Meu aniversário de 51 anos
Meu aniversário de 51 anos
Quem caça um poema?
Já nem sei por onde anda
No gole, na gola, na manga
Nem sei de onde veio
Do ventre, da saia, do seio.
Sei que em bares é citado
amado e temido.
Sei que fica exposto aos olhos
e dos olhos sorve o pranto.
Das mãos às vezes é santo.
Dizem que é dissabor e contentamento
No seu corpo tem amor
no coração, lamento
Dizem a má e a boa língua
Que é terra, mar e vento.
André Anlub®
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PAPEL EM BRANCO
Ela sempre com seu jeito me comove
Eu, aflito...
O coração explode na calma
Emoção do amor ao extremo
Repito e sinto...
Chicotadas nas nádegas da alma.
Universo de intensa reflexão
Penso nela dia a dia, pernoites
Falando sozinho, rolando no chão
Uma loucura que me rasga o corpo
Um vazio nessa grande obsessão.
Fixo olhar no telefone que é mudo
Variando com meu relógio, inimigo
Só queria seu suor, ser amigo
Despedaço minha razão de viver.
A nobreza que há tempos me deixou
Irrelevante é saúde e paz
Amor próprio não considero existente
A tristeza sou eu mesmo quem faz.
Às vezes não sei porque me engano
Essa pessoa não existe pra mim
Se me flagelo é só em pensamentos
Se me desgraço só na mente me arranho.
Vou lhe dizer porque isso ocorre
Quem me socorria já está no seu fim
Inspiração, quem foi que disse que não morre
Já está sucumbida e enterrada no jardim.
André Anlub
No colo quente de Ísis
A aurora dourada que brilha,
Enorme força que guia
Canalizando energia
Da bondade íntegra e constante.
Sem quaisquer variantes
E opiniões infligir:
Vestindo o pingente de um santo,
Com fé encorpando o gigante,
Com a pontaria de David.
Falha quem pensa que o bem
É frágil – pequeno – inseguro;
Que teme o invisível e obscuro.
Falácias de um João ninguém.
O mal é poder anacrônico,
Foi comício de um ser risível;
É improvável em almas capazes,
Insustentável e inadmissível.
Aspiramos ao poder intocável,
Colosso, incorruptível - no osso, na mente, na pele,
É aço que a ferrugem não atinge.
Vive ainda mais além que a verdade,
Liberdade que constrói o arco-íris.
É a hora de olhar no olho de Horus
E deitar no colo quente de Ísis.
André Anlub
Copo de plástico
E vai o ar mais quente do verão,
Pelos espaços em brancos, pelas alamedas vazias,
Nas narinas dos santos e dos pecadores.
Vai um filete de água descendo o canto da calçada,
Leva um copo de plástico; talvez leve um vulto sagrado.
No velho casebre o homem esculpe uma cálida imagem,
Que logo, em breve – quem sabe, esboçará uma crença.
No campo azul lá em cima, há gritos de prosperidade...
No palco azul piscina, no alto, no voo e no espaço.
Ninguém mais chega ao ponto, na resposta da longa pergunta...
Numa desconexa permuta de línguas encafifadas rescendentes.
No lago verde, verdinho, com vitórias-régias, peixes gordos e belos...
Alarga a reflexão, vem junto em coroação, um pedinte pé de chinelo.
E vai o ar mais frio de inverno,
Alavancando sua marcha pelo horizonte mais gélido;
Dentro de um copo de plástico, dentro da velha cachaça,
Do pedinte pé de chinelo.
André Anlub
À francesa
Assim se diz paixão: ardente e única
Na pluma que cai no silêncio, e aos ouvidos insiste...
Na fleuma fina que com nada se parte
Aparte à parte da razão que inexiste.
Assim se diz mistério: ela e amanhã
Na ação e ressurreição dos sentimentos subtraídos
Atraídos ao sim – ao não, ao tanto – ao pouco
Louco varrido, desgarrado e desvalido – sã.
Assim nada feito: saída singela à francesa
Comida à mesa, sem fome – olhos atentos à cegueira
Sem eira nem beira, novamente entregue ao caminho...
Sem afã, à procura, abraços ao vento – lento redemoinho.
André Anlub
Das Loucuras (Pelo princípio mais lógico)
O cheio e o vazio dentro do pensamento
O bem moldando os desvios, à procura.
Vai e vem de frente-frias, temperatura boa para o plantio...
No tudo a cabeça é seu guia, mas um GPS ajuda.
A fiel escudeira – sua consciência – dava os pitacos e pitocos;
Querendo abraçar e beijar como um cio.
Marmelada com quiche de queijo, déjà vu de já veio,
Manejo da arma, maneiro do tempo, mineiro e seu ouro.
Maré propícia a novos ensinamentos,
Fogueiras ardem, mertiolate arde, luzes cintilam.
Sem endereço fixo fixa-se no voo continuo,
A prece ao que parece, seja um só ouvido...
Daqui a pouco já tem um ano de sua velha novidade,
Indo de cidade a cidade com a idade avançando...
Segue passando pano para sua ida de verdade,
Nas trincheiras trincadas dos dentes trincados, sem abandono.
As filosofias das ruas e a de Zizek, ensinam...
Pestes extintas, a onda ‘segurada’, tintas fartas, e mais tudo que preste.
As psicologias do “vivido” e a junguiana, anima e animam.
Detalhes são minudências dentro da sobrevivência,
E tudo estará nas folhas que surgirão e floresçam.
De modo evidente, doente, sadio, sútil;
De modo verdadeiro, falso, salso, doce, brocha, viril.
André Anlub®
Assim começa a história:
Tatuou todo o corpo, sem treta,
e para não fazer desfeita,
deixou que tatuasse toda a sua memória.
Cantar do futuro
Na trilha do som e do cheiro,
entre outros planejes,
já havia o longo tempo de um asilo,
e saiu, enfrentou,
nisso e naquilo,
foi certeiro.
Conhecia um pouco de tudo,
e de todos a prudência do cantarolar,
mas de cor, tão-somente, do sábio sabiá.
O verde vivente evidente,
fez nuance nos raios dourados do sol,
que surgiam e sumiam
ao bailar de folhas,
no cair de sementes,
da jabuticabeira.
E a comunhão com a quietude,
ao chegar o negrume,
o que estaria por vir?
E os motores aos ouvidos em dores;
os odores do carbono a calhar;
o cruzar de mil pernas;
as janelas com visão limitada;
e a empreitada de ser e estar.
André Anlub®
