28 de março de 2012

Grande Millôr

Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923 - Rio de Janeiro, 27 de março de 2012)





PS:

Longe do lugar comum
Te vi no corpo de um beija flor
Pairavas olhando para mim
Por sobre o campo de rosas...
Fiz poesias e prosas
Que sempre afastam minha dor.
Como em um mar bem calmo
Que bóiam papiros de salmos...
Escritos, palavras de amor.

André Anlub

27 de março de 2012

Quando iniciei a série “Algumas Histórias”, quis passar um pouco de alguns períodos da minha vida, não que sejam casos/épocas melhores ou piores, são apenas pequenas lembranças.
Poderia escrever um livro com o material de lembranças que tenho até o momento, mas optei por algo mais poético, em forma de prosa poética com pitadas de humor!

André Anlub



Imagem: Tabajaras/morro dos cabritos/Copa - 2002

Algumas Histórias VII

Festa Junina na praça do Bairro Peixoto
Copacabana, início da década de noventa
Eu e mais três amigos resolvemos abrir uma barraca
Vendendo salgados, cerveja, quentão e batida de coco.

Aproveitamos uma árvore que tinha um forte tronco horizontal
A mais ou menos dois metros do chão
Fizemos de teto e sustentação
Escrevemos no tronco com tinta branca um conhecido chavão:

“Quem procura acha aqui”

Por quatro dias foi nossa vendinha, nosso ganha pão
E o quinhão fervia, e a cerveja não dava vazão
Para satisfazer a freguesia, tivemos que comprar em novo endereço
Quando acabava o estoque comprado do mercado, a saída era o bar do Carlinhos
Comprando gelada e mais cara e revendendo com nosso preço.

No último dia de festa caímos na folia também
Os bolsos cheios de grana e a madrugada chegou
Fecharam-se os bares, acabou-se a bebida
Mas eu ainda tinha disposição para ir além.

Mesmo de calça e camisa nova peguei a bicicleta
Pedalei no calçadão até a praia do Leme
Lá eu sabia que tinha um bar que não fecha
Cheguei lá estava lotado – parecia que todos tiveram a mesma idéia.

Depois de mais três horas de copos e novos amigos...
Resolvi pegar um ônibus e voltar para minha casa
Mas antes de dormir alguma coisa eu estava dando falta.

Ao acordar com minha cabeça em brasa
Entrei na ducha fria e voltou minha memória...
A minha “magrela” dormiu ao relento!
Essa realmente ficou para a história.

André Anlub


Imagem: web

Algumas Histórias VI (Continuação)

Constante Ramos, Copacabana
No bar da esquina tudo a contento
Cerveja gelada, aperitivo, e eu já estava tocando minha gaita
Mas a paz se quebrou naquele exato momento.

Um barulho forte de freio e colisão
O som vinha da praia e ecoava em agonia
Levantei, estiquei o pescoço e vi o carro em contramão
Estava pegando fogo e ainda em movimento.

Corremos para prestar alguma possível assistência
Não havia mais nenhum carro envolvido no acidente
Juntaram os curiosos, os transeuntes
Muita fumaça e o carro queimava na minha frente.

Fui ao quiosque da praia e peguei um extintor de incêndio
Havia uma pessoa dentro do carro, nas chamas, no volante
Ao mesmo tempo em que meus amigos gritavam pelo bombeiro...
Aquela cena, fumaça e fogo, era chocante.

Mesmo sem poder vê-la, eu falava para a pessoa no carro ter calma
Corri para bem perto usando o extintor e me sentindo um herói
Quando extingui o fogo pensei que tivesse acabado o tormento
Mas o ego inflado demais às vezes dói.

Não era uma pessoa, era apenas o encosto do assento
O motorista havia saído muito antes - pulou do carro andando
Meu ato heróico havia se tornado amargura
De mocinho para louco – a vida nua e crua.

André Anlub


Imagem: web

Paz e Amor

Minha paz...

Procurei minha paz em meu norte
E com sorte achei muito mais
Minha paz é colosso, forte
Muito além que presente é minha paz.

Uma paz revolucionária
Conquistada na infância
Na elegância das brincadeiras de criança
Mas nunca foi imaginária.

Mas a paz se perdeu
Se foi, arremeteu
Era imortal, mas acabou
Não tinha fim, mas morreu.

E no enterro da paz
No “aqui jaz” do bem querer
Jamais irei saber
Se a paz é você quem faz.

E meu amor...

Procurei meu amor em todos os cantos
De Botafogo ao Catete
Em baixo do tapete
E até em outros planos.

Procurei na nostalgia
Felicidade, magia
Inenarráveis emoções
Só achei desilusões
Com o criador e sua cria
Uma falésia se erguia
O que sacia os corações.

Amor, que de gigante nunca encolheu
Estacionou no apogeu
Mas se arriscou e cansou
O que sobrou do céu
O vento que levou

Azedou o mel.

André Anlub

Imponência

De uma forma deveras palpável
A grafia renasce no arcabouço
Vindo de uma sensação mutável
Tornando-se finalizada ante o esboço.

As letras jamais envelhecidas
Amareladas com rigidez perene
Órfãs sem jamais terem nascidas
Lapidadas pela sutileza do cerne.

Apólogo nas mentes funcionais
Decreto soberbo dos irracionais
É boa imprecação em todas as formas.

Sem acatamento diante da alusão
Dona de si perante comunhão
Jamais dará ouvidos às normas.

André Anlub

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.