9 de fevereiro de 2015
Dueto da tarde (LX)
Dueto da tarde (LX)
A loucura pula o muro do hospício e não deixa nem resquício para contar a história; mas será contada mesmo assim.
A lua registra tudo e não mente. Pelo menos é o que acredita, medita, edita e reedita o aluado.
A loucura vaga pelas ruas, passa pelo meu botequim, veste-se de arlequim e sai comigo rumo à folia.
E é setembro. Não há Carnaval nas avenidas. A loucura quer festa, no entanto, e em cada fresta um canto impõe obediência; e é setembro, mas bem me lembro, ainda prevalece à indecência que nessa hora ainda aquece as nossas almas, pernas, fartas demências.
Não há terreno plano, só há saliência. A loucura salienta-se. E aguenta-se nas pernas também quentes com a lua companheira conselheira; e a lua abre um sorriso, lá do alto, e ela ilumina, lá ao longe, e influencia.
A ciência da influência faz a loucura mais confiante. Confiante, vai adiante. E com ela vou em frente.
Deixo a loucura aportar no cais do porto, já havíamos visto de tudo: um assalto, um beijo, o rato roubando o queijo, o gato comendo o rato, outro assalto, um parto, um aborto...
Só faltava ver a nós mesmos. E a lua era um espelho. Bastava olhar para cima.
Rogério Camargo e André Anlub
(9/2/15)
Dos desafios
Dos desafios
(André Anlub - 2/8/12)
Sentinelas do mais profundo amor, vejo pela janela as folhas e pétalas que caem pintando o chão...
formam os tapetes dos amantes, síntese da emoção de todos os seres vivos.
Já tentei deixar de ser romântico, ver o mundo em branco e preto, lavar bem lavado meu despeito e organizar minha semântica.
Pego a massa e faço o pão, uso a farinha que vem do trigo;
Existe aqui dentro um insano coração que se materializou tão somente por você.
Vai dizer que me embriago por não tê-la, sons antigos na vitrola e deito-me em posição fetal... estou fraco para o viral e depressões e forte para construir minhas teias.
Em absoluto desafio... quero ser chefe dos meus desatinos
levantando e regressando à caminhada, vestindo minhas melhores roupas e colocando meus anéis...
(fazendo o que sei fazer de melhor).
ALGUNS MINICONTOS
Dalmério
chegou atrasado, rosnou uma explicação qualquer e foi para o seu lugar como se
nada tivesse acontecido. Bolívio podia ter deixado assim. Mas Bolívio era
implicante e sabia que Dalmério tinha pavio curto. Quando fez a primeira
ironia, Dalmério fingiu não ter escutado. Quando fez a segunda, viu o pescoço
de Dalmério ficar vermelho e seu rosto ficar roxo. Devia ter parado por aí. Mas
Bolívio era implicante. E Dalmério tinha o pavio curto.
- Me viaja?
- Mas eu não
tenho teu mapa!
- Não importa.
Embarca em mim que eu te levo por mim.
- Temeridade.
E se eu não souber pedir informações na tua língua?
O fim da
estrada queria ser o início da estrada, não o fim. Mas nunca lhe ocorria dizer “comece
tudo outra vez” quando as pessoas chegavam a ele. Talvez não quisesse
interromper a festa delas.
Ezépia não
ouve ninguém. Mas Ezépia faz perguntas. E as pessoas tentam responder. Como Ezépia
não ouve ninguém, as respostas que lhe dão caem no vácuo. E ela não se
esclarece. E torna a perguntar.
A cabeça
pesada de Molinetto vinha obrigando-o a fazer exercícios especiais com
opescoço. Ele, o pescoço, algumas vezes ameaçou pedir demissão, depois exigiu
um aumento dse salário, depois décimo-terceiro em dobro, depois um robusto
adicional de insalubridade. Só não conseguiu férias. No máximo poderia dar um
passeio enquanto Molinetto estivesse dormindo, a cabeça afundada no
travesseiro.
Crépizo tinha
dificuldade para achar o fim das histórias. O início delas era sempre muito
claro, não havia problema para acompanhar o desenvolvimento, mas na hora de ver
onde estava o fim Crépizo ficava tateando no escuro. Se fosse um teórico de
recursos, poderia desenvolver uma tese polêmica: não há fim nas histórias. Crépizo,
porém, era apenas alguém que lia com interesse e atenção, mas não achava o fim
das histórias.
Na manhã mais
triste de sua vida Mevizaldo viu o seu sonho diluir-se como uma nuvem que o
vento desmancha. Em poucos inesquecíveis minutos não havia mais nada do que
poderia ser tudo – de bom, de muito bom, de ótimo. Mevizalfo parou diante do nada que lhe
restou, cantou-lhe em silêncio uma canção de adeus e embarcou no longo trem do
que lhe restava viver.
Quando Ezézzia
trocou de rosto, Aluteu achou muito interessante, embora a tenha reconhecido de
imediato pela tatuagem no pescoço. Nem por um rosto novo Ezézzia se desfaria
daquela tatuagem. Aluteu quis investigar se ela não havia trocado outras partes
também, mas uma expressão bandalha tomou conta do rosto novo dela quando disse:
- Isto é pra
depois!
O pássaro do
canto estranho pousou no galho da noite e fez uma declaração bizarra, que
nenhuma estrela entendeu. Depois o pássaro do canto estranho voltou sua atenção
para as promessas que ele mesmo havia feito e jamais cumprido. Promessas que as
estrelas entendiam, porque cumpriam todas elas, desde a primeira, que jamais
foi um canto estranho.
- Quem vem lá?
- Acho que é a
Confiança.
- Mancando
daquele jeito? Tem certeza?
ROGÉRIO CAMARGO
Resgate
Resgate (do livro “Poeteideser”)
(André Anlub - 7/3/10)
Resgato minha vida a cada letra que escrevo:
- bela nostalgia, linda poesia,
Um coração e seu adereço.
Mergulho em sonhos,
Romantismo, cárcere;
Abstenho-me,
Choro e obedeço.
Na ponta da língua estão os amores,
No resto da boca, as paixões.
Conjugo verbos de pura magia,
Agarro as orgias e largo orações.
Transmito uma calma por onde transito,
Nas palavras que escrevo confio no meu taco;
Admito no entanto que gosto desse conflito;
Grito não a melancolia e seja bem-vindo ao Baco.
No final das horas escrevi várias linhas,
Levantei castelos de imaginação.
Concedi ao inferno a minha presença
E ao firmamento entreguei minhas mãos.
Ode ao Louco varrendo
Ode ao Louco varrendo
(André Anlub - 28/6/12)
- Sente na carne o estrago que a trincheira do corpo
Deixa passar;
Flecha que não era bem quista
- disritmia foi-se a bailar
Casco inquebrável,
Por vezes tentado a traições.
Entre o espírito luzidio e a aura,
Há um fulgor de Foucault mais forte;
Persevera a bondade do antes e do agora
Ser altruísta de cumplicidade
Afortunada e contínua:
Mostra com clareza, destreza e simploriamente os “nortes”.
A altivez tem tratamento
(seja por vezes até o suicídio)
Segurando forte em uma mão a vida moribunda
E na outra mão a morte.
(acalento que soa sem perigo)
Suspenso pelo pescoço,
Com as canelas ao vento
No abismo vê-se de culpa isento
(dor e remorso)
Dimanem sacrifícios?
- Não, chega de ignorância!
É um louco varrendo...
8 de fevereiro de 2015
Anéis de ouro branco
Publicação by Ecosurf.
Anéis de ouro branco
(André Anlub - 27/7/13)
Teus anéis de ouro branco,
Brilham como os dourados;
São de dureza feito ferro,
Redondos como o globo.
Anéis como tu és:
Valiosos e únicos,
Carregados com gosto,
Mas que ostentam a penúria
De serem vistos e terem utilidade.
Tu viajas onde divagas,
Devagar, reages.
Vives na teia da aranha que abraça o todo:
O mundo, as pessoas e os desejos.
Na elegância que tens,
Encontras versos na ponta do lápis.
E todos tem dito:
- como é bom ler-te, cada letra,
cada frase, cada verso...
A união das palavras em coito vivo.
Está ai, pra quem quiser ver:
- a paz e o amor!
Que saem do coração e derramam
Em delírio, em choro e grito.
Dueto da tarde (LIX)
Dueto da tarde (LIX)
A rosa abriu-se em perfumes e cores que ninguém tinha visto ainda.
Patchouli com mais de mil odores – Arco-íris com mais de cem cores.
O encantamento dos que passavam era também o impulso de pegar dos que passavam,
Vai e vem de mãos sedentas movidas pelo egoísmo evidente e inerente dos sem amores.
Ânsia de ter para ser. Ânsia de não ser quem não tem. E a rosa apenas ali, sendo o que era.
Dentro dos homens, a fera; dentro das mentes, megera; dentro da rosa, modéstia.
Modéstia esplendorosa, capaz de virar cabeças e disparar incontinências nas mãos ávidas, atordoando os olhos e abrolhando imbróglios em quem não se contenta em apenas apreciar.
Quando essas mãos chegaram, com a pressa dos apressados, com a fúria dos furiosos, com a gana dos enganados, a rosa foi mártir.
Fez parte da paisagem, e agora parte – sem despedida, some num estalo – suas cores no vento, as fragrâncias ao faro.
Já não está mais o que estava, a beleza é apenas uma recordação na memória do vento, como uma oferenda sutil que a avidez também não reconhecerá.
Rogério Camargo e André Anlub
(8/2/15)
Ser Quase Sábio
Ser Quase Sábio
(André Anlub - 4/9/10)
Dos três métodos para ter sabedoria
Como Confúcio dizia:
O primeiro é por reflexão
- É o mais nobre...
Esse para mim não existia.
O segundo é por imitação
- É bem mais fácil
Mas digo não!
O terceiro é o meu jeito,
É também o meu fardo;
É por experiência
Com certeza o mais amargo.
Sabedoria não nasce em árvore
E eu com meus poemas,
Papéis, papiros e rabiscos,
Bloquinhos, lápis, problemas...
Tudo isso esquecido
Na imaginação de uma cena:
Um fogão a lenha queimava,
Era uma bela manhã.
O café já pronto na mesa,
O trem passava apressado,
Cheiro de chá de hortelã.
Um dia começa bem cedo,
A pressa de uma nova jornada.
A cada renovar de uma vida
Portas se abrem, saídas.
Espantam a depressão,
Curam recentes feridas;
Libertam almas caídas
E estendem a palma da mão.
Nela existe a resposta,
O amor de um coração
É o sim e o não da questão.
Por debaixo da seda
Você me seda...
Brinca de ser a pura,
E, em apuros, me cedo.
Anjos trouxeram predicados,
Abençoando as conquistas,
Lapidando as certezas
Aqui nesse dia sagrado.
E sob a lua alegre e minguante,
Nós, os humildes bardos,
Festivamente cantamos
Com os novos perdoados
Pecantes.
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
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Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
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Poemas de Manoel de Barros Via: Templo Cultural Delfos SEU MARGENS Seu Zezinho-margens-plácidas, célebre fazedor de discursos patr...
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Ontem tarde esqueci seu nome... Mas hoje cedo me lembrei de que isso não faz/fazia/fará a menor diferença. As melhores opções nem sempre s...