19 de dezembro de 2015

Na casualidade dos caminhos tortos

  
Na casualidade dos caminhos tortos
(André Anlub - 13/7/13)

Parece sinóptico tal gesto simples,
Esse teu, que brilha num todo.
Precata, de jeito torto,
Serem delicadas quaisquer escolhas.

Aberto o enorme fosso,
Que aos brados chama aflito.
Equidistante é carne e osso,
Pequena fenda que flerta,
Num zunido.

Vejo estática tua íris,
Por compreenderes tamanha epístola.
Voas, feito águia,
Tão majestosa tal qual a vida.

Há brilho demais no inconformismo,
Sufoca e cega.
Há equilíbrio e imagem,
E na miragem não há cegueira.

E qual atitude seria mais certa,
Senão entregar-te ao próprio destino?
Vai-te logo, fizeste o prólogo,
Sigo-te, em linha reta...
Feito menino.
ROESIAS

A pétala que a brisa beija
com o cuidado
de quem sustenta o mundo.

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A vida que descobre a vida
num olhar que descobre a vida
num olhar.

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A par seria
se a par ficasse
em vez de apartado.

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A marcha do progresso
como um batalhão
indo à guerra que já perdeu.

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O trabalho de não ter trabalho
sai ao sol
querendo ser o sol.

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Quase domingo.
Ainda terça-feira,
mas quase domingo.

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O lirismo viajante
por um roteiro
que já ter viajado inspira.

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O de dois
é de um
e de nenhum
nos dois.

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O mar que não tenho
é o mar que sempre terei
em ondas.

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A minha casa lá longe
e tão aqui perto
a minha casa em mim.


(Rogério Camargo) 

18 de dezembro de 2015

ROESIAS

A brisa da tua mão em meu rosto
e meu rosto sabendo da tua brisa
na brasa dele.

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Um sol
para que mar converse com a luz
e a luz converse com a pedra
que o mar conversa.

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Pode que você não acredite.
Mas eu preciso que você acredite?

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Forte como a esperança.
Não.
Forte como a certeza.
Não.
Forte como a força.

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Um dia de frente
para um dia de frente.
E os demais de menos.

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O texto muito estranho
que não ter escrito
escreveu.

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À beira do rio
e à beira do céu
que o rio reflete.

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Levarei meus excessos
até onde a beleza permitir
que leve meus excessos.

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O meu amor esperando
que o meu amor esperando
não seja apenas esperar.

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Todas as cores da árvore
que são apenas céu
para a árvore e só.


(Rogério Camargo) 

17 de dezembro de 2015

APROVEITAR ENQUANTO ESTÁ BOM

Há muito anos já eu uso o mote “vamos aproveitar enquanto está bom, porque vai ficar pior”. Digo isso geralmente quando alguém se queixa de uma situação ruim. Nunca ela é tão ruim quanto pode ficar mais adiante. E tudo indica que logo ali, mais adiante, ela vai ficar bem mais do que muito ruim. No cenário mundial a gente tem dois elementos cruciais: a ecologia torpedeada e os radicais muçulmanos. São duas energias que marcham firme para um objetivo comum: a destruição. O que sobrar das explosões terroristas vai ser consumido pela poluição. A morte do Rio Doce, no Brasil, é o atestado de que já podemos nos candidatar a sócios do clube. Não acredito numa ação vigorosa do IE em nosso país, mas, como tudo é possível, isso também é possível. O cenário interno estará conturbado mesmo é pela radicalização política. Seja qual for o resultado desta palhaçada que chamam de Impeachment – uma das coisas mais irresponsáveis que já se fez, depois da eleição de Collor –  o lado perdedor não vai deixar barato. Enquanto isso, a estrutura, frágil como é, vai cedendo nas bases. Uma mistura de inconsequência, alienação, oportunismo e cobiça está fazendo na política brasileira o que a lama tóxica fez no rio que mataram. Mas... vamos aproveitar enquanto está bom, porque vai ficar pior.

ROGÉRIO CAMARGO  
ROESIAS

Procurando
o sol no cinza que o sol deixou
que brincasse um pouco.

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Trago-te um sorriso cansado
mas aprendendo
a descansar.

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Todas as árvores
e mais algumas
que ainda não viram
minha floresta.

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Vou te falar de expectativa
e vais me falar também,
mas não será a mesma coisa.

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Nenhuma distância
maior do que estar longe
logo ali.

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Não sou menor que meu tamanho.
Mesmo que sejas gigantesco
diante de mim.

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Deixo-te a carta que jamais escreverei
junto com todas que te deixo sempre.

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O azul da tua noite,
o azul profundamente azul
da tua noite só tua.

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Um pássaro junto ao pássaro.
Os dois dizendo que não.
Os dois dizendo que sim.
E o céu também.

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A amiga longe
e o coração sabendo
que longe é logo depois de logo ali.




(Rogério Camargo) 

Ótima quinta


 Atravesse os mais tortuosos logradouros
Cobice as respostas e não os louros
Vire o mundo do avesso, como num desenho
Enfrente mandinga e sol quente, com muito empenho
Seja pigmento sólido ou pó solúvel
Transmita o que vive e pensa, em ínfimo espaço
No papel deixe sua vida e assine embaixo.

16 de dezembro de 2015

SEM RAZÃO PARA EUFORIA


Terminou a conferência em Paris organizada para que se tomasse alguma atitude em relação ao aquecimento global. Sinto muito, mas não consigo entrar no clima de euforia que tomou conta de algumas declarações. O Secretário Geral da ONU foi às lágrimas com a emoção do momento. O Ministro francês encarregado de encarregar-se dos encargos também. Deve ser gente que chora fácil. Ocorre que, mesmo admitindo o perigo, os cacicões estabeleceram a meta de 1,5 graus no máximo de aumento na temperatura quando o limite para catástrofes ocorrerem nos países insulares é 2 graus.  Outra coisa: as providências devem começar a partir de 2020 e deixou-se brecha para que comecem  mesmo em 2030. Mais cinco anos (ou quinze) de produção industrial frenética desenfreada vão fazer muita diferença: para pior. Se as resoluções do Grande Encontro apontassem para medidas radicais imediatas já seria de desconfiar. Porque uma coisa é querer. Outra é poder. E quando o Poder não quer, podemos todos tirar o cavalo da chuva, porque ela vai ser ácida.

Rogério Camargo 
ROESIAS

Juntei uma estrela do chão
e o chão veio junto,
porque ela não vivia sem ele.

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Um sorriso de domingo
numa terça-feira qualquer
que não é uma qualquer terça-feira.

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O que eu puder te dizer que estou vendo
e o outro lado,
quando também puder.

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Quando as águas se encontram em cruz
e seguem adiante,
mesmo em cruz.

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As águas se encontraram em cruz.
De longe ninguém via.
De perto também não.

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O meu caminho de areia e água
para a imensidão
do meu caminho de sol.

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Tudo que há
 na vontade de tudo
e mais o que voa. 

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Vou te falar de destino
apenas quando não mais
me contares chegadas.

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Quando a luz brinca
de ter o que sempre teve,
mas está do outro lado.

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Ainda será muitas vezes
o que nenhuma vez
consegue ser a primeira.


(Rogério Camargo) 

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.