, na fé na escrita, na aflição esquecida, morta, afogada na tinta, mergulha... e de cabeça. Solve a arte, respira até pirar, come a arte, sente, brinca, briga e se esbalda; balde de água fria, quando ele quer que seja; balde de água quente, quando ele quer que ferva. Na construção das linhas, ele sonha... é um gigante em solo de gigantes (é um ser igual). Nada é pequeno ou menos, mas ele é gigantesco; nada é estranho no pensamento sereno (a mente é sã). Criou algo mais do que o passo à frente, excedeu-se, ousou – usou e abusou; chegou a ser inconsequente... até achou que passou rente do perfeito (foi bem feito), pois assim tentará mais e mais, e irá tentar sempre; e aquele gigante, aquele ser igual? foi para terras inóspitas e foi jogar novas sementes, agarrar novidades e desbravar castos campos. 
E aquele cozinheiro? (sonhou e se levou) cozinhou pratos raros e fabricou azeites, adornou a mesa com belos enfeites, chamou parentes, chamou amigos, encarou os indigestos... assim tornou-se quase um guerreiro, escritor, amigo, artista, rico e mendigo, cozinheiro de banquetes, ritos e festas... tornou-se gente e verdadeiro. 

- André Anlub

Assumo (ou não) o assanho



Assumo (ou não) o assanho

Rasga-me neste tempo mesmo, este tempo teu; mostre tua alegria de ter-me todo.
Não, não é carência: é desenvoltura – é ser escravo da tua cultura, por querer ser feliz e ama(n)do.
Pegue teu chicote; minhas nádegas esperam para queimar, pois o coração já queima.
Abra minhas asas que há tempos escondo, encolho e ficaram no encalho... 
Faça-me voar só para ti – ao teu encalço – ao teu malho.

Assanho, assumo e ascendo e nada mais pode faz-me mal;
Assino embaixo para o assassino que me assente e encare a morte de frente.
Quero me ver envelhecer em frente a um grande e azul Mar de sal,
Não vou mais me envenenar em frente ao grande e turvo Mar de gente.

Sim, sim é solidão  muito além do “solidinho” e até mesmo do sólido.
Há muito material aqui: fiz armadura, fiz escudo, fiz espada, fiz garfos e facas, pontes e estradas e ainda sobrou para um imaginável e cômodo futuro.
Sim, sim é amor; e até algo além mais, além-nuvem e céu, além eu e além-vida... É algo além-morte.

Interrupção para expor meu sonho da noite passada: 
Algo estranho atípico: eu fazia parte de um grupo de amigos íntimos, pessoas que na vida “aqui fora” jamais vi. Éramos belos, mas mal arrumados, íamos descalços por ruas de pedras, estreitas, rindo alto e lendo manuscritos escritos com letras em diversas cores que decoravam as mãos. As outras pessoas que passavam em volta, olhavam, acenavam e riam com um olhar de “até logo”. Havia uma mulata, em particular, magra, com um lindo sorriso muito branco, traços simpáticos e andava sempre ao meu lado e de seios à mostra; aquilo era natural, não incomodava a ninguém. No sonho eu sempre prestava mais atenção nela e a distinguia das outras pessoas por ser minha amiga preferida, confidente e extremamente íntima.

De volta à realidade: penso agora nas palavras de alguns amigos: certa mutação – vamos mudar – devemos mudar! A meu ver tal alteração em determinada sociedade deve-se que principiar unicamente nos próprios umbigos; caso contrário é plantar limão e esperar laranja.

Rasga-me novamente, desta vez sem fim; enfim, a fim de querer-me sempre como estou e sou para o mundo: como capim que nasce em todos os cantos e se adapta ao terreno.
Largue teu chicote, não irá mais precisar dele. 
Quero entregar-me por inteiro como metade fictícia, como cura da ferida e da tolice que é possível ser sozinho.

Não mais assanho, não assumo, tampouco ascendo; sou só eu mesmo que já estou satisfeito de chegar aonde cheguei! 
Mas continuo com nada podendo faz-me mal.

André Anlub
(23/4/15)

Mesmo assim

Pipe DreamThis is pretty damn amazing
Posted by Krafty Kuts on Domingo, 19 de outubro de 2014


Mesmo assim 
(André Anlub - 19/1/15)

Agora mesmo a alegria passou por uma rua,
Ela estava nua, estava fula, estava atormentada e vadia.
Olhou em todas as portas, portões, porteiras;
Olhou por cima dos muros e em murmúrios
Resmungou algumas asneiras... eram loucuras, coisas cruas...

Ela abriu janelas e meteu a mão nos cestos de frutas
E nas caixas dos correios...
(pegou algumas contas, cartas de amor, maças, peras).

A alegria soprou uma brisa, apagou algumas velas,
Espalhou a fumaça dos charutos e incêndios;
Atrapalhou as preces, os cantos nos terreiros;
Atrapalhou enterros e desacelerou as pressas.

Agora mesmo senti seu cheiro de mato lavado,
Senti seu ar gélido, fresco, encanado;
E como um refresco me afagou por dentro...
Acalentando meu mundo e meus imundos pulmões.

Vi alegria em multidões, senti suas fragrâncias...
Mas novamente vi a dor;
Senti o odor do suor dilapidado
Pelo horror de intolerância.

Mesmo assim a alegria me deu “bom dia”,
Concomitante que media o tamanho do estrago,
Tragada e hipnotizada pela hipocrisia
Da constante desarmonia dos cínicos embargos
Nos livres-arbítrios de nossas/fossas vidas.
Mesmo assim a alegria me deu “bom dia”.

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.