22 de agosto de 2018

Imensurável poeta (Vininha)


Rapaziada, boa noite. Em breve os "Das Loucuras" irão virar livro! Serão 100 textos Das Loucuras, cada qual com sua própria ilustração em preto/branco feitas por mim. Aviso a todos! 

O segredo é parar de bater o pé falando que o tempo voa e começar a bater as asas voando mais alto que ele.

Imensurável poeta (Vininha)

Vem o brilho em sonetos, sonoros versos
Excesso em talento, boteco e afeto.
Vem à letra na essência expondo a maravilha
Na trilha do fulgor, garota de Ipanema.

Surgem poemas libertinos, divertido menino
Há partituras com antigos - novos amigos.
Surgem emoções que fervem no imo
E no pacto da vida - do cego ao lince.

Imensurável Marcus Vinícius
Escrevia o rito e o reto em tortas linhas.
Poetinha, poeta, escritor de aço
Compositor, dramaturgo
Diplomata, jornalista.

Foi-se a chama, ficou o legado
Engrenado em livros de poesia viva.
Há o eco em noites que a leitura cura
Há doce loucura de um imortal amado.

André Anlub®
(03/12/13)

Baú de conjecturas


Baú de conjecturas

Eis a questão: abrir aquele baú de memórias, 
Algumas boas, outras nem tanto, outras nem lembro:
(dizem que há lembranças do que não aconteceu).

Deixar a mente recordar – dar vazão na falta de razão,
Embarcar no trem das insanidades e paixões; 
Aquelas que foram feitas nas noites sem dormir,
Nas falas sem sentido, nos botecos e afins.

Lembrar-se de amizades esculpidas com pressa e formão cego;
De esculachos em rixas fartas; de escaladas em rochas altas...
Lembrar-se de ter esperado a nave com os alienígenas me buscar.

Agora nós dois:

Passamos por dificuldades e terrorismos,
Andamos e nem sempre sorrimos.
Houve o momento de reflexão – a alma sentia dor;
Corpos enfastiaram, ideias se soltaram e, comumente, se desligavam;
Tudo não estava mais (ou nunca esteve) talvez, assim, pra nós: bem, bom.

Controlamos-nos – põem-se freios, iluminações, mesmices,
Vagamos turbinados dentro do turbilhão (talvez seja aquele litro de uísque).
No céu, na época, pequenas estrelas prateadas e felizes,
Vibravam e cegavam nossas vistas – então notávamos o nosso amor.

Lembranças, lambanças, festas, sexos, escudos, elmos e esmos...
O sorriso de lado no ambiente azedo e o deboche no coldre do medo.

Laconicamente o lembrete: o jogo é incoerente – mesmo ganhando se perde. 
Mas ninguém ganha! – nem mesmo quem acha que vence,
Pois para ganhar é preciso não jogar.
E ninguém quer ser um covarde jogado na lama,
Que fica e faz alarde, que já vai tarde, que já veio cedo.

Agora só eu:

Fechei o baú, mas tudo já estava na mente (onde sempre esteve),
O que havia era medo de encarar o fantasma
E ter a certeza que ainda há amor.

André Anlub
(9/2/15)

21 de agosto de 2018

Das Loucuras (skepsis, pium desiderium)



Das Loucuras (skepsis, pium desiderium)

Delirantemente redondo, redondamente delírio,
Comendo a própria cauda – ouroboros.
Ossobucos, asas, assados assíduos – sigam os touros,
Ferrolhos fracos e dobradiças nada fortificantes
Nas portas que se abrem a cada instante.

O “eu te amo” escrito em todas as paredes,
Fechando janelas, gavetas, portas de armários...
Falado em todas as línguas, infiltrado em letras de músicas...
Nas obtusas cacofonias, nos cafonas obituários.

Guarde lugar na mesa, todos chegarão atrasados para o jantar,
Existe um lugar onde o plebeu é realeza.
Não assumindo o risco, risca-se seu nome da folha...
Seu nome aos poucos imêmore transforma-se e estoura a bolha.

Ao frio da água do rio que banha e desperta a alma,
Damos os sacrifícios, bebemos de suas memórias.
Enfileiramos as pedras de modo a formar o caminho,
Sozinha, insolente, insalubre, a água volta viva e simplória.

Caretamente quadrado, redondamente enganada,
Numa prisão sem grades iluminada pelo último fósforo.
Oscila entre o mundo de Alice e o Ali babá de calça arriada,
Num frenético vai e vem ao/do nada.

André Anlub
(20/8/18)

19 de agosto de 2018

Das mudanças (releitura)


Das mudanças (releitura) 

Acordei com desejo de tocar-te
Ver teus olhos abrindo devagar (meus baluartes);
Sentir o calor de teus abraços – acalorar do corpo
Beijar tua boca até dar câimbra no maxilar (meu escopo).

Acordei sabendo que laços podem arrebatar
Sendo todos pintores de arco-íris (íris só para te enxergar);
Responsáveis e loucos motivados (deuses e réus);
Tecemos a seda dos nossos próprios céus.

No mundo que os olhos são quatro,
És minha deusa, sagrada e áurea (pacto);
Tens-me em estendidas palmas (entrega);
Sou uma espécie de servo confesso, podado à rega. 

Acordei mais livre como luvas descalçadas,
Com novos aforismos; com novas alçadas.
Poderei te amar com tenacidade (em nossa cidade);
Na igualdade e empatia de sermos um só.

Nó cego sem ego, de vontade própria,
Imprópria a olhos rasos – sem amores;
Ouço rumores que vasos podem até quebrar,
Mas não antes de refletirem o mar e acolherem as flores.

André Anlub

18 de agosto de 2018

Armageddon II


Armageddon II

Caçadores de cobiças e amores perdidos
Senhores dos seus projetos de ações duvidosas
Jardineiro na ufania das flores de cera de ouvido
Decifram a nostalgia de ocorrências rigorosas.

Lenhadores brutamontes com os seus machados cegos
Filhos de escravas negras com índios
São brancos com seus olhos claros de guerra
Sem ego, mas com a ganância de buscar o infinito.

Se a chuva de meteoros chegar em má hora
E quatro cavaleiros lhe derem guarida
Com parcimônia de quem cultiva uma passiflora
Empunha a espada, dá meia volta e procura saída.

Vivendo em um singelo passado do agora
Azul que faz fronteira com um feio absurdo
Os vieses que ecoam aos ouvidos de muitos
Aquecem como o nome de Nossa Senhora.

André Anlub®

Hospício

""PM acha 'código de ética' de facção pintado em muros de comunidades de João Pessoa
Regras proibiam roubo 'em respeito ao cidadão de bem' e uso de drogas na frente de crianças. Policiais cobriram pichações com tinta.""

Veja mais: O Globo/Paraíba


Hospício

Salientaram no hospício
Ninguém iria comer
Injeções na testa...
Mais que um sacrifício.

Uma doutrina errada,
Condições terríveis,
Faces amarguradas...
Pessoas mais que sensíveis.

Não tinham valor algum,
Exclusos da sociedade,
Pessoas novas e de idade...
Somavam um mais um.

Indigentes, obscenos
Cenas do dia a dia,
Pretos, brancos, morenos...
Sujeitos à revelia.

Desprezados pela verdadeira família,
Inúteis sem poder reciclar,
Cães expulsos da matilha...
Sem ter mais em quem amamentar.

Aos montes iam se definhando,
Em um frenético vai e vem,
Homens mortos andando...
Passos calmos pro além.

André Anlub  (23/7/09)

16 de agosto de 2018

Vivendo meu Norte



Vivendo no meu Norte

Ouvindo Jazz em som baixo e profundo
Através da pequena janela observo o futuro:
No meu bloco boto em ação a caneta na mão
E tirados de meus túmulos traço trechos em aliteração.
Projeto na mente assim, meio que oblíquo,
Como será a ilusão de agora o verdadeiro de amanhã.
Sinto um gosto raro quando fecho os olhos e mordo a maça... A língua se agita em transe e sorrir em paz me obrigo.
Lá embaixo águas passam; aqui em cima são pássaros; construo um muro entre o amor e o calafrio, jazo equilibrado em cima de sonhos raros. E me cobro da preferência de qual lado nesse desafio. Na ponta dos pincéis, das canetas, dos dedos, dos segredos...
Está o meu mundo; está minha crença, desapegos e brinquedos.
O café, o até, fico olhando, esperando e concluo que está quase tudo pronto e no ponto e pontuo. É loucura, mas pertinente ao que o imprevisto me aguarda; na retaguarda a muralha que não deixei de mão – é muito forte. Abaixo a guarda e entrego-me, peço arrego – tiro a farda.
Sei que serão para sempre: minha ida, minha volta, minha sorte e meu norte.

André Anlub

15 de agosto de 2018

Das Loucuras (cogito, ergo sum)



Das Loucuras (cogito, ergo sum)

Vai devagar, de vagar em vagar, sem pisar na grama...
Porque a mente e a rosa não são mentirosas.
Vogo, envergo, vejo e vivo em excelência
Quando tu estacionas teu pensar vago
Na vagabunda vaga da minha essência.

Vai bem ligeiro, pelo meio-fio...
Mas cuidado com os bueiros.
Nesse bem-me-quer lisonjeiro,
“Um qualquer” ao mensageiro.

Voam rotinas,
Aproveitando o entre e sai do parco dinheiro no bolso;
Decola o pressuposto,
No acalorar da fé no verdadeiro... 
Seria o décimo terceiro?

Na irregularidade da areia, vara, vira-lata, varia...
A arapuca de ver seu rosto – pareidolia.

Na perfeição do dia, ama e odeia, adia, anuência...
A rebeldia de me achar incluso – prepotência.

Nossa bolha se quebra, e, de-quebra, borbulho...
Meu mundo se funde ao seu, “se fundeu – fundilho”.
Me redimo em uma nova redoma...
Sempre cabe mais um quando se usa “Rexona”.

Nossa bolha se emenda e nosso espaço em um só.
Posso achar-me um bocó... pois autoflagelo é ferramenta.

Finalizo a conversa e inicio o caminho...
Sinto-me tão sozinho – avesso do vice-versa.

André Anlub
(15/8/18)

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.