23 de maio de 2015

A vela acesa e a chama apagada

Mike Stewart bodysurfing Point Panics Spring 2015MSVipers in action at PanicsClip by Chris Kinkade
Posted by MSViper on Sábado, 23 de maio de 2015


A vela acesa e a chama apagada
Madrugada de 22 de maio de 2015

Noite sabotadora. Bocas falantes que nada dizem atrás de um vidro falso que em breve o apagarei. Espadas reluzentes e sombras de guerreiros antigos duelam ao não sei o que, briga por não sei quem. Deve a tal da esperança. Abomináveis os serem que caçoam da simplicidade dos outros, dando-lhes alcunhas fúteis e pejorativas, com pitadas de um deboche piegas de quinta para uma noite escura e fria de quinta. Talvez eu seja herdeiro do dom de poetar; muitos já disseram isso. Mas esse não é problema; o problema é eu não me importar com títulos. Ainda engatinhando, confesso, mas já aprendi o mais importante nesse caminho: humildade. Não somos melhores que ninguém e não pretendemos ser; se caso fossemos não assumiríamos tampouco abraçaríamos a arrogância que nos tenta. Palavras voam e somem; homens ficam (ou nem sempre); amigos ficam (ou nem sempre); parceiros ficam (ou nem sempre)... mas o caso é que as palavras sempre se vão... E o que pode valer mais do que quem está ao seu lado como fiel escudeiro, como amigo verdadeiro, quem é dos males o coveiro e o leitor fiel e assíduo de seus rabiscos? Nem mais uma palavra.
Segure minha mão e sinta minha pulsação, fortíssima. Ao seu lado suo, tremo, sinto-me como quem vai adoecer, sinto medo e coragem, paradoxo em combate dentro do meu Eu. Quero sua ajuda, seu cafuné – seu café – tudo seu. Deite-se comigo esta noite, me esquente e me aguente o tempo que for. Farei o mesmo a você. Hoje e sempre. Nosso leito está arrumado com lençóis de seda pura, travesseiros de penas de ganso e uma pequena luz fraca na cabeceira. Tudo mentira! Bem, a luz não... Cobertas de pelos de leopardo esquentam muito. A lareira está acessa e caso queira aumento o fogo (sem trocadilhos). As velas estão acessas e chamas balançam tortas com o vento frio que entra pela fresta da porta. Minha cabeça entorta e meus olhos saltam assustados com a imagem que vejo. O imaculado.
Onde está você? Não o corpo de carne e osso, mas sim a sua alma que com a minha fervilhava ao som do silêncio.

André Anlub

Época ótima

Quando a bola caia de baixo do carro kkkkkk NO futebol de rua kkkkkkkkkkkk
Posted by Tô Rindo Pra Não Chorar on Sexta, 22 de maio de 2015


O que mais a infância deixou-me de saudade
Foi a maneira inventiva de lidar com a vida;
Quando acabava o prazer de comer iogurte
Começava o deleite de falar ao “telefone”.

André Anlub é nascido em Belém do Pará em 1971. Com menos de 1 ano de idade viajou em um Fusca 69 com sua mãe, sua avó e seu avô para o Rio de Janeiro, onde se criou nas praias, subindo em árvores, escalando montanhas e jogando muita bola. Cresceu na praça Edmundo Bittencourt (Bairro Peixoto), fez inúmeras amizades sólidas, teve contato com diversos artistas, shapers de pranchas de surf e artes de rua... Descobriu o mundo! Considera-se um "rabisqueiro" do mundo, um homem que voa, “poète maudit” e eterno aprendiz.

Dueto da tarde (CLXI)



Dueto da tarde (CLXI)

Há voos nas coisas boas que duram pouco, e há o pouso nas ruins que duram muito.
Asas abertas podem ser apenas a súplica de um céu que fugiu.
Visão rasa para o que pode acabar bem, e olhos de Lince para o adverso do mundo.
Há pássaros que preferem caminhar. E outros que não mereceriam ser pássaros. Enquanto isso os ares esperam.
Homens caminham em círculos buscando respostas para perguntas mesquinhas enquanto outros acham respostas para futuras questões.
Primeiro as respostas, depois as questões. Responder ou não responder, eis a questão. Nenhum príncipe shakespeareano responde.
O sinal ficou verde e o tempo está bom; os braços abertos aos abraços e a candura e ternura dão as mãos.
Há voos para além do sinal aberto. Para aquém do sinal aberto, há ânsias.
Asas fechadas podem indicar descanso de quem muito as usa.
Olhos fechados podem indicar o sonho do voo, o voo no sonho, estar ali e não estar.
Agora homens caminham em linhas retas, com água, alimento, disposição; homens caminham em estradas asfaltadas, sozinhos ou não. Mas seria esta a direção correta?
O que sabe a direção correta da direção correta? Ter certeza é não ter certeza. Ninguém vai sabendo para o que não sabe.
De um lado as perguntas mesquinhas, do outro as respostas para o futuro hipotético; de um lado o esperto e sua vidinha, do outro o ignorante tentando olhar por debaixo da saia dos anjos.
Mais do mesmo é sempre mais do mesmo. Se há pássaros que não voam, o chão aceita. O chão é feito de aceitar.
O chão, o voo e o céu não são falhos e sabem esperar. O céu entende que por mais alto que se voe no fim ninguém pode alcançá-lo.
O infinito não cabe na palma da mão. Na palma da mão há um infinito de angústias. Mas o sinal ficou verde...

Rogério Camargo e André Anlub
(23/5/15) 

Escrevinhador de inteira tigela



Escrevinhador de inteira tigela
(André Anlub - 18/4/13)

Não me observo mais em ingênuos instantes
Só quando as toalhas molhadas estão em cima da cama;
Onde está o meu sonho de morar numa praia distante?
- Perdeu-se ao preocupar-me com uns pedaços de panos.
Quero parar de procurar meus escritos perdidos
E meus livros rasurados que foram jogados à toa.
Deixei a paleta sem tinta e o meu colorir sem aquarela,
Deixei vazia a panela; não, não fui pescar na lagoa.
Disfarço e não vejo meus textos sem nexo,
Nem os sonetos sem rima de um sentimentalismo perplexo.
O meu ser já perdeu a transparência intacta,
Sendo um homem de lata sem coração nem reflexo.
Enfim, quiçá eu seja insano escrevinhador,
Que às vezes conduz a dor, deixando o amor conservado.
Mas naquilo com esmero é um deslumbrado sincero,
Que tem quentura e frieza no escrever que me presto.

22 de maio de 2015

Seda pura na pele

Dia do Abraço


Seda pura na pele

O corpo foi na onda, forte e firme em direção ao sossego;
O medo caminhava longe, descalço e bêbado.
O abraço (prévia do beijo) fez-se ao relento:
Onde mais poderia ser?

O trabalho, mais que merecido, aparecido, beirava um milagre;
Amizades afiadas, a moeda separada para o possível troco do pão.
Suadas mãos... na toada do tempo que diz ainda haver o intento,
Nesse movimento e em todos, para toda criação.

Tintas aquecidas: fervem, borbulham, tremulam, brilham...
Tantas esquecidas, agora ressuscitam.
Por trás dos pesadelos estão as musas
Com seus corpos tatuados de desejo e despudor.

São cordeiras com seus contornos que deslumbram,
Preparando os retratos dos fetiches do sonhador.
E posam quase nuas, apenas a peça de seda pura de paixão.

- André Anlub

Pepe Mujica completa 80 anos hoje.


Prefácio do meu livro Fulano da Silva:

"André Anlub é autor de poesias contemporâneas que abordam assuntos variados. Suas mensagens sobre fatos do cotidiano
são muito interessantes do ponto de vista sociopolítico, principalmente porque Anlub possui a visão singular de um verdadeiro 
artista. É um homem do povo, que por onde passa conquista pessoas com seu jeito espontâneo e simples de encarar a vida,
um verdadeiro bon vivant. Membro da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande - RJ, André possui uma escrita direta 
e acessível para todas pessoas. Suas frases estão presentes em vários livros como Poeteideser, de autoria própria, além de
Café com Verso I e II, Bar do Escritor, Controversos, Antologia I, Antologia versos de Outono e Antologia Versos de Verão, 
nos quais ele faz sua parceria com outros grandes nomes da literatura. 
Na adolescência este autor começara escrevendo jornais de bairro de autoria própria, o mais famoso Banche e que se tornou febre entre 
os leitores do Bairro Peixoto-Copacabana (RJ), onde ele fixou residência por mais de 20 anos de sua vida. Aos 30 anos mudou-se para a 
serra fluminense onde descobriu seu talento para a poesia e conquistou o Brasil através do seu blog Poeteideser. Há cinco anos reside na cidade do Crato-CE escrevendo livros fantásticos e compartilhando a vida com sua mulher e cães, e ha pouco recebeu a honra de ter um poema recitado num dos aclamados festivais de Genebra.
Pessoa incrível, tenho muito orgulho de ser irmão deste mestre das artes, pintor de grande talento, desenhista, escultor e agora se mostra um perfeito poeta. Recomendo a leitura de suas obras, principalmente aquelas carregadas de opinião política e críticas
a governos ausentes, pois são muito estimulantes e proporcionam uma agradável experiência literária. 
Boa leitura."

Felipe Freitas
Irmão, músico e professor.

Anjo sedento

É de arrepiar! Sério!
Posted by Brasil Post on Sexta, 22 de maio de 2015


Anjo sedento      
(André Anlub - 15/04/13)

Sedento cupido chegou, e nas costas carrega mágicas Flechas de ardor: - arco de osso de brontossauro, corda de tripa de Triceraptor, flechas feitas de costelas de homens que Semeavam amor.

São lançadas aos desígnios,
Voam ultrapassando cometas, 
Seguem as luzes das estrelas
E aos corações as carícias;

Fartas águas brotam límpidas em nascentes de rios;
Abriga, na paixão periga amparo, advindo da alquimia,
Já para – alvejado o amor.

Saciado, o cupido se engasga nas gargalhadas;
Deleita-se na verdade da entrega alheia... e em seguida lamenta (aos prantos) devora-se, grita, ajuíza e tonteia.

Inflama seu próximo armamento, derrama seu secreto tormento; de punho bem cerrado,
O arco e a flecha tomados na mão... 
Aponta para o próprio peito.

Dueto da tarde (CLX)



Dueto da tarde (CLX)

Muito lentamente, como convém ao esquecimento, as coisas foram se acomodando.
Um abraço, uma conversa e um afago – esvaeciam a cada manhã acordada.
Éramos muitos e deveríamos ser nenhum naquela lembrança ruim.
Em algum lugar o Querubim canta forte a última estrofe da música que nunca quis ter fim.
Então o coração trabalha para trabalhar menos, esforça-se para se esforçar menos. 
Abre-se em duas mil pequenas estradas para assim correr melhor o fluxo dos sentimentos.
Muito lentamente, como se a velocidade não existisse, a seiva do não estar mais ocupa os espaços deixados pelo que sempre esteve.
A grama cresce aos poucos e árvores dão seus frutos. É como a água do rio que segue em direção ao mar, e evapora e torna-se chuva e torna-se rio e novamente segue indo, indo, indo...
Talvez deságue no mar da Liberdade. Talvez faça foz no oceano do Alívio. Por enquanto é isto. Amanhã é amanhã.
Na mão a nostalgia já se faz papel, enquanto na mente está soldada como soldado na guarita blindada do seu quartel.
Vigilância tensa. Também ela precisa passar com as águas, precisa lavar-se das mágoas, precisa passar a régua.
Não é filtrar o que se pensa, é pensar no que se filtra; pois coisa nenhuma vale a pena se a balança pesar plena a um lado ou outro.
Muito lentamente também o peso das coisas pesadas pensadas tem lugar na canoa. E no boa tarde que o sol da tarde morrendo deseja a todos.
E muito, muito lentamente, como convém às lembranças, algumas coisas se vão da memória, enquanto outras tatuam-se no inesquecível.

Rogério Camargo e André Anlub
(22/5/15) 

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.