21 de outubro de 2020

As Moedas Na Rua E O Dia Intenso No Álcool


As Moedas Na Rua E O Dia Intenso No Álcool

Acordou de um porre, tomou uma ducha boa para tirar a catinga de ontem, colocou uma boa bermuda, camisa de Hering branca; colocou o tênis com meia grossa e a carteira no bolso com apenas dois reais. Saiu na secura, na abstinência pura, mão trêmula e olhos acirrados nos bares do caminho. Pegou a rua Siqueira Campos lá em cima, bem na boca do túnel... Veio descendo... Deu bom dia a uns porteiros, a um rapaz que trabalhava de bicicleta triciclo em entregas; deu bom dia ao dia e bebeu sua primeira logo no primeiro boteco:

- Bom dia Reinaldo, meu caro! Hoje estou mal, a cabeça parece um sino! Coloca um real de pinga, no capricho aí, por favor.

- Bom dia André, você está sempre assim – disse Reinaldo abrindo um sorriso discreto e parando de enxugar um copo americano com um pano velho e já rasgado. – Tem uma mineira nova e boa que chegou ontem; já vendi uma garrafa em menos de seis horas - 

Bebeu, já se foi um real, e seguiu seu rumo... Passou em um bar conhecido, logo ao lado do que havia acabado de sair. Procurou algum amigo de copo, nada. Afinal eram oito da manhã de um dia quente de segunda. Bebeu seu segundo real:

- Fala seu Carlos, como vai essa força?

- Tudo em paz meu jovem!

- Coloca um real da forte ai. No capricho, por favor.

Por um momento lembrou de como tudo começou, lembrou de pequenos goles nas bebidas quentes no Natal e nos sorrisos estampados nos rosto sob o efeito corrosivo e impulsivo do álcool. Tudo era festa na terra do Deus dará. Lembrou-se de um dia, ainda muito novo, voltando da praia e encontrando uma turma mais velha bebendo chope em uma birosca local; parou e lhe deram uma tulipa, logo depois todos beberam uma ‘branquinha’ e o embalo acabou por ai. Não foi correr atrás de mais, tampouco deu secura, foi para casa assistir um bom filme e desmaiar na cama quente. Mas, voltando ao bar:

E então o copo quase cheio... Essa talagada demorou um pouco, foi em longas bicadas, pois veio logo o que já estava a prever: o enjoo. Respirou fundo, foi para a porta do bar quer o tempo fosse curto, quer o efeito da cachaça não fosse ligeiro e o vomito viesse. Inspira – expira –, deixa o álcool ir para o sangue... Em trinta segundo já começa a vir um falso bem-estar, a ansiedade cai repentinamente e ele se alegra, e ele abre um tímido sorriso e puxa assunto com o velho Carlos (dono do Bar). O assunto estava bom, mas a luta continua. Tinha que ir à caça de mais álcool, de mais antídoto do mal-estar, da abstinência, da sensação ruim de estar sóbrio. Desceu a Siqueira Campos e passou em outro bar, do outro lado da rua. Lembrou-se que já andou muito por ali a pé e de bicicleta, quando era guri e mesmo depois de mais velho. Entrou no boteco e não encontrou ninguém conhecido. Havia um rosto conhecido, bebendo no fundo do bar, mas como não gesticulou e não reparou nele, ele deixou para lá. Desceu a rua pensando se ia à praia ou voltava para casa e descansava. O dinheiro estava zerado e sua última esperança era um barzinho que frequentava com afinco entre as ruas Ministro Alfredo Valadão e Joseph Block. Antes mesmo de chegar ao destino, na esquina da Alfredo com a Siqueira, bem em frente à travessa Santa Margarida, viu um carro saindo da vaga e surgindo aos olhos um brilho intenso; era como uma alucinação momentânea, algo surreal; de repente era como se estivesse em um sonho, quiçá pesadelo, muito bem-vindo. Estavam ali, no chão, várias moedas espalhadas; moedas de dez, vinte e cinco e cinquenta centavos; achou também quatro moedas de um real... foi catando uma por uma, olhando para os lados, desconfiado...

(continua)




 

Manhã de 16 de junho de 2015

 


Se sabia o sentido da vida, pegou o caminho contrário... Só para se divertir.
(Manhã de 16 de junho de 2015)

Ele pode discorrer à vontade; na verdade, até o sol raiar... Caso queira! Ele pode ver o resultado de todos os meus pensamentos, até os que ainda não tive. Pode fazer julgamentos e entreter-se comigo, correr na minha frente nas minhas corridas triviais, chorar ou rir das minhas palavras banais, e nos anais da minha assistência, onde reside minha paciência... me persuadir. Ele pode mas não faz; está cá e lá, foi a Noronha e nem me chamou. Safado! Contou-me da onda batendo no rosto e no corpo, da água gelada, da mulher de topless e o tempo mais que maravilhoso. Fiquei com inveja, confesso. Fiquei com remorso de pela manhã não ter aberto a gaiola da mente e deixado, pelo menos, ela ir com ele. Assim me sinto inaudível, quase que aquela famosa gota no oceano; mesmo assim tenho voz – pouca – mesmo que seja um murmúrio... Pois tenho a mania de ter o sestro de ter o hábito – moda – rotina de ter a impressão de que conhecê-lo foi minha epifania. Vai ver foi... Vai ouvir foi... Vai cheirar foi... Vai tocar foi e é. Já vejo as horas e as nuvens passando, e meu argumento sobre ele, outrora colosso, agora vai se esvaindo em fumaça inofensiva e inocente, misturando-se as nuvens e ao tempo, como um breve sonho ou a suave, turva e inexata visão de um ébrio no pico do efeito. Vá e vai logo, quero voltar ao meu bloco de anotações sem sua presença. Ele me intoxica, travando minha escrita e viciando-a no seu próprio ser. É como um andar em círculos; é como uma rua sem saída que até tem saída, mas é nela mesma; é como arremessar o horizonte ao seu espaço e tentar aparar suas arestas; é como uma festa sem sonho, lago sem margem, um banho sem água e a arte sem sua libertinagem. Puxei fundo o ar que cheguei a sentir cheiro de mar, e agora com força e imaginação pego o beco... Quem sabe há alguém para ler-me um poema; quem sabe essa rua vai dar em algum lugar. Caso não dê, caso nem chegue a lugar algum, nem chova ou faça sol, valeu o passeio; pois lá no final sei que ele sempre me espera. 

André Anlub

Manhã de 6/4/16

Obstinado pelo obscuro, fecho os olhos e tudo fica mais claro; Como a marca de ferro quente no lombo do boi, deixando a cicatriz do ‘V’ de vitória. Ouço um canto, e todo canto causa curiosidade; torna o verde mais verde, os pássaros não tem nem metem medo; fui e voltei, junto a eles, em lugares perdidos, terras de zés achados e zés ninguém. Exercitei as alegrias, aqueci as salvas de palmas, alegrei almas em fantasias... no cinema da vida tudo é replay, mas é sempre novo e mais deleitoso o rever. Há pessoas exibindo sorrisos (talvez sinceros; talvez de ocasião). E vai vento, é vento na venta, o ar mais puro, pulmão limpo, incenso de maça, oxigênio, alegrias, amigos, poesia... tudo para se dizer: vivendo. Voei por cima da angústia, sobre a rua Augusta focando no Caos; voei como nunca havia voado antes; voei em pêndulos retos e traços tortos; voei agora pelo Bairro Peixoto, em Copacabana. Nada mais que eu fale narraria com merecimento a emoção; talvez levantar as mãos ao alto e – num gesto ingênuo e sincero – pedir perdão. 

André Anlub


15 de outubro de 2020

Excelente quinta

 



“Palavras”, by Anne Sexton


Tenha cuidado com as palavras,

mesmo as milagrosas.

Pelas milagrosas fazemos o melhor,

às vezes elas são como um enxame de insetos

e não nos picam, mas nos beijam.

Podem ser tão boas quanto dedos.

Tão seguras quanto as pedras

em que você senta.

Mas podem ser margaridas e feridas ao mesmo tempo.

Contudo, estou apaixonada pelas palavras.

São pombas caindo pelo teto.

São seis laranjas sagradas sobre meu colo.

São árvores, as pernas do verão,

e o sol, e sua face impetuosa.

E assim mesmo elas me falham.

Há tanta coisa que quero dizer,

tantas histórias, imagens, provérbios etc.

Mas as palavras não são boas o suficiente,

as erradas me beijam.

Às vezes voo como uma águia,

mas minhas asas são de carriça.

Mas eu tento cuidar

e ser gentil com elas.

Palavras e ovos devem ser manipulados com cuidado.

Uma vez quebrados são coisas impossíveis

de se reparar.


- - -


“Words”, by Anne Sexton


Be careful of words,

even the miraculous ones.

For the miraculous we do our best,

sometimes they swarm like insects

and leave not a sting but a kiss.

They can be as good as fingers.

They can be as trusty as the rock

you stick your bottom on.

But they can be both daisies and bruises.

Yet I am in love with words.

They are doves falling out of the ceiling.

They are six holy oranges sitting in my lap.

They are the trees, the legs of summer,

and the sun, its passionate face.

Yet often they fail me.

I have so much I want to say,

so many stories, images, proverbs, etc.

But the words aren’t good enough,

the wrong ones kiss me.

Sometimes I fly like an eagle

but with the wings of a wren.

But I try to take care

and be gentle to them.

Words and eggs must be handled with care.

Once broken they are impossible

things to repair.



FIO PARTIDO

Fugir à mágoa terrena

E ao sonho, que faz sofrer,

Deixar o mundo sem pena

Será morrer?


Fugir neste anseio infindo

À treva do anoitecer,

Buscar a aurora sorrindo

Será morrer?


E ao grito que a dor arranca

E o coração faz tremer,

Voar uma pomba branca

Será morrer?


II


Lá vai a pomba voando

Livre, através dos espaços...

Sacode as asas cantando:

"Quebrei meus laços!"


Aqui na amplidão liberta,

Quem pode deter-me os passos?

Deixei a prisão deserta,

Quebrei meus laços!


Jesus, este vôo infindo

Há de amparar-me nos braços

Enquanto eu direi sorrindo:

Quebrei meus laços!


Janeiro, 1901



In: SOUSA, Auta de. Horto. 4.ed. Natal: Fundação José Augusto, 197


BOÊMIAS

A Rosa Monteiro



Quando me vires chorar,

Que sou infeliz não creias;

Eu choro porque no Mar

Nem sempre cantam sereias.


Choro porque, no Infinito,

As estrelas luminosas

Choram o orvalho bendito,

Que faz desabrochar as rosas.


Do lábio o consolo santo

É o riso que vem cantando...

O riso do olhar é o pranto:

Meus olhos riem chorando.


O seio branco da aurora

Derrama orvalhos a flux...

O círio que brilha chora:

A dor também fere a luz?


Teus olhos cheios de ardores

Aninham rosas nas faces...

Que seria dessas flores,

Responde, se não chorasse?



In: SOUSA, Auta de. Horto. 4.ed. Natal: Fundação José Augusto, 197


SÚPLICA

Se tudo foge e tudo desaparece,

Se tudo cai ao vento da Desgraça,

Se a vida é o sopro que nos lábios passa

Gelando o ardor da derradeira prece;


Se o sonho chora e geme e desfalece

Dentro do coração que o amor enlaça,

Se a rosa murcha inda em botão, e a graça

Da moça foge quando a idade cresce;


Se Deus transforma em sua lei tão pura

A dor das almas que o Ideal tortura

Na demência feliz de pobres loucos...


Se a água do rio para o oceano corre,

Se tudo cai, Senhor! por que não morre

A dor sem fim que me devora aos poucos?



In: SOUSA, Auta de. Horto. 4.ed. Natal: Fundação José Augusto, 197


NUNCA MAIS

...Il n'est plus dans mon coeur

Une fibre que n'ait résonné sa Douleur.

LAMARTINE - Harmonies


Que é feito de meu sonho, um sonho puro

Feito de rosa e feito de alabastro,

Quimera que brilhava, como um astro,

Pela noite sem fim do meu futuro?


Que é feito deste sonho, o cofre aberto

Que recebia as gotas de meu pranto,

Bagas de orvalho, folhas de amaranto,

Perdidas na solidão de meu deserto?


Ele passou como uma nuvem passa,

Roçando o azul em flor do firmamento...

Ele partiu, e apenas o tormento,

Sobre minh'alma triste, inda esvoaça.


Meu casto sonho! Lá se foi cantando,

Talvez em busca de uma pátria nova.

Deixou-me o coração como uma cova,

E, dentro dele, o meu amor chorando.


Nunca mais voltará... Pois, que lhe importa

Esta morada lúgubre e sombria?

Não pode agasalhar uma alegria

Minh'alma, pobre morta!



In: SOUSA, Auta de. Horto. 4.ed. Natal: Fundação José Augusto, 197


NUM LEQUE

Na gaze loura deste leque adeja

Não sei que amora místico e encantado...

Doce morena! Abençoado seja

O doce aroma de teu leque amado


Quando o entreabres, a sorrir, na Igreja,

O templo inteiro fica embalsamado...

Até minh'alma carinhosa o beija,

Como a toalha de um altar sagrado.


E enquanto o aroma inebriante voa,

Unido aos hinos que, no coro, entoa

A voz de um órgão soluçando dores,


Só me parece que o choroso canto

Sobe da gaze de teu leque santo,

Cheio de luz e de perfume e flores!



In: SOUSA, Auta de. Horto. 4.ed. Natal: Fundação José Augusto, 1972

30 de setembro de 2020

Boa notícia

 



Boa notícia


A boa notícia é que começou a batalha

uma guerra geralmente sem vencedores.

Do marechal ao cabo

todos os soldados

sem quaisquer exceções

são franco-atiradores.


Invadi o campo inimigo

fui render e ser rendido

sem a menor cerimonia

sem medo do sentimento

sem convite, sem umbigo.


Pude ver fatos delirantes

a ternura tem dessas coisas.

Expus o sentimento ao vento

e o vento o levou emprestado.

Chegou a uma alta montanha

ao cume totalmente congelado.


A boa notícia é que descongelou.


O vento o trouxe de volta

mas deixou por lá forte resquício.

A sinceridade e o afeto

a coragem de enfrentar corredeiras

rio abaixo, precipícios.

A coragem fez um homem melhor

mais atento e prestativo

que dá valor e recebe.

Encarando as tempestades que passam

aproveitando o solo fértil

e a hora certa do cultivo.


A boa notícia é que as artérias vivem.


As veias não mais enferrujam

o óleo quente e doce do sangue

passeia, dando alimento ao corpo

dando luz à vida

e adoçando a alma.


André Anlub®

25 de setembro de 2020

Dois textos de 2008

 


Histérico, Frenético, Frenesi (2008)


De tudo um muito

por pouco aos poucos

ações julgadas por loucos

que habitavam o seu encéfalo.


Fugia de si mesmo

perseguidos por vozes

pedia silêncio a esmo

aos falantes atrozes.


Correndo sem direção

cabelos voando ao vento

mão e contra mão

ganhava tempo com o tempo.


Expresso de pânico e fúria

sangue quente na veia

uma doença sem cura

sua índole que esperneia.


Chegou ao ponto final

analisou-se com mais zelo

viu que era um (a)normal

acordou de um pesadelo.


André Anlub®


---------------------------------------


Um sonho


Olhos fechados pelo cansaço

lua solta lá fora

pés calejados, descalços

uma paz infinita

mente focada no absoluto

minha idade nos trinta

e em tudo que se pensa.


Como e bebo de tudo a mão

vinho vermelho como tinta

aroma, flores, jardim, assombração

entram pela janela sem pedir licença.


Chega o dia de branco

chega o céu de azul

uma ave canta um Blues

hora de levantar a esperança

um bom café com leite

agarro meu mosquete

começo minha andança.


Deparo com minha caça

grande urso com certeza

lhe falta a esperteza

me falta a raça.


Chego perto para não perdê-lo

a coragem me veio

não dei-lhe um tiro certeiro

foi o último e primeiro


Me fez correr pela mata

pensando no tamanho da pata

achei uma caverna para ficar

ele quase me mata.


André Anlub®

14 de setembro de 2020

excelente semana aos amigos

 



Não é brinquedo não

Viu a poesia com seu pulo largo desviando-se das críticas,

Caindo nos contornos límpidos das consciências

E escolhendo nada a esmo o caminho que avaliou ser certo.

Ouviu o verso leve pisando intenso com seu calçado soturno,

Colocando a marmita no bolso, a viola no saco e perguntando:

Onde é que eu durmo?

Na alvorada não comeu foi nada, tomou o seu remédio,

Foi para o colégio, grande sortilégio é responder à chamada:

(como um digno crédulo).

- Sou o verso que tirou o corpo fora de onde é bola fora... resolvi tricotar sozinho.

Deixou os poetas no vácuo, na válvula do silencio eterno... 

(mesmo que por um momento).

Deixou todos ao relento, em alquebramento, de passo lento em todo o acontecimento...

(mesmo que somente interno).

Reprise de um filme, déjà vu diversas vezes visto e lido,

A imagem da poesia se resvalando e esvaindo.

Num instante a lenha crepita, já é espantado o frio e a chaleira canta...

Cai-se na realidade, cai-se no dever cumprido: o papel tingido, a ideia exposta.

Agora vê a poesia e seu pulo curto; quase inativa mergulhada em crítica...

(ela não está nem ai)

Descobre sua imortalidade e sua boemia, sua sagacidade de mulher vivida.

(ela sempre bem resolvida)

André Anlub®

11 de setembro de 2020

Os vivos corais do mar morto

 



Os vivos corais do mar morto


A ideia vai e vem à paisana, é assim:

olá, escreva-me, como vai?

Ouço certo do outro lado da muralha

e a imaginação não se esvai

como um surto atípico.

Não me corta feito navalha

nem me beija como o fim.


Reaparecer requer confiança

é aceitar o dom que foi dado de herança

sem nem mesmo querer receber.

Tudo fica mais intenso e brilhante

quando as barreiras caem.

Pode-se ver, ouvir e sentir o além

e quando vem a implacável esperança

ponho-me a escrever cada vez mais.


O azar eu nocauteio

certeiro soco no queixo.

A solução está no fundo do mar

prendo o fôlego e mergulho até lá

mesmo em plena maré cheia.


Pude ver belos corais

que fazem desenhos que completam

os traços nos corpos dos peixes.

O feixe da luz do sol incidente

faz contentes as arraias 

que se entregam.


Enfim, vou repetindo as dicas

que venho recebendo na vida.


Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia

principalmente das farras em família

das ondas que vi o mar oferecer.

As paixões incompletas estressam

surgem, mas não se deixam ver

ficam cobertas com o manto da noite

e somem no mais sutil alvorecer.


André Anlub®


10 de setembro de 2020

excelente quinta




O trem, a vida, outrem


Vi os trens de Norfolk; mas foi num sonho.

Vi um céu igual o dos Simpsons, só que real.

(abre aspas)

Nunca duvidei de minhas capacidades,

Elas que ocasionalmente duvidavam de mim.

Hoje a “dúvida” é minha fiel engrenagem

Minha âncora, minha pólvora, meu estopim.

Hoje há nevasca só quando faço um desenho,

Mas meu empenho é sempre em traçar o amar.

O amanhã sempre em odes que eu mesmo resenho,

Estará lá, porém, também, para o insano em hesitar.

Quimeras de ocasião, canções que devemos aprender,

Seguindo as rodovias que trafegam os segredos,

Eu, você e as artérias e veias que levam nosso viver...

Nunca fomos de brinquedo.

(fecha aspas)

A vida ensina tudo a todos,

Mas a morte é egoísta, 

Não ensina nada a ninguém.

Nem ela, - nem eu, 

Sabemos o que um poeta quer dizer,

Mas a poesia sempre deixa algo no ar...

Ninguém sabe se é real.

Nem o poeta, nem a morte...

Só a vida sabe.


André Anlub®

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.