Dueto da tarde (CXXXIII)



Dueto da tarde (CXXXIII)

O peso da consciência desafia a lei da gravidade; é dilema, é problema, é iniquidade.
Culpa não é solução: é problema. Teorema muito mal conduzido. Cinema mudo e comprido como o arrependimento.
Já não há mais idade para se sentir capaz. Vê agora por cima: cenas em câmera lenta o que deixou para trás.
Cobre seus passos com outros, iguais e diferentes, os mesmos mas nunca os mesmos. Porque hoje é ontem, mas hoje é hoje.
Não há mais planeta em que caiba a certeza do cimento pronto e seco, e de refresco seu desenho em afresco na muralha que sobe voraz.
O peso da consciência, o peso da muralha, o peso nos pés, que poderiam andar e só se afundam neste pantanal.
Mais uma vez veio à gravidade moldando a consciência como um peso pesado (grande muralha)... Não haveria nada de errado em errar urrando estar correto, se estivesse correto.
Roído pelo que o corrói, abre estradas no rosto com as unhas. Nelas transita o transe intenso em velocidade máxima, que vai muito além da compreensão, rompe a barreira do som, vai ao espaço vencendo enfim a gravidade.
É grave vencer a gravidade. É ela quem mantém a coesão da matéria. Em matéria de desespero, ele ainda não conheceu tudo...
O mais grave vem agora, pois terá que vencer o peso da consciência... E por ter derrotado a gravidade está ainda mais pesada.
É a derrota na vitória. Enfim, pra frente é que se anda, diz ele, patinando no ar sem sair de onde está.

Rogério Camargo e André Anlub
(24/4/15)

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