9 de março de 2015

ALGUNS MINICONTOS

- Faz assim, ó: esquece que eu existo, tá?
- Como é que eu vou esquecer que você existe se você não sai da minha cabeça?
- Então sai da tua cabeça, vai dar uma volta, faz um tour pela Europa. Aí dá tempo de eu sair de lá também.


- Eu queria que você viesse comigo ver o tamanho da minha tristeza.
- Mas isso não é programa!
- Exatamente. Isso não é programa.


Os olhos da montanha passeando pelas mãos da montanha, que se estendem até os cabelos da montanha e passeiam junto.


Ninguém queria saber de Vantomino Brigga. O bom é que Vantomino Brigga também não queria saber de ninguém e então essa troca de silêncios fazia bem a todo mundo.


O pequeno soldado encontrou o grande soldado em franco desânimo, já nem limpava seu fuzil, já nem lustrava seus coturnos. O pequeno soldado esforçou-se para animar o grande soldado, que lhe devolveu olhares apagados como um resto de fogueira. Mas quando o pequeno soldado pôs-se a cantar hinos de guerra com sua voz esganiçada, o grande soldado aplicou nele o que sabia de artes marciais.


- Eu gosto de Bertilina. Se ela não gosta, diz logo que não gosta. E você?
- Eu o que? Gosto de Bertilina ou digo logo que não gosto?


Geremundo olhava fixamente um ponto no horizonte que não estava no horizonte. Geremundo tinha dessas coisas. Ou essas coisas tinham Geremundo. Porque quando ele olhava um ponto no horizonte que não estava no horizonte parecia que era nela que o ponto tinha vindo parar.


O até daqui a pouco ficou olhando o até nunca mais afastar-se em passos duros, como quem não volta mesmo. O até daqui a pouco não acredita em despedidas definitivas. Nem quando as despedidas definitivas são as únicas.


- Quem te disse que foi Borlão que fez esta tremenda sujeira?
- O próprio Borlão.
- E por que Borlão mentiria desse jeito?
- Ou é mais uma tremenda sujeira ou é exatamente o contrário.


O sol saiu da sombra para beijar-lhe o rosto com tanta delicadeza que parecia a sombra beijando.


- Você já viu como ele faz questão de ser antipático?
- Não, não vi.
- Não acredito! É impossível que você não tenha visto!
- Bem, o que eu estou vendo é que você faz questão que eu veja...


- Ela é completamente louca!
- Por que?
- Você não vê? Enfeita a casa toda pro Natal em julho!
- E parece que fica bastante feliz fazendo isso...



Vem aqui, deixa sua marca e vai embora com a sensação de que a marca não só ficou como vai germinar, florescer, enraizar e na próxima vez que vier aqui encontrará uma casa sua literalmente, não uma casa sua metaforicamente.

ROGÉRIO CAMARGO

8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher (parte IX)


"No Dia Internacional da Mulher, espalhe histórias de vida de #SUPERMulheres, como a cantora Nina Simone!

Nina Simone é um dos ícones da música americana. Nascida Eunice Kathleen Waymon em Tryon, na Carolina do Norte, ela aprendeu a tocar piano aos 3 anos. Depois de se formar no ensino médio, conseguiu uma bolsa na conceituada Julliard School of Music, em Nova York, para ser uma pianista clássica. 

Mesmo trabalhando, Nina não conseguiu se manter na cidade e largou o curso. Voltou a morar com a família para juntar dinheiro e tentou entrar no Curtis Institute of Music, na Filadélfia. Segundo os relatos da cantora, ela teria sido rejeitada pelo simples fato de ser negra. 

Na década de 1950, ela passou a se dedicar a outros tipos de música, como o soul, o jazz e o blues. Na década seguinte, suas canções se tornaram importantes para espalhar as mensagens do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos."

Dia Internacional da Mulher (parte VIII)


Hora do recreio
(André Anlub - 21/9/13)

Quem será o guardião desse coração 
Tão intenso, raro e quente?

Nesse vai e vem do povo
A cólera passa rente:
Tentando roubar o puro, 
Esconder o tesouro, 
Cavando um túmulo
E matando os loucos.

Tudo se transforma na fala
Da saliva da ponta da língua;
E na palma da mão que entorna a raiva,
Perdendo-se no céu anfitrião.

Sendo o alicerce mais forte,
Fez-se o castelo.

Nasce o coveiro que rompe vis elos,
Enterra as contendas, 
Encarcera o faqueiro que insiste no corte.

A verdade mostra pra que veio,
O ópio evapora na veia,
Surge a sorte pisando na morte,
Tornando o instante perfeito.

O som é mais ameno,
No feliz badalar dos sinos
Para a hora do recreio.

Dia Internacional da Mulher (parte VII)


Para Sylvia
(André Anlub - 15/4/12)

Abra a porta e deixe a felicidade entrar,
Conte à ela toda sua vida e suas histórias,
Fale de suas amarguras e vitórias...
Convide-a para um chá, temos pão integral e frutas.

Que tal a deixarmos recitar um poema seu?

Fazer desse momento aquele que nunca se esqueça:

- Vamos Sylvia, então escolha você...

Assim, de repente,
Sumimos para além dessa redoma de vidro,
Para longe de uma coação em sua cabeça.

Diga em voz alta, exponha o que lhe faz falta!

- Abram todos, todas as janelas,
Se for repressão ou depressão...
Ainda não está fenecida.

- Faça as pazes com a vida,
Invente que escrever é sua mazela.

- Coloque mais um prato na mesa,
Mais lenha na lareira,
Ajeite a cama...
A alegria quer ficar.

- Sylvia, não se vá...
As letras já estão em prantos.

Todas as pessoas que foram seus sufrágios,
Agora estão deitadas
Em posição fetal,
Com olhos encharcados...

Olhando o além,
Com suas poesias em mãos,
Vivenciando o quão a vida é fatal,
Descobrindo que nem a morte é em vão.

(e nos tempos atuais...)

Presente muitas vezes em meus sonhos,
Com a alcunha de Victória,
Sempre longa fábula de final feliz,
Quimera de uma escritora
Que também é atriz.

Passeando em pensamento,
Sendo lida ao relento,
Denotando em aforismos,
O seu mundo em fartas folhas
Na cabeceira do surrealismo.

Segue mãe:
- imponente e linda.

Colosso na exposição dos sentimentos.
Por dentro estrutura abalável,
Sensibilidade inimaginável.

Os rebentos amparados,
Longe das asas da mãe...
O fim já anunciado
Pelos martírios de viver.

Sua escolha
Infindável branca folha,
Jamais entenderão, jamais...
O que seria seu bel-prazer.

Trinta anos são tão parcos,
Para uma rainha na imortalidade.

Temos que carregar os fracassos
Com a incumbência de pisá-los.

O dito “Efeito Sylvia Plath”...
Muitos poetas carregam no cerne...

Não está pertinente a perder:
- É somar o muito além do que há.

Dia Internacional da Mulher (parte VI)


O viés de Inês
(André Anlub - 4/12/14)

A padronização já estava imposta: 
Olhos, altura, nariz, cabelo, dinheiro e muito mais...
Atrás da porta Inês sorria aos mal bem amados;
Pois Inês não carecia seguir quaisquer padrões.

O viés de Inês era fulgente,
Destrinchava possibilidades de dedos apontados a ela,
As indiretas não se criam, tampouco fulminações...
Inês era osso, osso duro, salgado, forte, mas osso dos bons.

Na infância não se sabe exatamente qual seria sua história, 
Mas jamais sujaram sua roupa com palavrões eloquentes.
Gente simples, fiel e aberta, que sempre foi o que quis,
Bebia água, café e cachaça no copo velho de geleia.

A masmorra foi anunciada para todos como um paraíso,
Coberta de rosas pulcras, ostentações e múltiplos coloridos artifícios:
- Como heras, vinham os amores por fora (trepando).
- Como feras, vinham rancores oclusos (clamando).
E como vinho, eram errantes inebriantes...
Que, como antes, foram feridas no agora.

Travestida para sempre de “verdade” e “opinião”;
A padronização estava em êxtase incondicional.
Tinha no seu exército a fiel guarida do “gosto”,
Mas a inglória da própria imagem em paradoxo, em avejão...
Inês!

Dia Internacional da Mulher (parte V)


Cotidiano
(André Anlub - 28/11/10)

Com idade de ser um homem feito
E com defeito que carregamos no peito,
Faço uma rima com carinho e verdade
E não imagino como seria de outro jeito.

E não aceito essa tal desigualdade,
Com respeito durmo tranquilo no meu leito.
Acordo às cinco horas com muita vontade,
Faço um verso para alegrar o meu dia.

Vou correndo pra bendita labuta,
Não vou xingado igual uns filhos da truta.
Vou contente sabendo que mesmo tardio,
O meu salário aparece no bolso.

O meu esforço jamais é a esmo,
Minha índole continua um colosso.
Por um momento paro e escrevo,
Por um segundo paro e te ouço.

Dá-me um abraço e me deseje bom dia;
Pego a marmita e encho de novo,
Carne moída e um bocado de ovo,
Para dar sustância e também energia.

Logo às seis horas largo esse batente,
Vou ao dentista arrancar mais um dente;
Chego em casa com uma fome danada,
Marco presença com minha doce amada.

Dueto da tarde (LXXXVII)

No recinto o cheiro de café fresco no ar, a grade da cela carcomida pela ferrugem poderia estar pelo menos cromada, e minha pena a ser paga: dez anos. 
A liberdade poderia não ser este sonho perfurado de pesadelos que tento acalentar todas as noites e a paz de espírito poderia não ser esta guerra constante para não me envolver com guerras. 
É uma pena, pois todos os dias me pergunto se toda luta vale a pena; mas sei que a pena vence a espada.
Pelo menos quando a luta é no papel a pena vence a espada. E é para onde trago esta batalha diária, para ter chance de vencê-la.
Hoje faço uma linha do verso na linha de frente do prélio; sou um bom soldado e não durmo; os arqueiros estão a postos e as flechas, como pássaros insanos, voam sem rumo.
Melhor, lutaremos à sombra, dizem as minhas ingênuas esperanças. Dou-lhes asas como dou às minhas vigilâncias.
Amarrei meu novo livro em uma bela pipa, soltei-a por entre as grades e deixei o vento levá-la bem alto; fui dando bastante linha, e voam minhas linhas, linhas e linhas... depois soltei-a.
O livro novo que não escrevi ainda. O livro novo que talvez jamais escreva. Mas que é minha consolação única e completa nessa ausência de meta.
O cárcere incuba expectativa, fugindo de ser cárcere; o ego-centro faz nascer lassidão e languidez; e então a cova com grades é a residência, o lar, amargo lar.
Dez anos, dez séculos, dez minutos. Tudo é relativo se não for ralativo, se não ralar a dignidade indispensável para dispensar o que não seja dignidade e suportação.

Rogério Camargo e André Anlub
(8/3/15)

Dia Internacional da Mulher (parte IV)


A tal da saudade
(André Anlub - 12/2/11)

De todos os sons
Nada mais valia;
Meu rock, meu jazz,
O doce do blues,
Nem qualquer feitiçaria.
Minha cara metade,
Cálida mulher,
Jardim de vida:
Ação – amor – afeição,
Motor propulsor
E motivação...
Fiel agasalho – elixir,
Sua voz é pronuncia,
Mel – música,
Que não canso de ouvir.

E as mulheres... (sempre lembradas)
Não há nada mais indomável
Do que uma mulher sem vaidade.

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.