16 de maio de 2015

Madrugada de 15 de maio de 2015



Inteiramente a favor de sempre persistir neutro... Até mudar de posição. 
(Madrugada de 15 de maio de 2015)

Acho que a era das raspadinhas passou. Ontem fui tentar a sorte e não achei nenhuma à venda. Não, não é trocadilho... Foi real. Cheguei à lotérica e não havia uma raspadinha sequer colada no vidro do caixa ou pendurada na banca de jornal logo em frente. Simplesmente sumiram! – Mas vamos ao que interessa, ou nem tanto... Hoje no trivial banheiro matutino fiquei pensando em quantas estradas escolhemos ao longo de nossas vidas; quantos caminhos dentro dos caminhos, quantos atalhos, ruas desertas, muros altos e baixos tivemos que pular... E os posicionamentos? Alguns rápidos em escolhas difíceis, alguns difíceis em longas escolhas, os lugares que dividimos e amizades que escolhemos ou que escolhem a gente. Algumas escolhas que adotamos nas nossas andadas nessa roda gigante alucinante chamada vida (na verdade está mais para montanha russa) têm implicações eternas, cicatrizes agudas que nos lembram todos os dias de tais fatos (lembro-me que já escrevi um poema sobre isso) – (esse papo de roda gigante lembrou-me do Tivoli Park que eu ia quando guri). Só você conhece tão bem suas estradas passadas, seus prantos feliz e triste, seus gigantes e anões abatidos, seus problemas sem solução e os solucionados, seus sonhos mais íntimos e pesadelos bizarros, gostos e desgostos, agradecimentos e revoltas. Só você conhece essas coisas tão bem. Mas mesmo assim poucas pessoas realmente se conhecem. Andamos em círculos quando não aceitamos aquele arrepio na nuca, aquele medo de tal passo, aquela ausência da zona de conforto. Para cada temor que haja comedimento; para cada angustia que haja paixão. Havia anteontem um belíssimo desenho em um muro que seguia e acabava ao longo do meu quarteirão, até a minha esquina. Ontem me deparei com tudo cinza, pois pintaram por cima – não entraram no clima. Hoje irão demolir o tal muro para construir uma enorme oficina. É o fim da linha; é o rabo abanando o cachorro. É quase um truque do destino, uma peça pregada pelo tempo que tem pressa em cima do fadário etário do velhinho de outra era. Já era! A criação faz de tudo para estar absoluto para o criador; no dia seguinte tudo é hoje e o amanhã é amanhã, mas o ontem sempre será passado. Duas vezes as estradas se cruzaram, uma no inicio e outra no fim; por duas vezes a vi desvairada, antes do início e antes do fim. É loucura, mas nunca foi dito o inverso; é sonho, mas nunca se acorda para saber. Dou uma dentada no meu sanduiche no pão doze grãos com alface, rúcula, manjericão, camarões médios fritos, queijo ricota e um pouco de açafrão. Açafrão é extraído dos estigmas das flores, do sexo delas; tem gosto aprazível e é um excelente tempero... A meu ver. Pão de maluco às uma e meia da manhã. Vou pintar meu corpo para a guerra, levar minha melhor espada e preparar meu grito. Preparo também o palpite e aposto todas as minhas fichas no inimigo... Perdendo ou ganhando eu ganho. É estranho? – realmente é! Já ouvi falar em alma que fica vagando sem poder pertencer a lugar algum. Ficam presas na lama do limbo, sem esperança e destino... Apenas ficam. Amanhã vou atrás das raspadinhas lá pelas bancas do centro. Quem sabe por lá tenho sorte.

André Anlub

Enxugando os Prantos (parte II)

so close to death
Posted by Mavi Kocaeli on Sexta, 15 de maio de 2015


Enxugando os Prantos (parte II) 
(André Anlub - 18/9/14)

Os homens levaram a melhor, restauraram sem piedade os próprios corações... as nuvens, no gritante azul piscina do céu, ficaram devidamente alinhadas.
Aqui, ali, todos esqueceram que previram a tempestade que jamais se formou; vestes novas, bebidas aos litros e litros, frutas raras e frescas abocanhadas... e nas madrugadas uma surreal lua fluorescente. Como plano de fundo: casais e seus calorosos corpos colados, sorrisos aos montes e seus extensos beijos; no plano mais à frente: crianças corriam felizes, brincavam com brinquedos de madeira e não se fantasiavam de adultos... e não aconteceu o absurdo das águas se tornarem doces e estragarem os dentes. Aqui, ali, a mais completada ordem; muros e rostos pintados com coloridos belos, sem o grafite nervoso da política e o esboço de um papel impiedoso. Em breve os cárceres seriam demolidos, pois jamais tiveram serventia...
Museus de coisas que não existiram... expostos à revelia. A luta por tudo e a luta por nada, nessa mesma madrugada de lua brilhante. Enfim, todos na espera da alvorada, ainda mais o amor... o sol nascerá irradiador, e de fato de um parto; o cordão umbilical nos dará a chance de alcança-lo de fato... tudo no imaginário – possível – no imaginário. 

Dueto da tarde (CLV)



Dueto da tarde (CLV)

Embarco neste amor que me toca em absoluto, desnudo e sincero, que só de ti poderia vir.
Sou navegante atento desatento: cuido os recifes e corais, mas durmo embalado pelas ondas.
Vejo o sol poente, morrendo e renascendo para morrer novamente entre duas montanhas secas pela falta de chuvas; lembro-me dos ensinamentos de Sidarta.
Preciso reler “Sidharta”. E “Demian”. E “Viagem ao Oriente”. E jogar no oceano meu jogo das contas de vidro.
Toco meus dedos nesta água abençoada e sinto-te em equilíbrio; a terra treme e como nos escritos: os desejos e tentações dos demônios de Mara evadem-se.
A tua palavra me fala da minha palavra e do que deixei lá dentro, naquele baú que um dia me mostraste.
Com a mente em paz, desperta para a paz, e cercado por flores de Lotus, mares e estrelas brilhantes, o universo conjura a mim; não há nada mais para buscar ou consertar.
Resta o afogamento: no mar do teu amor, no amor do teu mar: há mares que vêm para o bem...
Minha jornada continua banhada no ascetismo. Reafirmo todo este amor liberto na alma e deixo-te voar livre para onde bem queiras.
Asceta, esteta, atleta: completa presença da abstração, total concretude da essência.
Velas se acendem e ascendem aos olhos, aos ventos e a terra. Maré mansa no meu Ganges salgado – não há drama, o Darma não dorme e é tão comum e intenso aos navegantes leais.
Deposito minhas certezas ao pé de tua paciência e tu as recebes com o mesmo olhar que me acende e mantém a chama desde sempre.
Beijamos os mares, abraçamos as terras e veneramos os céus sem coações, ambições e cárceres – “da lama nasce a Flor de Lótus”.
Talvez sejam apenas minudências. Se forem, culminares em mais paciência para comigo não será surpresa. Nem que a Flor de Lótus viceje no meio do oceano.

Rogério Camargo e André Anlub
(16/5/15)

Cárcere da Criação

Mauro Senise é um dos maiores expoentes da música instrumental brasileira.Às 18h, confira seu novo projeto "Danças",...
Publicação by Canal Brasil.


Cárcere da Criação         
(André Anlub - 10/1/10)

Na imaginação madura que explode em uma linha, 
Que mesmo velha renasce todos os dias;
Na solidão insegura, que mesmo a perigo
Se fortalece com ela:
Os “zás” das canetas quentes são os “ás” nas mangas frias.
O poeta perpetuado nas idéias e criações
Faz de impurezas e mazelas em seu nobre ganha pão.

Na mais absoluta certeza do amor que sente na escrita,
Faz dos sons recitados, iluminadas orações;
Absorve do mundo, do dia a dia, histórias e magias
Juntando a verdade
Com o medo da mentira premeditada;
Se sente o moribundo mais vivo,
Espelho do íntimo de todos.

Voando em um mundo próprio,
Se perde e se cobra no nada.

Mundo surreal de ouros e de sobras!
Fita um objetivo: agradar sem ser o óbvio!
Por muitas vezes consegue, e vai além, se desdobra.
Sendo valorizado, alimenta seu ego persistente,
Ovacionado por vezes preso a criação;
Se sente em cárcere, viciado e doente...
Mas no final é o medo, apego, inspiração.

15 de maio de 2015

A luz do amor

Tem café ai? Entãão... vamos desenhar um panda!
Posted by Tudo Interessante on Sexta, 15 de maio de 2015


A luz do amor      
(André Anlub - 3/3/11)

Beleza exposta no tom de um ingênuo feixe de luz multicolorido entrou pela janela e beijou meu subconsciente;
De criança inocente tornei-me seu adulto amante,
Em um amor nada errante – em uma paixão toda ardente.

Tesouro das águas profundas, 
Ricos barcos afoitos;
Vidas que fulgem no ouro
Que ofuscam olhos presunçosos,
A cada passo e a cada raso e a cada fundo.

Um plantar em outras épocas,
Agora inevitável fruto.

Amor profundo,
Para o mundo não findo tal amor...
Amor vagabundo 
De pés descalços na grama mais verde.

Sinto no seu encalço o verdadeiro flerte:
- perdido e achado 
- no fundo e no alto
- doado e presente.

Firme e forte caminhando
Em frio e calor:
- povoará esse seco mundo
Que a neve derreteu.

Dueto da tarde (CLIV)



Dueto da tarde (CLIV)

Alguma coisa no ar, fora do ar, dava o ar de sua graça de graça.
Estava mais que na hora de orar e arar a (à) terra.
Não só pela fome inevitável. Não só pela vergonha da inércia. Havia tudo mais.
Pés rachados em solos rachados e o sol de rachar na pele estigmas de anos de trabalho árduo.
Suor e cheiro de suor e acidez de suor e manchar de suor. Na roupa e na alma.
Olhos cerrados na serra e na sorte que está na terra e não se enterra na figa que não cai por terra.
Quem erra? O errante, talvez. Quem acerta? Quem traz aberta a ferida submetida e consegue fechá-la.
Alguma coisa na veia, junto ao sangue de guerreiro que corre em disparada sem parada e sem freio.
Está no céu, está na água, está na água que cai do céu. Chega à terra e a terra é isto, convite/desafio ao trabalho.
O galo canta e o cheiro do café adentra o quarto, águas lavam a cara, mão na enxada e beijo na mulher amada... Pé na estrada em mais um dia qualquer.

Rogério Camargo e André Anlub
(15/5/15)

Anéis de ouro branco

The rapid change in the Arctic is almost unbelievable, until you see this video from NASA. (The last 20 seconds are the most shocking).
Posted by The Climate Council on Segunda, 2 de fevereiro de 2015


Anéis de ouro branco       
(André Anlub - 27/7/13)

Teus anéis de ouro branco,
Brilham como os dourados;
São de dureza feito ferro,
Redondos como o globo.

Anéis como tu és: valiosos e únicos,
Carregados com gosto, mas que ostentam a penúria
De serem vistos e terem utilidade.

Tu viajas onde divagas, devagar reages.
Vives na teia da aranha que abraça o todo:
O mundo, as pessoas e os desejos.

Na elegância que tens, encontras versos na ponta do lápis e todos tem dito:
- como é bom ler-te, cada letra, cada frase, cada verso...
A união das palavras em coito vivo.

Está ai, pra quem quiser ver: a paz e o amor!
Que saem do coração e derramam
Em delírio, em choro e grito.

Bonifrate

Pura vida!
Posted by Tribo Surfon on Quarta, 18 de março de 2015


Bonifrate       
(André Anlub - 11/10/11)

Nem imagino por onde é o começo,
Quiçá pela dor que corrói em saudade;
Nessa idade que se iniciou o apreço
Que migrou para incontrolável vontade.

Decompondo o corpo de bonifrate (brinquedo)
Trazendo a pior das tramas do enredo.

O coração tornou-se ferro e ferrugem,
Carecendo do óleo quente da amargura;
Talvez o erro de almejar o impossível,
Senão a demência de só ver a negrura.

Não tenho mais rotatividade na alma:
Velho, meu coração anda torto.
E o porto que há muito tempo vazio,
Expõe os corais de um amor absorto.

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.