19 de maio de 2021

Dos anátemas














Das Loucuras (pequenas encrencas, grandes imbróglios)


Reivindicaram sem vontade, com a voz rouca, ou melhor, sem clamor;

Acharam a ideologia no lixão, quadrada, sem brilho e enferrujada.

Olharam com olhar distante, indiferente, sem aquele inerente calor;

São olhos de peixe na feira, zumbi de seriado, vaca pastando, nada com nada.


Já passaram os tempos difíceis, aviões em edifícios, aqueles tempos azedos...

Como diria Raul e como vovó já dizia: vão-se os anéis e ficam os dedos.

Coletes à prova de balas, reforços, esquadras... Tudo a ver...

Partiu: recriar o amor, voo ao alto, torpor, aconchego, zelo, ser mais Ser.


Junto com a igualdade fizeram (a) diferença; e fazem, e continuarão a fazer...

Opa... Mas nesse caso está valendo; é válido cada suor, cada furor, cada dor.

Explica-se: a postura frente ao homem, o respeito, o caráter, a humildade,

Tudo num liquidificador torna-se um detox, um suco verde, um suco de flor.


Há um novo programa na tevê, em outras mídias e tocando sua campainha...

Aquela diversão de auditório (com bundas rebolando e um jovem no comando),

Que passa na hora do seu coito semanal, da sesta da tarde ou na hora do almoço...

É irrelevante falar que ao assistir e acompanhar estará em péssima companhia. 


Nada como jogar xadrez expressando sinceridade (isso ninguém nega);

Deu empate, “quero a nega”, e vamos parar com essa cagação de regra.

O Rei reivindicou e vincou essa página – mas até a Rainha fez boicote pra ler;

É bom saber que sem o saber não somos nada – não pagaremos caro pra ver.


André Anlub®

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Dos anátemas


Roubou alento de quem é mais anêmico

E pouco antes do mesmo fenecer 

Pisou, cuspiu e sorriu.


Entre sonhos ali e ali, envelheceu senil...


Achincalhou a falta ou a existência da fé alheia

E quem caiu na sua teia, o destino foi sucumbir.

A condição “sine qua non” para sua existência é macabra

Chifre de cabra, língua de serpente e asa de morcego

Seu amor é cego... Arrancou-lhe os olhos com um pé de cabra...

Derrubando o amor, o corpo, a alma, o ego.


Entre pesadelos aqui e ali, sobreviveu ao mundo. 


Nesse holocausto foi só mais um fausto,

Um molambo, sem pé nem cabeça, um “sujismundo”.


Fato verídico que poucos notam

A nota de 2 reais existe, e ponto...

Na ponta da faca escorre uma gota

Podendo ser sangue, suor ou pranto.


André Anlub®


13 de maio de 2021

Buraco da agulha

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Buraco da agulha


Passou pelo pequeno buraco da agulha

como um raro e sensato camelo franzino. 

Deixou ao relento seu ego sozinho

e jogou num bom vento os versos nas ruas.


É no amor, e não há impossível

no verossímil da batalha à vitória.

Fez de fulgentes momentos, o invisível

e na equação da paixão, a auréola simplória.


Sim, eu conheço, sei bem dessas fábulas

sei qual o seu curso, bons e maus imprevistos.

Falam de alguns vícios, falam de absurdos

não provaram na língua o que dizem amargas.


Qual o passo difuso em logradouros de deuses?

O que fez um sol confuso no louro da Nêmesis?


E agora um velho e sábio seguia adiante

e passou novamente pelo buraco da agulha.

Ficou na agrura, pois não era um camelo

ao se olhar no espelho viu somente um gigante.


André Anlub®


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É como caminhar solitário na China


Comumente aparecem terremotos

Que abalam estruturas e enfraquecem terrenos.

Nas raízes das árvores, o lamento.

Nas artérias e veias, o sangue esquenta.


Há guerreiros e fantasmas internos

Munidos de lanças e espadas

Com a cabeça em redemoinhos

E sentimentos em explosão.


Há vidas passando em lembranças

Que surgem ao fechar dos olhos,

Nos quentes lençóis em frias noites

No fingir do embarcar nos sonhos.


As emoções são rústicos vigias

Que transitam pelas alamedas vazias,

Passando pelos tugúrios de pedras

Com suas luminosas lamparinas.


O lume dos candeeiros

Por dentro dos nevoeiros

Divide com o amor seu fulgor.


Sagrada inspiração 

E o real do imaginário

São sombras no caminhar solitário.


André Anlub®












excelente quinta a todos

 


Sopro


Fica tão óbvio

Mas por que não falar de amor?

Mesmo o ópio que entorpece,

Que se lembra; que se esquece

Faz do momento um próprio vício

De eternidade.


Fica tão certo...

Quanto o martelo que acerta o prego 

Na construção da casa.


O extremo fogo que queima a casa

Na maldição do tempo que deixa as cinzas

Ao vento...


O ontem que já foi

Correu ligeiro;

Como já foi o que o ontem alimentou

Hoje resta a fome de hoje;

Fica tão hoje o desejo

De repetir o que passou.


Fica tão perto...

Na criança que desce o escorrega,

Calhando em segundos – sua alegria;

São elas, absurdamente elas.


E homens correm suas vidas

Essas – que não tiveram;

Correm, correm e correm.


Por fim brincam, choram,

Nunca alcançam;

E seguem bem-aventurados 

Na utopia.


André Anlub


Dueto CLII


A pétala dormia serena seu sono de orvalho quando foi sacudida por um vento elétrico.

“Vento de maio rainha dos raios de sol” – de repente agora se dava início sua larga e aguardada jornada. Sempre quis se soltar das irmãs.

Leva consigo o perfume e a saudade, mas entrega-se à aventura com o furor dos descobridores de novos mundos.

Pétala que cai no rio é pétala que tem sorte. Pode passear por um extenso caminho, enfrentando correntezas, vendo novas margens, novas árvores, na certeza de tudo ser incerto.

Mas ela não sabe se vai cair no rio. Não sabe mesmo o que é um rio. No momento apenas embriaga-se com a sensação de engolir o mundo enquanto mundo a engole.

Se dopa com seu próprio cheiro, se enfeita com sua própria cor; entre trejeitos de uma princesa ela despenca sem nenhum pudor.

Cai entre as pedras de um calçamento árido. Passos apressados e indiferentes pisoteiam o passeio. São como compassos de uma música sem estrutura. Ela ouve e não entende.

A pedra esquenta seu corpo e o foco perde-se na aparência; a mente mistura as letras: tudo se torna gigante mesmo antes gigante já sendo.

Não demora alguém lhe pisa em cima. Ela não sabe o que é “alguém”. Mas acaba de saber o que é ter o peso de alguém em cima.

Vê-se carregada colada em um sobe e desce frenético; agora é pétala que pedala, entregue ao léu e deus dará... Sem patoá nem patuá.

Já conheceu o mundo nas asas do vento, vai conhecer o mundo numa sola de sapato.


Rogério Camargo e André Anlub


Vi seu rosto no papel


Ela acabou de abrir os olhos

em dúvida se foi sonho ou delírio

em meio a nuvens e cordilheiras

cavalgava em um corcel negro de fogo

num arco-íris de sossego

cercada de lírios

em algum lugar do globo.



Sentia nas entranhas o desejo queimar

como se engolisse uma brasa

que aquecia intensamente a quimera

elevando-a acima do mar.

No ar, lá estava...

No ar.


Seu corpo de carne e osso

como se fosse feita de vento

lava, livre, leve

sem destino ou martírio

sem necessitar de resguardo.


O bloqueio havia acabado

aperte o cinto e decole

para o mundo só seu

no absoluto apogeu

do desconhecido.


Talvez agora possa se encontrar

demitindo a tristeza por justa causa

pouco importa se for sonho ou real

transpondo o sentimento pro transbordo

da escrita, viciante, sobrenatural.


André Anlub®

12 de maio de 2021

Pérfido imaginário

 



Pérfido imaginário


Distraído com fotos espalhadas pela cama

A saudade está mais perto.

Chega e me cerca, aperta e acerta o que já seria certo no cerne...

(Querer você)


Eu saberia como agir em outras épocas,

Mesmo que falte o mesmo entusiasmo.

Seria simplesmente uma aventura,

Ainda não estava atrás da mais perfeita escultura.


Pensando bem, criarei a própria artista,

Vendo outra dela em vagos corpos.

Lógico que deixarei isso em mistério,

Disfarçarei com toda minha fúria.


No íntimo considero um adultério

Ver o sorriso dela em outras bocas,

Sentir seu cheiro em todas as roupas,

Mas pagarei para ter essa luxúria.


Voam versos de afeto tão cálidos no conforto,

No forno do sentimento;

Voam tão meigos ou salsos,

Verdadeiros ou falsos;

Voam se for de gosto

Ou até desgosto

(assim querendo).


Deleito-me nesse teu jeito tenro quase sofrido;

Que me completas e que me interpretas em poliglotas sensações...

Mostro com sinceridade de emoções que tu és simplesmente minha vida.


Às vezes queremos tanto

Pertencer a tal coisa,

Estar dentro de certo universo,

Que não percebemos que a porta abre para fora (teimamos em empurrá-la)

Quando bastava apenas recuar um pouco

Para a porta se abrir...

Facilmente.


André Anlub

10 de maio de 2021

Extra, extra!

 


Extra, extra!


É pedir muito que o pôr do sol dure um pouco mais?

Que se exponham os rostos rubros e os sorrisos nobres

num tempo raso, que se faça um brilho nas gotas dos prantos

enquanto descem pelo canto do rosto, até a boca

com gosto salgado de solidão.


Já conhecemos essa rotina, decoramos o roteiro

somos atores e diretores dessa trama.

Sem ou com paixão correspondida e final feliz

ao som, ou não, do mais belo fundo musical

queremos somente que nunca deixe de acontecer

pois amamos esse fardo.


É aquela corrida contra nós mesmos

revelando nosso íntimo nas primeiras páginas dos jornais da vida.


Extra, extra!


Somos como cães vagabundos

cambaleando pelas alamedas de sonhos

atrás de mais um prato de comida

do calor, da proteção da chuva

atrás do mais sincero tesouro.

E nesse minuto, o tempo se foi

o sol se pôs.


Agora vou-me no breu do desconhecido

no medo de esquecer o que é medo

e não mais poder fazer parte de tudo isso.


André Anlub®

6 de maio de 2021

Flor de lis, de lírio e lírico do Preto e da Branca (releituras de mim)















Flor de lis, de lírio e lírico do Preto e da Branca (releituras de mim)

Garanto minha salubre e frágil presença no pensamento mais estranho que remete apressadamente ao pesadelo da minha pele plena pintada de branco. Minha flor bela, não escute os embebedados de alma, mendigos-uísques demagogos a Go Go. Ouve a cantoria, pássaros aos montes de entortar pescoços e acariciar ouvidos... São os esboços – diamantes – da nossa selvageria de amantes. Enxergo nada cego, envergo e expresso essa minha entrega em reflexos de uma pulcra lâmina cega. E de maneira sutil, tão viva e severamente tão simples, chego, sonho, cedo e transcendo ao corte seguinte.  A doação que faz mistura – nossas cruas carnes nuas – fez contraste no arraste – na queima que é de praxe – do protocolo em leitura.  Ah, minha branquinha, flor branquinha... Me aceite eternamente seu. Bebemos nas águas puras e impuras, mas com o coração nada errante e os olhos hiantes. E diante de tudo, em estado trepidante de paixão, peço-lhe que pegue o banco e a caipirinha e venha sentar-se ao meu lado e olhar a lua... (desnuda – noite – minha). 
Chegando do silêncio veio como tempestade e mordiscava minhas ideias... Lá vem ela! Essa bela, irritante e insistente luz que entra pela janela e me convida para sair e viver. Raul de Souza com seu trombone que tromba de modo majestoso e marcante, tocando, relaxando e deixando o corpo voando sem destino... Estou agora sereno para narrar o ocorrido: tirava os laços dos futuros presentes, mostrava o onipresente que ao botar pra fora os dentes, provava não ser um sonho, enfim. Ela, a Flor (não é Maria Flor, que pena. Mas está valendo)... Nomeada como imperatriz de amores que ganha de súbito sua coroa, trono e sonho se aproximando do súdito com suas suntuosas flores. Ouço-a falar em público: o que seria mais certo – onde estaria o erro – qual a importância disso? A resposta vem com o ar fecundo, quebrando o coeso silencio, queimando mil brancos lenços e prevendo o fim dos futuros lamentos; a resposta bateu de frente com seu cheiro de alfazema, com seu humor de hiena e sua adorável e inigualável interpretação eloquente. Na tela do cinema da esquina já se viu esse filme antigo de um multicor lírico com tons de pura boemia.  Sim, é poesia! faz crescer as flores e nasce nas flores crescidas. 

Dos desvelos na hora do recreio do princípio e fim (releituras de mim)

Como som melancólico que segue invadindo – Abrasador ao íntimo – sem dor – toca e preenche e compreende ao completo; na mais alta altitude que o anseio ressoa, e é tênue e desconcertante. Toda uma terra estremece em todo o corpo que balança e merece o céu no sol e a luz da lua na luz do teto do tato e do tudo (tamanho absurdo, mas eu vi). Namoro e sinto e choro e aprovo e comprovo o sopro e aguardo, e você. Mas é mais mar que observo e sou servo ao todo... E amo. Vem, vem como variante, pé e pé, paz e paixão, marcando no solo – selo; como ao chão e ao sentimento é um sucinto sinal sagrado, afetuoso, pois não censura e nem corta nem cura o soco solitário do colosso: o banho ao calor em chamas, supina alma à sua presença... E amo. Solos secos castigados, que fenderam em frangalhos de raios antigos... Ficam no aguardo das águas em rios em milagres em lágrimas em circo em cio... E vieram e vigeram e ficaram e fincaram... E amo. Quem será o guardião desse coração tão intenso raro e quente? Nesse vai e vem do povo a cólera passa rente... Tentando roubar o puro, amolecer o duro e dando duro para esconder o tesouro... Causando tumulto, cavando um túmulo e matando os loucos. Tudo se transforma na fala da saliva da ponta da língua; na palma da mão macia que à toa entorna a raiva perdendo-se no céu anfitrião. Sendo o alicerce mais forte fez-se o castelo - nasce o coveiro que rompe vis elos, enterra as contendas e encarcera o faqueiro que insiste no corte. Joss Stone com voz estonteante, timbre mutante e olhar de sereia cantante. Estou agora pacato para narrar o fato: a verdade mostra para que veio e o ópio evapora na veia. Surge a sorte pisando na morte, tornando o instante o livro na estante de um astuto perfeito. O som é ameno, no feliz badalar dos sinos para a hora do recreio. Percebem-se letras ao vento, fermento de versos no intento; na mescla que move à fantasia – lamúria e luxúria dos dias. Diga-se de passagem: a paisagem pairou na barriga dele (grávido), pariu na paragem mais certa e reta – cerne que outrora tardia. Faz-se poesia – cria – faz-se poeta (ávido), criou-se meta na metalinguagem em espectros. Assombrando os muitos herméticos heréticos espertos e espetando os pedantes pedintes descalços moleques. Ao céu o seu mais lindo e redondo sol brilhante, diamante dos dotes de deuses de doutrinas de histórias; ao léu asas cresceram, veio inspiração/sorrisos, ao velho ao novo ao menino – porta de início de índio de íngreme. Prepara-se o leito quente – seio da mãe – leite materno, cobiçando o menino vadio, forte e inteligente (frenético), as letras são o “norte”, coreógrafas convidando ao passeio (imagético), sem freio, meio – principio – confins sem fim... No íntimo eterno. 
Asas de Dragão de um Prisioneiro deposto 

Vejam só os dois olhinhos sinceros, impávidos carregando a expressão das brasas dos entusiasmos. O mundo deles também anda alinhado, agitado e ainda mais quando estão juntos; são avejões diversos... No advérbio adjunto do anseio, veneno disponível no plasmático vulcânico... Fundiram os neurônios e os versos. Não há relógio no “slow motion”, tampouco o reviver das simples coisas. A caneta dança na folha branca e o sentimento canta a canção que voa... Os dois olhinhos são escravos do tempo e o tempo não vive a mercê da porta aberta... Não cumpre a cumplicidade que se torna seguro, simplesmente existe e o quase é quase eterno. Asas batendo, colorido das penas, olhos e pernas céleres, bico bem largo e garras como dentes e o fogo em maçarico; com moderação se barganha com a vida, contínua rotina de distrair pensamentos, tapear os momentos, queimar poesias e as ideias baldias. Criou-se o hábito saboroso e salutar, começou a lutar com as armas evidentes. Vê a novidade de coisas iguais que nunca foram feitas e reinventa os trejeitos dos seus sujeitos (dá-se um jeito). E a luta contra o colosso imortal continua. O gigante que é anão, que espeta, que apunha, apunhala, compunha a mente incerta... E a luta se enluta no negro alerta. (...) nessa hora os olhos se emocionam mais uma vez, enchem-se d’água e desaguam... E a vida: eles querem entendê-la, desvendá-la; querem enterrá-la para saber sempre onde está. Irão confessar até o que nunca fizeram e pelos campos e cidades aos ventos voarão... Sendo perene ou não, sendo eu ou meu vício, sendo asas de anjo ou dragão. Já fiz o jogo, rodei quase voando e cuspindo fogo pelos vis bares e espeluncas loucas da vida; em puteiros faceiros falidos com mulheres musas de esquina. Já me vi na latrina latente e na obscuridade nada curta e incurável do ser; e seguindo cegando nas vozes o que na pena precisaria fazer. Mas no corpo absorto e na alma encalma tão visível ameaça, cicatriz do aprendiz que se estende ao lado das largas tatuagens. E como estranhas e quentes miragens que se fundem em ferro na carcaça fazendo-me a raça da (dês) graça, sem ao menos e ao muito me conhecer. Então me camuflo confuso pra prosseguir animado e adiante; o coração em reação está imundo, mas não carece cárcere ou morrer. Já fui torto/morto por dentro – desfavor do pavor de outrora; quase finado/afinado por fora – vários prévios instantes do ontem. Um adendo por dentro, um dedo na roleta russa do desgosto e um destro e canhoto por fora.  Vejo seu riso no rosto (posto e imposto), no alvedrio da bala. Os gritos e falas (nos rompantes), em um minuto se calam; apontado ao ávido ouvido e ao som do breve estampido: o ínfimo no infinito de guarda aguarda o prisioneiro deposto. Até coloquem palavras em minha boca... Mas que nasçam poesias.

2 de maio de 2021

Manhã de 1 de janeiro de 2016

 









Manhã de 1 de janeiro de 2016


Nada como um peixe após o outro... um anzol no meio... e nada bem. Depois dos percalços vividos ficam calos e vestígios... carrego os ossos do ofício, com mais cálcio e cuidado; cuidado... na minha vida não entre sem aviso! Já na estrada, na esteira estreita do caminho desconhecido; voo de encontro ao mar e a mim mesmo; vou mergulhar nos mistérios de algo novo que na verdade é eco presumidamente vivido e esperado. Talvez absolvição, quiçá apenas passo à frente, colocando um tijolo na parede e milhões de batidas no coração. Chegou minha vez, outra vez, já é quase sempre; sorriso de orelha a orelha no misto de querer a vez com a poesia em excelência e essência. É bom demais, é gratidão, é usufruto, é ‘usufarto’. Olhar por cima do muro é xarope de bom humor concentrado, em estado sólido, massageia a alma e retoca a alegria; é o presente que se auto desembrulha. No final das contas, quando acabar o espetáculo, as lonas forem recolhidas, o circo enfim desarmado, a mulher barbuda faz a barba, o mágico erra a mão em fim trágico, o elefante faz dieta e fica magro, o leão domesticado, o equilibrista inebriado com a garrafa de vodca no sovaco, o anão vira rei num seriado, o atirador de faca é esfaqueado; no final do espetáculo... o único risonho é o Palhaço. Minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; a vida é um teatro e faço de tudo para valer a pena; vivo na coxia, mas de quando em quando entro em cena. O Sol canta de galo; a lua canta de Gal. Não se fala em outra coisa; pelo menos aqui dentro da cachola redonda em cima desse pescoço cilíndrico, em cima da boca falante, sem educação; em cima das tatuagens matreiras, do corpo que já foi magro, foi trato, foi gordo; e assim roubou o sonho que havia sonhado, o bando bandido de aves que se diziam bem-vindas, traídas e atraídas ao céu enevoado. Estavam ligadas ou não no lance? Metendo o bico aonde não foram chamadas? Aves tudo podem! Há uma crença do cresça e apareça, depois meça sua largura, some com sua altura e esqueça o resultado... apenas descubra se o lago transborda... e quando as águas rolarem e os peixes sufocarem, apenas exponha se ainda é bem quisto ou preferia continuar sendo menino. Vê-se o translouco atravessando a ponte; só se é louco de perto, pois de longe se é pouco – não se importuna – ou se é monge, ou se ruge a face, rubra o rosto, range os dentes ajeitando os dedos: não se fala em outra coisa; pelo menos nesse passar das horas de supernovas, de supernovos, que seja pouca, mas a voz até que sai; no início fez-se o sacrifício de ser tudo sem nada ser; no meio tempo eram máscaras que caiam, disfarces, Descartes e sua filosofia certeira; no fim o grito não saiu vazio, o som se fez em música indo à noite, indo à cama, na farra, no banho sem sonho, sem rumo e sem par. Minha base é estar voando parado em tudo quanto é lugar; não se pensa em outra coisa.


André Anlub

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.