5 de maio de 2015

Anti-herói filósofo

Cães correm atrás de drone até dentro d´água em praia do litoral de SP; veja vídeo completo aqui => http://glo.bo/1DFHIVg #G1
Posted by G1 - O Portal de Notícias da Globo on Quinta, 23 de abril de 2015


Anti-herói filósofo 
(André Anlub - 2/1/13)

Não me acostumo a recear paixões,
Em qualquer esfera.

Já com meus quarenta e poucos anos,
Afortunado, burro de carga
Nos caminhos da vida
Em estradas esburacadas,
Dias nublados, na fome, na sede e na imaginação.

Será que sou anti-herói filósofo?

- Que tem a cabeça dura de pedra,
De frágil esteatito.

- Que tem perigosa peçonha
E usa para criar o antídoto.

- Que tem o coração guardado 
A sete ou oito chaves...
Mas deu cópia aos amigos.

A meu ver o amor foi descoberto
Na era Cenozoica, período Quaternário.

Perdidos, corações de artistas, traçados rupestres,
Ecos de pesares nas paredes das cavernas
E nas mentes apaixonadas.

4 de maio de 2015

Anjo sedento



Anjo sedento 
(André Anlub - 15/04/13)

Sedento cupido chegou, e nas costas carrega mágicas Flechas de ardor: - arco de osso de brontossauro, corda de tripa de Triceraptor, flechas feitas de costelas de homens que Semeavam amor.

São lançadas aos desígnios,
Voam ultrapassando cometas, 
Seguem as luzes das estrelas
E aos corações as carícias;

Fartas águas brotam límpidas em nascentes de rios;
Abriga, na paixão periga amparo, advindo da alquimia,
Já para – alvejado o amor.

Saciado, o cupido se engasga nas gargalhadas;
Deleita-se na verdade da entrega alheia... e em seguida lamenta (aos prantos) devora-se, grita, ajuíza e tonteia.

Inflama seu próximo armamento, derrama seu secreto tormento; de punho bem cerrado,
O arco e a flecha tomados na mão... 
Aponta para o próprio peito.

As paixões incompletas estressam, surgem, mas não se Deixam ver, ficam cobertas com o manto da noite
E somem no mais sútil alvorecer.

E por fim...



E por fim... 
(André Anlub - 04/04/13)

Ela quer recuperar a autoestima,
Não ser a vítima dentro da situação...
Na contramão de um sorriso largo,
Na contradição de um fácil enigma.

Não quer falar nada sobre o salto alto,
Nem a inocência da criança interior.
Não fala do caro perfume de barato odor
Que ao apreço e ao berço impregnou.

Traz má sorte ver a cara da morte
Antes de consolidar o casamento.

Se for para elogiar, que seja seu consorte,
Se for para ferir, que seja o mundo inteiro.
Se há algum segredo nos que cultivam medo,
Deve ser mostrado, pois o solo é sagrado;
E se o mesmo é fértil (produz belos rebentos)
Esconde-se o erro, fere a fogo e ferro.

Inquilino


Inquilino 
(André Anlub - 28/6/09)

   Pela sutileza do olhar de Rosa, já sabia o que queria... Não devidamente falado, não claramente pensado, mas sempre demonstrava com o olhar o que antes refletira. Um domingo como qualquer outro. Frio lá fora e as árvores cobertas com uma fina camada de orvalho balançavam com o vento forte e gelado que vinha do sul. Aqui dentro, nessa casa velha de madeira e forno a lenha, a temperatura era mais amena; enquanto houvesse lenha haveria calor. Tinham também os cupins comendo as paredes e uma velha escrivaninha no canto da sala, que brilhava porque recebera um presente meu: uma lata de verniz que achei no porão, fez a mesma que outrora estava sem vida, ficar linda, com jeito pueril, uma anciã tornando-se novamente criança. Entardeceu e nuvens negras no céu. Eu e Rosa, no ostracismo da casa, sem recursos e com inúmeras goteiras... Perguntávamo-nos o que poderia acontecer.  Lá de fora ouvimos um som estranho, um pouco abafado e sem direção; o som foi aumentando, ficando bem mais perto – mais grave – claro e objetivo. Era um urso pardo, grande, e pelo cair de suas babas, faminto. Corremos para o porão e não havia luz, nem pela janela entrava algum filete de luz. A mesma havia sido coberta por pedaços de galhos e árvores que caíram; a porta da sala foi-se abaixo, o urso havia entrado e foi de encontro a nossa mesa, esbarrou no rádio que caiu e ligou. Ficamos todos ao som de uma música calma; não dando atenção ao ocorrido... Comeu o resto de provisões que tínhamos e depois de se deleitar com frutas, deitou e dormiu ao calor da lareira e o som "So far away" de Carole King.

                                Meus Nerudas 4/5/15

Dueto da tarde (CXLIII)



Dueto da tarde (CXLIII)

O tempo valioso perdido aos ventos – no ar –, perdido na chuva que cai e banha e refresca.
A valia do tempo encontra-se com a valia da eternidade, que já se esfumou em nuvens que não mais.
Foram os tempos de leva e trás – sabor de júbilo na veia. Nos tempos de hoje o tempo vale ouro, mas o que é jogado fora se torna areia.
Areia espera água, água espera cimento. Nada é para sempre, mas tenta. Isso atenta. 
O tempo que não volta atrás – frase difícil –, mas o preocupante é o tempo que não segue em frente.
Pré-ocupação. Vem antes do que de fato existe. E o que de fato existe é tão passante como o que não se consegue prender com as mãos.
Como a água que passa entre os dedos – cai ao chão –, passa entre empecilhos e como um trem em tortos trilhos viaja e se mistura com a gravidade do tempo, terra do tempo, mar do tempo e areia.
No coração do coração há uma incerteza. E é exatamente o que dá certeza de viver. No coração do coração há uma insegurança. E é exatamente o que dá chão para viver.
Se o tempo for errado e absurdo, em breve passa num estampido mudo. Se há o tempo certo para tudo – ele fica e deixa fruto, aprendizado e acerto de quem um dia pode ter sido errado.
O que é “errado”, pergunta o tempo. E já passou. Se o errado não passa com ele, alguém está... errado.
O que é o “acerto”, pergunta o errado. E já acertou. Se há a curiosidade do esclarecimento.
Tudo isso o vento varre. Tudo isso é eterno já passando. O que fica é o que vai junto. O substancial é o que se desmancha e vai junto.
Os ponteiros não param e a bola não cansa de girar – são duas certezas menos precisas que o próprio tempo que as move. “O tempo é o senhor da razão” – agora sim, os ponteiros e o mundo apostam suas fichas.
Apostam e perdem. Porque a razão pretende ser senhora do tempo quando diz que o tempo é o senhor da razão...

Rogério Camargo e André Anlub
(4/5/15)

3 de maio de 2015

Dueto da tarde (CXLII)



Dueto da tarde (CXLII)

As lembranças se atropelam. Até existem sinaleiras e faixas de segurança. Mas elas não respeitam. 
Andam cabreiras pelas ruelas das raízes do cabelo, sentem o cheiro da fumaça, do perfume e do odor e o doce aroma do shampoo de aveia.
Trânsito difícil, pesado. Muita impaciência dos buzinantes. E as memórias com carga urgente para entregar se enervam.
Há lembranças folgadas, com a mão espalmada acima da trombeta aguardando o sinal verde; mas também existem as leves e discretas, que andam, trabalham e passeiam de bicicleta.
Há lembranças flanando em roupas leves de verão. Há lembranças encasacadas e tossindo. Há lembranças com radinho de pilha no ouvido acompanhando o jogo. Há lembranças que nem vieram, com receio do trânsito caótico.
E lá no canto, escondido pela sombra do lóbulo da orelha, atrás do brinco e da tatuagem de borboleta, há na memória o seu olhar castanho claro, penetrante, meio de lado que ficou congelado desde a nossa separação.
Para ele não há guarda de trânsito, não há Código Nacional de Trânsito, não há nada além do meu mau trânsito por uma dor que apunhala.
É a buzina mais alta no sinal que não abre da carga extremamente pesada que se abraça ao achaque.
O ruído angustiante de uma freada brusca. O som assustador de uma batida violenta. O arrepio de um grito desesperado. As lembranças se atropelam. E uma (a sua) me atropela. 
Estendido no chão, beijando o chão que não me beija, peço/imploro a única bênção que me socorre entre tudo que me ocorre: amnésia!

Rogério Camargo e André Anlub
(3/5/15)

Não me enfastio quando falo de amor

Foi um rebuliço! Imagine um verão cheio de latas de maconha. Assim foi o verão de 87 no Brasil. http://goo.gl/HUcktaESTE SÁBADO, estreia VERÃO DA LATA às 22h.#VerãoDaLata
Posted by Canal History Brasil on Quarta, 3 de dezembro de 2014


Não me enfastio quando falo de amor 
(André Anlub - 12/9/12)

Dizem que de nada vale uma luta 
Se não for por amor.
Mesmo que não seja
De um modo direto e/ou visível.

Por sobre barreiras,
Andando por cima das águas,
Atravessando penhascos
E aguentando o calor.

Elogiando e rasgando seda para o verdadeiro amor:

- intrínseco e salutar - precioso e impagável
O verdadeiro é quase sempre eterno.
Encontrado em variadas esferas,
Quando dividido é insuperável
Andando na fina camada de gelo do lago congelado:

- é frágil, isso é incontestável!
Cristal fino – bebida rara em fina taça
É mágico, enfático, abracadabra!
Cada respirar – cada passo.

Lutando contra o tempo da saudade e da distância:

Se um segundo é piscar dos olhos,
Sozinho é uma eternidade.
Aperta o peito e cai uma lágrima.
Amor é aquém e além da realidade.

2 de maio de 2015

Dueto da tarde (CXLI)



Dueto da tarde (CXLI)

Consonância fina de uma sintonia perfeita como uma luva feita para caber em qualquer mão. 
O côncavo e o convexo têm inveja, lua e estrela não casam tão bem. Usar a mesma frequência e não se atropelar. 
É estar e não estar, o imperceptível extremamente visível, mas só visto aos olhares internos. 
Sombras que se tocam no escuro. Não há falta de luz em sombras que se tocam no escuro. Há sombras tocando-se no escuro, apenas. 
Os sons são absurdos, zumbidos, vozes, cantos, murmúrios dos mais extensos timbres.
As entrelinhas entrelaçam-se e entre suas linhas – entre seus laços – o suspiro do que não está ali marca presença.
E à ausência de um testemunho há muita indiferença. Foram, querem e são o que foram, são e querem.
Uma lembrança de que sempre foi assim não conversa com uma lembrança de que nem sempre foi assim.
A sintonia entrou na perfeição e saiu do lugar comum, pois mergulhada na aceitação nada mais é opressor e ninguém mais está oprimido.
Mesma direção, mesmo sentido. Não há necessidade de placas nem de mapas nem de GPS.
Agora as sombras se tocam no claro, mesmo que olhos não vejam ouvidos não ouçam bocas não falem; agora o côncavo se faz convexo – e vice-versa – no reflexo do outro ponto de vista.
Sim, tonia – sem atonia, sem afonia, sem agonia, sem nada além de uma vida inteira e tudo que é de uma vida inteira.
Desliga-se a luz e o som, desliga-se a sintonia fina e a consonância perfeita ligando o status em “procura” para um novo passo à frente no caminho. 
É do tropeço que se ergue e mantém.

Rogério Camargo e André Anlub
(2/5/15)

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.