25 de abril de 2015

O sábio e o tolo

Forromob em Colôniagalera dançando forró em frente a catedral de Colônia
Posted by Bicho de Pé on Quarta, 13 de junho de 2012


O sábio e o tolo 
(André Anlub - 24/3/13)

O mais sábio homem também erra,
Erra ao tentar ensinar
Quem nunca quis aprender.

Os tolos morrem cedo!
Senão por fora
Morrem por dentro... ou ambos.

O mais sábio homem
Também ama.
E nesse amar,
Mergulha... e se entrega,
Confia e muitas vezes erra.

Os tolos desconfiam, nunca arriscam,
Nunca amam, por isso acabam não vivendo...
Morrem por dentro e por fora,
Acabam errando sem jamais terem sido sábios. 

Dueto da tarde (CXXXIV)



Dueto da tarde (CXXXIV)

Uma pequena modesta singela flor obscura na beira da estrada.
Jeito jovem de imaculada nua, menina moleca, selvagem delicada, isolada só e nada à toa.
Seu perfume imperceptível soma-se a tudo mais de imperceptível nela.
Faz do externo sentinela e dos olhares alimento. É inércia e movimento, escultura e aquarela.
Quem passa por ela passa pelo nada de uma vida toda e pela intensidade infinita de uma vida toda.
O vento a beija e nada, então ele se vai; o sol a embriaga e nada, então ele se vai; a lua lhe paquera, flerta, beija, embriaga e fica até amanhecer.
A tudo deixa passar estando. Não por acaso escolheu o anonimato. Escondida em si mesma, brilha ao sol de si mesma.
É flor formosa dona do pedaço, ocupando seu espaço de maneira magistral. É flor quieta de quenturas internas, sonhos intensos na saliva do açúcar e do sal.
Não há uma história para contar dela. Mas toda e qualquer história cabe nela, inteira, da maneira que quiser.
É apenas uma em mil, em mim, em nós, mas em todos ela desperta alguma coisa, algum sentimento, e isso ela já deixa de lembrança.
Flor particular, flor genérica; apenas uma e todas elas; insignificante e sustentando o universo. 
Confesso que cria o fascínio, faz o dia ainda mais belo, menos arredio
E se eu tiver que lhe contar, vou lhe contar apenas isto: 
É uma pequena modesta singela flor obscura na beira da estrada, bela e formosa como outra qualquer.

Rogério Camargo e André Anlub
(25/4/15)

Madrugada de 25 de abril de 2015



Madrugada de 25 de abril de 2015

Não se diz ganancioso, apenas não se contenta com pouco; só não percebeu ainda que também não se contenta com muito.

Uma corda:

Já baixou a noite, deitado e cansado vejo pela janela as estrelas sorrindo no céu;
Faz um frio atípico que pode futuramente principiar um temporal.
Já fiz minha leitura noturna, escovei os dentes e bochechei o enxaguante bucal.
Vou até a cozinha e abro o freezer deixando sair aquele bafo de fumaça gélido e gostoso, pego um copo comprido e coloco gelo até a borda e na porta pego a garrafa de vodca (resfriada/intensa – branca/alva – coloidal/viscosa – irresistível/fatal).

As asas querem voo, me incomodam, querem que eu volte à leitura ou pegue a caneta.
Mas com o copo na mão e o líquido na cabeça: estou de muleta.

Um acordo:

Fiz um acordo certa vez, um pacto com um dos meus medos e com o mais forte deles.
Nosso encontro foi em sonho: eu solitário no mar com ondas gigantes – é impossível estar sozinho quando se tem ondas gigantes, mas eu estava –, nada de terra em volta, nada de ilha nem sequer um barco. O medo voava enquanto soltava uma forte chuva sobre mim e soprava um vento muito frio e extremamente forte, no estilo terral, que fazia nas ondulações pequenas chuvas ao contrário. Era um cenário “Hitccokiano”, só um pouco pior, que parecia durar uma eternidade; eu gritava a ele para deixar-me livre, para expor a verdade, para não me enrolar mais... Ele concordou e eu então acordei.

Quando o tempo passa em branco é como estar alegre na jaula o Corvo; se acomodando no contrassenso de ser castrado da liberdade do voo.

Um acorde:

Pego minha faca importada, minha faca de guerra, sento na varanda ao relento e começo a amolar – é um bom passatempo. A madrugada grita em silêncio, os cães das casas vizinhas e os daqui fecharam suas bocas sorridentes e babonas. Agora falta pouco, falta o parco: um mar, uma vara de pescar, uma lua cheia, inspiração e um barco.

André Anlub

24 de abril de 2015

Manhã de 24 de abril de 2015



Manhã de 24 de abril de 2015

“Êta, porreta” deixo para trás o rompante e no montante e na montanha vejo essa manhã, tamanha, sedenta de inspiração. Manhã avermelhando ao longe...
Cereal, frutas, café – sustentação –, o branco da parede e quadros coloridos, aqui.
Vou dar minha corrida e ganhar pensamentos; ganhar sonhos e novidades;
Vou dar minha pitada de irrealidade e abarcar fingindo ser um monge.

Não escondo minha simpatia pelo Budismo! Nem deveria.
À revelia está em quilo/peso a religião contraditória, algumas oratórias sem noção;
Há momentos em que não me queixo, e o quebra-cabeça se deixa e se encaixa... 
Na maioria dos momentos não.
Prefiro sempre a adequação...
Ter uma/duas/três escolhas (fiz escola nisso) e fazer o que acho sensato, justo e honesto: sem ordem – desordem – prevaricação.

“Êta, disposição”, é bom acordar para vida depois de acordar da cama e depois de anos estagnado; não vou mais reacender tal (nenhum) carma (não foi para fazer trocadilho, gente. Juro!).
Já vivi na lama; já vivi no limo; já vivi no limbo; já vivi sem gama e “me virei” na vida sem colorido – sem poesia – sem improviso, com garrafas e ideias sempre vazias (ou a caminho)... Sem fim, sem confetes e sem ninho.
Na obsessão pela saída achei a poesia. Hoje a amo sem a necessidade da recíproca.

André Anlub

Dueto da tarde (CXXXIII)



Dueto da tarde (CXXXIII)

O peso da consciência desafia a lei da gravidade; é dilema, é problema, é iniquidade.
Culpa não é solução: é problema. Teorema muito mal conduzido. Cinema mudo e comprido como o arrependimento.
Já não há mais idade para se sentir capaz. Vê agora por cima: cenas em câmera lenta o que deixou para trás.
Cobre seus passos com outros, iguais e diferentes, os mesmos mas nunca os mesmos. Porque hoje é ontem, mas hoje é hoje.
Não há mais planeta em que caiba a certeza do cimento pronto e seco, e de refresco seu desenho em afresco na muralha que sobe voraz.
O peso da consciência, o peso da muralha, o peso nos pés, que poderiam andar e só se afundam neste pantanal.
Mais uma vez veio à gravidade moldando a consciência como um peso pesado (grande muralha)... Não haveria nada de errado em errar urrando estar correto, se estivesse correto.
Roído pelo que o corrói, abre estradas no rosto com as unhas. Nelas transita o transe intenso em velocidade máxima, que vai muito além da compreensão, rompe a barreira do som, vai ao espaço vencendo enfim a gravidade.
É grave vencer a gravidade. É ela quem mantém a coesão da matéria. Em matéria de desespero, ele ainda não conheceu tudo...
O mais grave vem agora, pois terá que vencer o peso da consciência... E por ter derrotado a gravidade está ainda mais pesada.
É a derrota na vitória. Enfim, pra frente é que se anda, diz ele, patinando no ar sem sair de onde está.

Rogério Camargo e André Anlub
(24/4/15)

Dia no vácuo

Somos todos vira latas! <3
Posted by Irene Nunes on Terça, 21 de abril de 2015


Dia no vácuo
(André Anlub - 3/2/12)

Ontem a inspiração não deu as caras,
Tornou-se peça muito rara
De um dia chuvoso de março.

Ontem nem sinal de uma ideia,
Mesmo com choro e com vela,
Com água que encharcou a janela,
Respingou nas minhas pálidas folhas.

Ontem mudei na arte o meu foco!
Já estava com saudade das bolhas,
Nas tintas e em minhas mãos dos cinzéis;

Dos pincéis tirei a poeira
E encruei na mente a aquarela.

Hoje na alva das nuvens...
Como bela ave do paraíso,
Desceu e mostrou-me em sorriso
E pintou as folhas brancas e telas.

Politicagem



Politicagem 2010 (do livro “Poeteideser”)
(Música originalmente escrita em 2004)

Se liga que vou te contar agora
Como acontece essa triste história:
O lado mais pobre um trabalho árduo
E o outro lado representa a escória.

Uns morrem de fome numa fila,
Outros compram porcelana;
Uns se perdem da família,
Outros brigam por herança.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente/está sem dente/está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá...
Até onde essa zona vai parar.

Pra tudo ele tem resposta
Sempre uma proposta
Sem jeito, indecorosa.

Sobe em um palanque:
- um terno, uma gravata,
Com um sorriso
Preparando a mamata.

Estende as mãos
Estende os braços
Desfaz-se em pedaços
Tudo vai resolver.
O mundo ficar quadrado
O inferno, congelado
É só ele prometer.

Já sabem de quem eu falo?
Mas é melhor, eu me calo
Se não, vão me prender.
Vou indo sem rumo sem graça
Andando por toda praça
Até desaparecer.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente/está sem dente/está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá.
Até onde essa zona vai parar.

Num pais que reina a violência,
O governo uma indecência;
Discursos sem coerência
Sem jeito nem vontade de mudar.
Vai chegando à época
Aparece a solução
Para fome, os buracos, o transito...
É eleição!

- Aumento de salário, 
- Acabar com as filas
- Escolas para as crianças...
É ilusão para as famílias.

Invadem os rádios, os postes e a tv,
Depois o sujo (o porco) é você.
Enganam o povo, falam mentira,
Estão loucos pra mudar lá pra Brasília.

Mas essa história não termina aqui,
Sem um emprego virando faquir.
Faça uma greve, vá para as ruas,
Saia da lama... A escolha é sua.

E assim levamos a vida,
Abrindo e fechando a ferida,
Lutando pra isso acabar...
Durmo assustado também,
Rezando esperando alguém,
Pra tudo melhorar, amém. 

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.