13 de janeiro de 2021

uma carta (de 2010)

 











Uma Carta (2010)


Olhem a carta que ela escreveu para mim:

Termino aqui nossa relação

Abra a geladeira que irá ver que comi todo o pudim

Dei para os pombos todo o pão

Joguei óleo queimado no seu jardim


Pintei com esmalte todos os seus quadros

Rasguei as fotos das suas ex

Pintei de rosa seus armários

Você nem reparou, já faz um mês


Apaguei seus contatos de e-mail

E todas as músicas do mp3

Eu quero mesmo criar devaneios

Faria tudo isso outra vez


Coloquei roupa de bailarina no seu Pitbull

O Saddam ficou uma gracinha

Pode me mandar tomar cajú

Porque ainda desfilei com ele na nossa pracinha


Joguei no seu carro o resto do saco de polvilho

Fiz um bigode na foto da sua mãe

Xinguei o operador do pay per view

Já não vai poder ver o brasileirão.


To be continued.......

10 de janeiro de 2021

Anjo sedento

 



Anjo sedento


Sedento cupido chegou

e nas costas carrega

mágicas flechas de ardor.


Arco de osso de brontossauro

corda de tripa de triceraptor

flechas feitas de costelas

de homens que semeavam amor.


São lançadas aos desígnios

voam ultrapassando cometas

seguem as luzes das estrelas

e aos corações as carícias.


Fartas águas brotam límpidas

em nascentes de rios.


Abriga, na paixão periga

amparo, advindo da alquimia

já para, alvejado o amor.


Saciado, o cupido se engasga nas gargalhadas.

Deleita-se na verdade da entrega alheia

em seguida lamenta, aos prantos, devora-se

grita, ajuíza e tonteia.


Inflama seu próximo armamento

derrama seu secreto tormento

de punho bem cerrado

o arco e a flecha tomados na mão

aponta para o próprio peito.


André Anlub®

Despedida VII

 



Despedida VII


Ele sonha que invadiram o lugar comum

E experimentaram a presença do sossego;

Os olhos de todos voltaram a ver

O simples toque de desapegar do supérfluo.


Sonhos são sempre sinceros,

Basta aos loucos laicos entendê-los.

Metendo os bedelhos em sonhos alheios,

Tentando decifrá-los, desfragmentá-los...

Mas obedecendo, com esmero.


Ele já é um sonhador,

Sonha sempre em sons de sinos.

Hoje só sonha acordado – eis alguns marasmos... 

Os pesadelos...

São suas sinas.


Assassinas vozes entram em acordo 

E acordam em acordes...

Acordam os doentes,

Geralmente nos sonhos bons,

Agora sons estridentes...

Irreconhecíveis tons, cantoria, idioma:

Variam conforme os dias,

Variam conforme o Valium,

Voltamos ao “Frontal com Fanta”.


Despedida VIII


Sábado de sol,

De sola de sapato sendo gasta

Pelos amigos que passam e se vão

Ao longo da rua.


Sábado de poesia, de escrita;

Acordei escrevendo, depois li um pouco...

Agora escrevo novamente.


Voltando algumas horas no tempo:


Essa noite fez um frio de inverno,

Acordei na madrugada em posição fetal

E com uma estalactite no nariz.

“Eta ferro”, me meti no frio da Serra;

Frio que me serra os ossos,

E quase, mas quase, gela meu sangue...

Foi por um triz.


Voltando ao tempo atual:


Almoço pronto,

Deixo meu “boa tarde”

Ao moço que passa

(mais solas sendo gastas).

Barulho de maquita cortando algo,

Complementa o som que ouço aqui...

Qual música?

Hoje deixarei à imaginação de quem lê.


Indo adiante no tempo:


Em casa com os cães,

Meu peixe pronto,

O mesmo som de agora,

Sol queimando a cachola,

Ao tédio meu afronto.


Preciso só imaginar e já sinto o cheiro de café,

Aquele fresco – novo – aquele meu;

Misturando-se ao perfume L’occitan que estou usando.

Vejo o céu limpo, ouço os cães distantes

E os cães aqui também latem.

Preciso só imaginar e já sinto o beijo...


Ah,

O som é Joni Mitchell,

Do disco Blue.


André Anlub®

9 de janeiro de 2021

Excelente sábado a todos

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 Acordei acessível...

Com novos aforismos

Ansiando ouvir tua voz.

Acordei querendo...

Ser o ser mais admirável para ti

Te amar com maior tenacidade

Experimentar tua sensualidade.

Acordei famélico...

Querendo me entregar

Querendo te possuir.


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A tempestade não me assusta,

E nem deveria!

Já tive dias terríveis de sol.

Se algo me causa temor,

É perder a inspiração e alegria,

Quando o sol toca e aquece meu rosto,

Ou a água cai do céu no meu corpo.


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Abril em festa?

Pela fresta

infesta o olhar da inveja.

Com a porta semiaberta

ela observa

não há mais breja

não há igreja

queimou-se a floresta

abril banal.


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Água mole em pedra dura

Fora a lógica

O que procura?


André Anlub®

8 de janeiro de 2021

Não discutimos David Bowie, nós o expressamos. Ele ampliou o comum de nossa cultura. Com um gesto, uma vocalização ... 

~ Patrick Amine


Câmera David Bowie por Ellen Von Unwerth, 2003


David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, (Brixton, Londres, 8 de janeiro de 1947 — Manhattan, Nova Iorque, 10 de janeiro de 2016) foi um cantor, compositor, ator e produtor musical britânico. Por vezes referido como "Camaleão do Rock" pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tem sido uma importante figura na música popular há cinco décadas e é considerado um dos músicos populares mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 1970 e 1980, além de ser distinguido por um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.


Embora desde cedo tenha realizado o álbum David Bowie e diversas canções, Bowie só chamou a atenção do público em 1969, quando a canção "Space Oddity" alcançou o quinto lugar no UK Singles Chart. Após um período de três anos de experimentação, que incluem a realização de dois significativos e influentes álbuns, The Man Who Sold the World (1970) e Hunky Dory (1971), ele retorna em 1972 durante a era glam rock com um alter ego extravagante e andrógino chamado Ziggy Stardust, sustentado pelo sucesso de "Starman" e do aclamado álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Seu impacto na época foi um dos maiores cultos já criados na cultura popular.[1] Em 1973, o disco Aladdin Sane levou Ziggy aos EUA. A vida curta da persona revelaria apenas uma das muitas facetas de uma carreira marcada pela reinvenção contínua, pela inovação musical e pela apresentação visual.

David Bowie completaria 74 anos HOJE; Relembre 10 de suas melhores músicas! AQUI



Das Loucuras (aquele dia em que os queixos caem)

 




Das Loucuras  (aquele dia em que os queixos caem)


Quando o verão chegou como o exército vermelho,

Finalmente todos olharam além do horizonte

A raiz mais forte, o sorriso de orelha a orelha 

Sua imaginação mais perspicaz e companheira.


Nos folclores e belas flores, avivadas e balsâmicas

Aos seus olhos brotavam num balé ritmado

E ao monte subiu com sua faca, sua figa, seu cajado

E digo mais: não esqueceu suas fidedignas e sagaz pujanças.


Serão construídos mistérios – na alma nua;

Sim, puro mistério... nesse hemisfério e no outro.

Produzirão consciências – endireitando o torto;

Sim, zen consciência... na casa do vizinho e na sua.


Quando o inverno chegou como um ovo num freezer no máximo,

Foi-se a percepção mesquinha de honra e glória;

Veio, como sempre, a sensação tremula da melancolia em desgaste

Aquele resquício do empate que transmuta em vitória.


O susto foi imenso – e imerso nele mesmo –, sorriu.

Recebeu a salutar notícia de que sua sobrevida reagiu.

Novamente o colorido chegou aos olhos d esperança

E num vai e vem da alma, num frenesi da poesia,

Juntou desconexas palavras e interagiu. 


Se a vida é louca, vadia, atrapalhada 

Absolutamente imponível de se desvendar e entender,

Por que então, qual o motivo, por cargas d’agua, 

Ele haveria de se resolver?


André Anlub®

(8/1/21)





6 de janeiro de 2021

Das Loucuras (tout n’est que rêve)

 



Das Loucuras (tout n’est que rêve)


As tintas correram de mim, ou fui eu que corri

De qualquer forma assumo o dolo que faz aclarar-me 

Entre obstáculos que transpus, ajeitei, despachei e vivi

Ainda há uma vitória que não escreveram nada no epítome.


É farofa com feijão;

É camarão com leite de coco.

Quando ouço a pergunta: E então?

Repondo de pronto: tá menos osso!


Há o otimismo vadio diante do dito pulsante popular

Que dobra a esquina, depois desentorta e a põe reta.

Como uma seta que acerta a ceita e “deita” o pseudoprofeta...

Expondo o ponto correto do direito da alma de ir a qualquer lugar.


Aonde está o bonde? Opa, errei! Aonde está o alvo? 

Dessa vez realmente não sei...

Com a distância das teclas/canetas/pincéis,

Faço branco os meus papéis;

Moldo o sonho com o que busquei.


“Farinha aumenta o pouco,

Engrossa o fino,

Esfria o quente

E enche a barriga da gente”.


Numa apocalíptica realidade (do misto de dor e amor),

Os passos ainda estão vívidos...

Ainda mais fortes – é verdade,

Porque troquei isso por aquilo (de muito mais valor).


Não foi pré-aviso, pré-programado, persuadido, 

Criança prematura, pré-eclâmpsia, pré-resolvido.


Tudo é premeditado

Quando vem de um imediato vazio;

Os cacos se catequizaram

E se reuniram numa fé repentina...


Sacou o poço seco a gosto;

Lamentou a secura da tinta.

Palmas ao passo inundado proposto,

Comemorando o drible e a finta. 


Agora quebrou a entressafra,

E me safo nessa safadeza...

Há tempo para ser o que tiver que ser,

Do trompete à caneta.


André Anlub®

(6/1/2021)

No círculo de fogo com deleite ao jogo

 




No círculo de fogo com deleite ao jogo


Já não era cedo e se foi; o vento levou sem demora.

Coagula o sangue no corte e na constatação do momento.

O coração pulsa forte; ainda mais depois de um forte

Café grande expresso com grãos moídos na hora.


A tarde chega com o cheiro da resistência do Eu oprimido;

A escrita tremida já fixa terreno; a inspiração já brada o alento.

Sabemos que por algum tempo vem o silêncio.


Pinta a sombra selvagem dos dois meses que calham;

Abstinência devassa, cutucando a pele, falando aos ouvidos.

Em um largo estalo – do ato falho –, o mais perto torna-se longe;

No meu “encaro”, o hábito não faz o monge.


Por enquanto é resistência de resiliência do que foi,

Com elixires, pílulas mágicas, leituras, coisas práticas...

Mas nenhuma cobiça que saísse da preguiça e fosse apropriada.


Do último combate vejo-me totalmente reconstruído,

Sigo no intuitivo, pois a “kryptonita” mais uma vez fracassou.

Conto e canto as horas, mas imploro ânimo e astúcia ao além;

No mais é mergulho, é mendigo obtendo abrigo, eu e meus vinténs. 


André Anlub

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.