16 de fevereiro de 2021

Aonde o coronavírus não chega!

 


Das Loucuras (babuíno na balbúrdia)

Rock balbúrdia na boa
Lembrou-me Rocky Balboa
Cinema do bairro lotado
Enlatado encalhado noutra esquina.

Vamos que vamos às águas claras e calmas,
Elevando à alma os imaculados pensamentos.
Os pés preparados para terrenos íngremes e difíceis,
Monges aos montes espalhando fomentos.

Não é fogo de palha, é fogo extremo...
A tarde que cai no buraco do esquecimento.
Meias verdades, verdades inteiras...
Um exército de paz com canhões e trincheiras.

Voltamos ao lutador de boxe na ativa...
Aqui jaz a inércia; aqui vem a experiência.
Samba pra cá, traz o drink e a desobediência...
Hoje é festa com poesia, som e expectativa.

Ou enfrentamos o marasmo ou ele nos engole...
No gole, no trago – não galego, eu não trago angústia.
Há de se ter alegria para distribuir ao vento,
Deixando ao relento tudo que não é rebeldia.

Absolutamente, sem precedentes vamos às ruas...
Levando ideias, lavando aldeias, louvando índios.
Quero ver o mundo inteiro com a pele nua...
Debaixo de uma Lua que engoliu todos os princípios.

André Anlub®
(16/6/19)



15 de fevereiro de 2021

Das Loucuras (da lama ao caos, à natureza sofrida, e no cais nada de vida)

 


Das Loucuras (da lama ao caos, à natureza sofrida, e no cais nada de vida)


O ás está na manga,

Mas ele manja no pé as melhores mangas.

Não precisa competir com irmãos;

Compete a ele decidir o que faz.

Os pés e o viver cheios de calos,

E a sua Caloi não roda mais;

A prancha de surf amarelou,

E ele amarelou para as grandes ondas.


É estranho e faz estrago,

Dá um trago para escrever a linha seguinte;

É loucura, pois o cura de fato,

O faz quase incolor, inodoro e insípido.

Dá palpite nos próprios atos,

E é fato que dá alpiste aos patos.

Joga falas no ralo,

Mas tira proveito dando ouvidos ao requinte.


Estado de lamento é a lama do momento,

É mosquito, é febre, é sofrimento...

É a mente emprestada,

É a empreitada sem cabimento:

Empresa que trouxe e traz tormento.


No vale tudo versus a Vale,

Não há limite de punição que se invente.

Vale a pena penar, lutar, abancar com afinco

E embarcar nesse barco...

Juntar-se à Mariana, ao Rio Doce,

Ao povo sofrido e ao meio-ambiente.

Um duelo doloroso, nada decente...

Com a faca nos olhos e nos dentes à Samarco.


André Anlub®

(27/1/18)

12 de fevereiro de 2021

Salve, salve, Gonçalves.














Toda vez que vejo um Brasileiro com um nariz de palhaço, não sei porque, me lembro da pegadinha do: "desenhe um "i" com um pingo em cima"

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Salve, salve, Gonçalves.

(Homenagem a Gonçalves Dias)


Nos primeiros cantos

expõe com nitidez

enaltecendo a inspiração

como tambores rufando

com o encanto das palavras.

Nos segundos cantos

conhecimento e afinação

há tentativa de união

e consolação nas lágrimas.

Todo poeta é alteza

que exibe sua emoção

também nos conta a memória

páginas realmente vividas

como nos fala em “Os Timbiras”.

E a memória não morre

escorre e percorre as folhas

em bolhas de um puro folclore

que é a mais verdadeira verdade.

Salve, salve, Gonçalves.


André Anlub®

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Nau que jamais afunda


Poesia do amor é colossal

Vive mil afetos e paixões

Indizíveis nas puras emoções

Faz da amada a imortal.

Navega em lugar desconhecido

Na nau do porvir inesperado

Sentimento na quimera ancorado

Cobiça o anseio correspondido.

Face e sorriso na essência

Delírio da memória registrada

Afeto que se perde na estrada.

Mas se há ínfima clemência

Refaz-se o mar antes navegado

Renascendo o amor desamparado.


André Anlub®

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Algumas histórias II


Estava cá com meus botões

Rememorando velhos bordões

Pensando em épocas remotas

Concupiscências e efígies mortas.

Lembrei-me de amores perdidos

Esquecendo-me de dores achadas

Pessoas que foram imaculadas...

E demônios travestidos de amigos.

Recordo dos conhecidos porteiros

Nas calçadas com seus banquinhos

Sentados o dia inteiro

Ao lado dos seus radinhos.

Vozes agudas dos rádios a pilha

Diversão do seu dia a dia

Hoje atrás de grades e guaritas

Entregues à sorte e à morte...

Estão à revelia.

Lembrei-me das ruas sem movimento

Que serviam de campo de futebol

A ausência maciça de lamento

Para todos nascia o sol.

O gol feito de chinelos

A bola “dente de leite”

Seguia torta em caminhos retos

Felicidade que compunha a gente.


André Anlub

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Algumas histórias 


Cheiro de madeira queimada

Na ponta dos espetos, salsicha e queijo

Sicrano tocava um blues na viola

Eu tirava um som da minha velha gaita.

Fulana cantava melodiosamente no ritmo

Enquanto Beltrano arrepiava nas latas de Nescau

Os animais, com o barulho, já haviam corrido

Era uma calma e bela noite logo após o Natal.

O show já estava frenético e sem rumo

Vaga-lumes embriagados rodeavam o local

E em uma nuvem se escondia a lua minguante

Não havia qualquer luz artificial.

Na sombra da fogueira, imagens curiosas

Dançavam com a música nas árvores e arbustos

Deu-se uma imagem sombria de um corvo

Logo se transformou em uma flor formosa.

São momentos inesquecíveis na minha mente

Que nem mesmo o garrafão de vinho conseguiu apagar

Transformadas anos depois em alguns versos e prosas

Essa história ocorreu em Visconde de Mauá.

Depois retorno para falar das cachoeiras...

Ah, as cachoeiras...


André Anlub 

(12/02/2012)

9 de fevereiro de 2021

Ziguezague - ziquizira

 



Ziguezague - ziquizira


Na vida da dama os fulgentes ofícios 

Dócil anjo do hospício que tingiu em sua vida:

Guaches, canções, letras - artifícios 

Do repente que trouxe delicada guarida.


Ziguezague de arranque; bucólico sentimento, 

Mão dançante - frenética da mente produtiva. 

Ziquizira que se rendeu ao faminto fomento

E no momento só enxerga a real perspectiva. 


Andarilha no trilho, Falcão de voo sucessivo,

Faz do seu trabalho o ato muito mais expressivo. 

Do suor do seu couro nesse denso mundo raro,

Faz do seu rei no umbigo somente um detalhe. 


Que a inspiração não suma - não durma - não falhe...

E se doe doce no eterno, açucarando seu faro.


André Anlub

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Foste no preto e no branco

e trouxeste na mente

aquela ideia de mim.

Já fazia seis anos

dos sorrisos benfeitos

nos olhares, trejeitos

e o coração nada ardil...

Apego de zero a mil

é paixão até o fim

amar tim-tim por tim-tim.


André Anlub®

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Das Loucuras (em primeira pessoa, pessoinha especial)


Penso, prenso, escrevo, leio, faço e digo não;

Desfaço o abraço e alguns rabiscos ficam à deriva. 

Mas sempre preciso de mais tempo para a lapidação.


É assim comigo; é assim comida; é assim com a vida.


A dura espera do parto é uma esfera metálica

Nada estática e toda enigmática; intimidante e reluzente.

Fico à espera de surgir uma ponta, mesmo que um espinho,

Para amarrar meus escritos infindos, enfim, meus “niños”.


É assim: satisfazer – mesmo que parcialmente – a sede.


E quanto ao faro do feto no ventre?

Que muda a poesia, a torna (ou não) coerente...

Há exceção, mas nada é extremamente raro!

E quanto a não questionar mais nada?


Rara é sensação de satisfação plena!

Não raro é estar a par do que é um poético choque,

E mesmo assim ser de si mesmo para-raios...

Levando a descarga elétrica contente,

Queimando e curando a sensação amena,

Assumindo os estragos do enfoque.


Por trás de toda justificativa há uma comodidade;

Por trás de toda comodidade há inúmeras justificativas.


Digo: dispenso, disperso, descrevo, releio e sim...

Faço novamente o laço, mas com outra vertente.

Voo através da minha própria inspiração – sou insolente...

O tempo é suficiente, escasso é o fim.


André Anlub®

(20/1/18)



7 de fevereiro de 2021

excelente semana




Dueto LVIII

Passaram-se décadas de escadas e escaladas, entupiram-se alguns canos, cabelos caíram, ossos furados, castelos ruíram.
No rosto do bibliotecário o vinco dos registros formava rios que desaguavam em oceanos de mágoa.
O que já passou por suas mãos e olhos são incontáveis joias raras, pedras preciosas, escritos, pequenos silêncios e enormes gritos de escritores de todo o globo.
Tudo dele, tudo nele. Sua vida é contar e recontar as pedras, encontrando ou deixando escapar as preciosidades.
Espalhou a semente da leitura: família, vizinhos e toda sua pequena cidade... mas não se sentia completo, não era pleno, era até mesmo infeliz ao extremo.
No extremo da angústia perguntava-se e a resposta era mais uma pergunta: O que é que eu estou fazendo aqui?
Saiu pelas ruas à procura da resposta; olhou pelas praças, bancos e ruelas e viu os amigos (eles e elas) lendo ou carregando livros; olhou pelas janelas baixas e viu mesas postas e ao lado as cristaleiras com livros guardados para o “após ceia”.
Pedras guardadas, livros guardados. Pedras nos olhos, livros nas estantes. Pedras nos sapatos, livros nas gavetas.
A impressão de dever cumprido veio junto com a de não dever nada; então, novamente, deságua em lágrimas, pois o livro que mais quis ler, ele não havia escrito.
No livro que ele não havia escrito, a resposta para sua pergunta não era uma nova pergunta e ele finalmente não dormiria mais embaixo da mesa.

Rogério Camargo e André Anlub
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Seu amor me implantou uma espécie de dormência,
Algo incômodo que carrego junto à carência. 
Amor fantasiosamente assombroso – casto colosso,
Que me pisa impetuosamente com pés quilométricos
E me acende o sorriso mais um par de vezes.

(André Anlub - inspirado na Ana Hatherly)
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É com você meu excesso
cada rima faz a lima que esculpe
cada lume é grito na ideia.
A sina e a saudade tomam forma de poeta
o blá, blá, blá de normas e métricas
falece.
Onde foi parar a catarse?
Vai catar-se, sentimento é meta
escrever é vida, variação
que bem entendida, enobrece.
No descanso ao relento
deitado na rede, invento
rabiscos, borrões
com ventos quentes me esquento
e nos frios me aqueço.
Sono profundo eu finjo
só medito.
Em letras bold
grandes e coloridas
surge seu nome
se transformando em seu rosto
em doce sorriso
e por fim em “te amo”.

André Anlub®
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Le Petit Maurice

Depois de sair do seu banho...
Reparte o cabelo ao meio,
passa um pouco de Gumex,
no pulso seu belo Rolex.

Separa um trocado pra cerva,
não se esquece da erva
e a chave de seu Chevrolet Veraneio.

Coloca uma bermuda de marca,
um chinelo de dedo,
mesmo sabendo que é cedo,
um uísque e dois cubos de gelo.

Vai sem rumo pra Urca,
louco varrido na praia,
depois uma pizzaria famosa,
com gente bonita faz prosa
(nunca soube o que é uma árdua labuta!)

Esse ano fez trinta anos,
(nunca na vida fez planos!)
mede um metro e noventa,
um par de olhos azuis,
ama bala de menta,
pai rico, famoso juiz.

Estudou nos melhores ensinos,
fez inglês nos Estados Unidos;
mulheres ele coleciona aos quilos,
é inteligente e feliz.

Fundou uma confraria de solteiros,
charutos e bebidas - prostitutas e cavalos
Quando chegou aos quarenta,
dinheiro e saúde pro ralo.

A vida ficou antipática,
empilhando contas em sua mesa,
o burguês que migrou pra pobreza,
morreu de cirrose hepática.

André Anlub®

5 de fevereiro de 2021

Das Loucuras (na ponta da língua os amores, no resto da boca as paixões)

 



Coloco nosso “amor” entre aspas

Para que em cada dia que nasça

Possa ter uma definição diferente.


Das Loucuras (na ponta da língua os amores, no resto da boca as paixões)


Um coração apaixonado pela vida e pelo ordinário,

Itinerário mal feito, bem frito, fulgido e mal pago.

Verdadeiro pulsar, tambor de calor que ainda anestesia.

Vinde à vida, brinde a tudo, pois o absurdo é pedir anistia.


A noite chega me beijando o cangote e querendo sexo,

Adentrando pela fresta da razão que ontem rachada então hoje sem nexo.

Vá-se tudo, pois quero ficar só com o meu mundo em meu pedaço...

Na cópula que transborda, feito os olhos que flutuam fitando o espaço.


A gaveta que abro tem pertences, particípio passado,

Tem fotos amareladas, pulseiras, besteiras e anéis de prata.

Aprendi a dar o nó na gravata, mas a bravata é que não achei serventia...

Na luz da noite há o dia largado, na luz do dia desmonte embriagado.


Faça-me o paradoxo de ser osso duro de cristal caindo da mesa...

Venho ver estrelas que já morreram e me dão gosto de viver.

Tão perto de mim mesmo e me querendo distância;

Tão longe da minha pessoa e a saudade de mim é imensa.


Ah meus amores, ficaram em páginas viradas.

Desconheço, não vejo o “fim” desse livro,

Mas a tinta não seca, e engrosso as folhas com sonhos...

Tiragem esgotada.


André Anlub




4 de fevereiro de 2021

Excelente quinta a todos

 O lado bom da vida é fazer o que gosta

Não pingar colírio em olhos alheios

Viver pra ser invejado é tiro no pé

É egoísmo com a própria alegria

É fazer com a falsidade parceria

É ser Zé Ruela, Zé Mané.


André Anlub®




Ferve de fevereiro


Aquele céu azul turquesa em desvario me olhou sem fim, 

Aquele pérfido desvio que abrolhou em mim;

Tal tiro de festim que acerta minhas árduas cobiças,

Meus veios, meus velhos/novos embustes e premissas.

Sou andarilho com zelo de outrora malandro sagaz,

Sou saga, lenda, mito ou talvez nem e nada disso;

Abdico da necessidade de expor o que fui ou sou; já expondo;

Paparico a dona rica do amigo, bom, antigo, verde e grená alambique.


Dito-lhe ao pé do ouvido:

“verde-bílis com preto, verde-bílis com branco, 

verde-bílis com verde-nilo, seu primo distante.”

- Li isso em algum lugar; 

Acho que poderíamos repintar e avivar os quatro cantos.


O céu agora nublado e um assanhado sanhaço cantando,

Como um tablado branco e você dançando seus passos;

Foram descentes decentes, goela abaixo, quatro copos “quentes”:

(quatro pingas, quatro santos, quatro amigos, quarenta e quatro anos);

Peça imaginária, som e luminária, alma incendiária e (pra rimar)...

Ela – metade marcante da minha faixa etária.


André Anlub

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Dueto LV


É um homem fiel com sua alegria, por esse motivo não faz acordo com dias ruins, nem vez ou outra.

Não abre concessões para não gostar das concessões abertas. Não faz trato com o Demo para não se tornar sócio dele.

É gente comum que comumente mente para se enquadrar em quadros que tapam os estragos nas paredes.

É um homem que passa reto pelas curvas, que se aborrece com o aborrecimento, que não chove com a chuva nem com o guarda-chuva.

Segue alegre sem derrapar nos de repentes; todavia segue toda vida a via que o leva levemente na corrente de bem – de zen – de gente.

É humano, afinal. Não podia fazer nada que os humanos não fazem, afinal. Mesmo que a maior parte deles estranhe o que um deles faça diferente, no final.

Sente-se bem, e prioriza isso! Senta-se à beira do lago com sua vara de pescar, seu sanduiche de atum, sua consciência leve como a brisa que o beija... se deixa.

Não prega a igualdade nem defende seu direito: vive seu direito e deixa o esquerdo viver como quiser.

Afinal, ele está no claro, no escuro ou em cima do muro? Não importa, pois dizem as boas línguas que foi ele quem fez o muro (mas com uma imensa porta).

A porta é generosa: quem entrar entra, quem não quer fica de fora e ela sempre ali, com ele sempre ali – pois ele é ela, como ele é o muro.

Agora um peixe morde sua isca; no mesmo instante que no outro lago, do outro lado do muro, um outro peixe almoça, e enche sua barriga.

É um pescador. Sua pesca é sua alegria. Sua alegria é sua pesca. Há peixe de toda espécie nesta pescaria.


Rogério Camargo e André Anlub

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2 de fevereiro de 2021

E assim se fez verão

 






Três poemas com a palavra "unicamente":


Pequenas empáfias


Aves que voam no além-mar

A dois, três metros da água

Sentindo a salinidade existente

Liberdade de tocar a epiderme da vida.


Aves migratórias de voos extensos

Atravessam continentes com suas asas enérgicas

Veem de um modo que nem em sonho o homem vê

A brisa é sua amiga e confidente.


Tudo se torna fácil na simplicidade

O belo, salutar e o generoso são corriqueiros

O natural é unicamente natural

E nada faz falta ter o intelecto.


Alguém lá em cima sorri

Ri de nossa soberba

Ri quando vemos um colibri

Ri quando voamos em asas de aço.


André Anlub

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Estrada insana


Não há razão para encarar essa estrada insana, alucinada...

Dizem que vale a recompensa e o amor é tudo.

Se pegar o caminho será apenas de mala, cuia, bota de couro e queixo erguido.

A bota protege das cobras...

Quais? - Cobras travestidas de amizade, segurança e boas intenções.

A princípio não precisará de mais nada, pois se há mergulho é unicamente de cabeça...

variando entre sorrisos e seriedades durante a queda.

Larga-se quietude – pega-se insegurança –, e determinado vai-se seguindo.

A estrada muitas vezes sangra: fortes chuvas que parecem horizontais.

O barro vermelho surge e se acumula nas beiradas formando esculturas de devaneios

que arregalam e alegram os olhos.

Às vezes levam a um sorriso – a uma alegria –, e dão mais força no delírio do caminho.

Às vezes a estrada enche, há a necessidade de nadar e se nada muito.

Sem barcos, sem boias, sem joias, sem glórias, somente com os sonhos.

Às vezes é seca e solo rachado, com inúmeras voçorocas dando a impressão que nos fitam e chamam para transpô-las.

E mesmo com chuva forte, vento, buracos, percalços, se segue em frete com força ou fraco, coragem ou covardia e quase sempre sem perceber.


André Anlub®

(8/5/13)

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Pérola na Ostra


Palavras soltas, indo com o vento

São como as idéias que habitam a escuridão

Rebentos que eu mesmo invento

Pura e unicamente classificados de suposição


O julgamento final de minhas ações

Tal qual as palavras que deixei de escrever

São unidas com pensamentos em vão

Que desuniram o mais sincero bem querer.


Perdido em vírgulas, parágrafos e pontos

Jogados em papiros com teclas

Que nascem minhas poesias e contos

Sem luzes, escuridão que renega.


Sublinhado pela tinta de corpo e forma

Letras tortas, curvas e retas

Seguindo manuais, escritos nas normas

Sem destino, puramente, sem regras.


Fecho a ostra, guardo as idéias

Desligo-a de uma tal de tomada

Milhões de criatividades são centopéias

Que andam e moram dentro do nada.


André Anlub


Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.