Dueto da tarde (LXXII)



Dueto da tarde (LXXII)

Sinto-me um nostálgico doente, no estágio de euforia; quero alforria desse sádico e mágico passado insistente.
De alegria também se morre, se ela é um porre que não passa, escassa chance de entender seu destino.
De tristeza também se vive, se ela é inebriante e desce redonda, fica difícil se livrar/esquivar desse acre vício.
Sinto-me um doente nostálgico, dos que não admitem a doença mas não existem, não resistem sem o remédio.
Alguns dizem se tratar de tédio, de caçar chifre em cabeça de cavalo e fugir da briga; acusam-me de ter perdido o faro para as coisas novas e de emoldurar de forma desastrosa as antigas.
Não sei. Tudo pode, nada deve. Não concordo nem discordo. Não descarto nem assumo. Deveria? Não sei.
Analiso-me e me sinto bem; olho para trás quando quero e para frente sempre, não dou bobeira e não tropeço nas possíveis pedras e nas terríveis pernas que são peritas em rasteiras.
A nostalgia não impede a vida. A vida não impede a nostalgia. Nada impede nada. Por isso vou em frente, enfrentando a mim e ao mais. 
O presente sempre é um presente com o laço a se tirar; a escultura do futuro é a forma que se apraz, se espelhando no erro que passou; o acaso um caso sério a se estudar.
Estudo, eis tudo. Depois o ex-tudo me deixa com o que posso ficar. E com o que posso ficar fico, mais nada.

Rogério Camargo e André Anlub
(21/2/15)

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